Por que o brasileiro não poupa? Será que é só porque o salário médio do trabalhador é baixo? Segundo muitos estudos sobre o tema, a cultura monetária nacional de imediatismo tem suas origens já nos primórdios da “aventura colonial”.

O tempo passou e o incentivo ao “hoje” em detrimento ao “amanhã” se tornou máxima; assim, enquanto o Japão estimula a criação de bancos fictícios nas escolas (para ensinar a população a gerenciar seus recursos desde os primeiros anos de vida), no Brasil, chegamos à idade adulta sem saber sequer como cortar gastos.

Quer sair dessa areia movediça do marasmo financeiro? Então é fundamental aprender a cortar gastos e a enxergar o consumo de forma sustentável, a fim de que lhe sobrem recursos para investir. Vamos começar agora com as dicas abaixo?

1. Faça um raio X de suas finanças pessoais

Não dá para alcançar a independência financeira pagando mais de 100% de juros anuais em uma linha de financiamento tradicional ou, até 528% no cheque especial a cada 12 meses.

Dessa forma, o primeiro passo é organizar seu orçamento doméstico para mapear tudo o que você gasta/ganha, tentando encontrar brechas para formar uma generosa conta “amortização”, que lhe será útil para quitar suas dívidas de uma vez por todas.

O problema é que nada menos do que 42% da população não sabe sequer quanto ganha, o que mostra o grau de descontrole financeiro nacional.

Dessa forma, organize suas receitas/despesas em uma planilha, de forma a classificar quais de seus gastos são essenciais e quais são supérfluos. Isso ensejará algumas mudanças.

Troque o custo dos almoços em restaurantes pela sua própria comida, renegocie o plano de sua academia (ou suspenda-o temporariamente), mude seu pacote de dados junto à operadora de celular e estabeleça um patamar mais baixo de custos com lazer.

Essas são apenas as primeiras medidas para criar um orçamento doméstico sustentável, que lhe permita pensar em sobras para amortizar dívidas.

2. Estabeleça um plano de quitação de empréstimos/parcelamentos

Uma vez que você tenha criado sobra para as dívidas em sua planilha de receitas/despesas, advinda do residual das adequações citadas acima, siga religiosamente o acordado consigo mesmo, investindo mensalmente o valor remanescido. Essa disciplina é essencial para o seu sucesso financeiro.  Peça uma memória de cálculo junto às instituições credoras para gerenciar qual o alvo a ser atingido: você perceberá que ao amortizar suas dívidas, você não paga juros, respondendo apenas pelo “principal + encargos”.

A economia de evitar os juros mensais significa um poderoso incremento em suas finanças pessoais de médio/longo prazo. Cortar gastos, sobretudo para quem está com dívidas, é imprescindível.

Lembre-se que você pode também recorrer à antecipação de recebíveis, como 13º salário, 1/3 de férias ou eventualmente um saque do saldo de FGTS. Outra estratégia interessante é trocar uma dívida mais cara por outra mais barata. Um exemplo seria, por exemplo, contrair um crédito pessoal com Custo Efetivo Total (CET) de 1,5% a.m. para pagar outro, contraído a 5,6% a.m.

3. Expurgue a compra a prazo/financiamentos/crediários de suas decisões financeiras

Se as dívidas foram eliminadas, você venceu a primeira batalha: consertou o que estava desajustado. Agora é chegada uma nova fase, da maturidade financeira em ver o consumo de outra forma, o que envolve muito mais do que cortar gastos: passa por uma mudança profunda de mentalidade.

Sabia que 79% dos consumidores preferem parcelar suas compras a juntar para comprar à vista? Esse dado explica um outro, bastante emblemático: 40,5% dos brasileiros estavam com nome sujo em março/2018. Na verdade, uma coisa é consequência da outra.

 

4. Estabeleça alvos e metas de esforço

O estatístico William Deming ensinava que “não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende e não há sucesso no que não se controla”. Sem objetivos claros e meios definidos para atingi-los, é impossível sair do lugar. Essa falta de organização condena muitas famílias a assistirem seus rendimentos escorrerem pelos dedos durante uma vida inteira.

Qual seu objetivo? Sair do aluguel? Viver de renda? Ter uma aposentadoria tranquila? Pagar futuramente a universidade de seus filhos? Comprar uma casa no exterior? Esclareça para si mesmo onde você quer chegar e, a partir disso, arme-se para vencer os desafios durante esse percurso.

Você fará isso colocando metas para seus sonhos, o que significa cortar gastos de seu orçamento doméstico e transformá-los em metas para investir (aplicando, por exemplo, em um fundo de investimento).

Você pode fixar uma meta a partir da fórmula “50-25-25” (50% dos rendimentos para gastos essenciais, 25% para poupar e 25% para lazer). Não vamos esquecer também que essas metas devem ser realistas, seguidas à risca e de prazo determinado.

5. Altere a estrutura de sua rotina

Carro não é investimento e muito se fala sobre isso. Somando IPVA, gasolina mensal, checkup, pedágios, licenciamento e estacionamento, quanto você estima que gaste anualmente com esse bem?

Não tem esse dado na ponta da língua? Então é hora de materializar esse cálculo, no intuito de fazer uma reflexão analítica sobre a real utilidade de ter um veículo próprio (especialmente se você mora perto de metrô ou estuda/trabalha perto de casa).

Após terminar de ler nosso post, dê uma olhadinha nessa calculadora de custos de automóvel, jogando seus dados nela para descobrir quanto se esvai de seus rendimentos anuais com esse bem. O site especializado ainda estima que o custo total de ter um carro é, em média, R$ 14.400,00. Com base nisso, faça um estudo ter certeza se vale a pena ter um carro.

Perceba que o ponto é que algumas despesas o fazem empobrecer duas vezes: primeiramente, por prejudicar suas finanças pessoais e, em um segundo momento, por evitar que você consiga usar esse capital para enriquecer. Lembra que dissemos há pouco que cortar gastos é mais do que deixar de consumir, é uma mudança de visão de mundo?

A propósito, entre seus amigos, conhecidos e familiares, quantos estão também endividados ou sem uma estratégia para poupar dinheiro? Compartilhe o nosso conteúdo nas redes sociais e ajude-os também a vencerem os desafios de cortar gastos e multiplicar patrimônio!

 

5 dicas para cortar gastos e começar a investir agora mesmo!
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