Ao tomar a decisão de investir, é necessário conhecer as características dos fundos disponíveis no mercado. Para analisar essas informações, um dos recursos disponíveis é a leitura do material de divulgação de fundos de investimento, no qual é possível verificar informações essenciais como a volatilidade, a rentabilidade, as taxas de administração e de performance, além de identificar o valor da aplicação inicial e a movimentação mínima.

No entanto, a leitura do material de divulgação não é tão simples para quem não está familiarizado com esse tipo de conteúdo. Pensando nisso, neste artigo, explicaremos algumas das informações contidas na maioria desses documentos. Dessa forma, o investidor conseguirá fazer a escolha certa para o seu perfil e ficará mais próximo de ter as suas expectativas com o fundo de investimentos correspondidas. Acompanhe!

Como interpretar as informações contidas no material de divulgação de fundos de investimento

As informações contidas no material de divulgação das gestoras assinantes do código de melhores práticas de fundos de investimentos, seguem determinações da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA). Essa instituição foi criada em 2009, a partir da união de duas entidades, mas já representa os mercados há quatro décadas.

A partir do material de divulgação, o investidor será capaz de entender se possui o perfil de risco do fundo de investimento em estudo e, sobretudo, obter as informações que serão úteis para saber qual comportamento esperar do investimento. A seguir, confira como interpretar os diversos dados desse documento.

Patrimônio líquido

Antes de aplicar no fundo, é importante que o investidor verifique o seu patrimônio líquido.

Um fundo de investimento tem muitos custos fixos, que se diluem de acordo com o seu patrimônio. Dessa forma, é recomendável que a pessoa que fará o aporte verifique se esse fundo tem um tamanho considerável.

Há uma relação direta entre o tamanho do patrimônio e os custos. Quanto maior o valor do patrimônio, mais os custos fixos serão diluídos. Ou seja, caso o valor do patrimônio seja baixo, os custos fixos terão maior impacto no desempenho do fundo, um exemplo é o custo de auditoria.

É válido ressaltar que há custos que são variáveis, como a taxa de administração, que por serem um percentual do patrimônio, o tamanho do fundo é indiferente para o resultado.

Retornos mensais

O fundo de investimento fica marcado desde o começo, com um padrão mês a mês, referente ao retorno absoluto bruto. Para o investidor, é extremamente importante ter a ciência de que os retornos indicados em um material de divulgação são líquidos de todas as taxas, com exceção do Imposto de Renda.

Não é aconselhável observar apenas a taxa de administração. Esse encargo está diretamente relacionado ao desempenho mensal do fundo.

Isto é, ainda que a taxa de administração seja alta, se o resultado entregue for maior, esse custo não deve ser encarado como um problema, principalmente quando se trata de uma gestão ativa.

Em fundos de investimentos que têm gestão passiva, fundo DI, por exemplo — em que o gestor apenas segue o benchmark, sem complexidade intelectual ou parte ativa da gestora — a taxa de administração terá um impacto considerável, e poderão ser observados nos resultados.

Rentabilidade

É importante entender também que os fundos de investimento sempre terão um benchmark. O objetivo da maior parte dos fundos deve ser superar ou acompanhar este benchmark (gestão ativa e passiva, respectivamente). Portanto, é de suma importância que o investidor, antes de fazer o aporte, verifique a capacidade do fundo de cumprir com seu objetivo

Em fundos de multimercado, o benchmark costuma ser o Certificado de Depósito Interbancário (CDI). No caso de fundos de ações, o índice mais comum utilizado é o IBOVESPA, podendo em alguns casos ser o IBRX ou IPCA+X% ao ano.

Compreenda, ainda, que o Fundo de Ações não será necessariamente ruim, justamente por apresentar resultados negativos. É importante verificar se o fundo costuma superar o seu índice de ações de referência, e não olhar apenas para o curto prazo, mas também para prazos mais longos.

Atribuição de performance

É onde é apresentada a origem do resultado no mês atual, dos meses anteriores e no acumulado. Nesse espaço, o investidor poderá identificar quais estratégias tiveram resultados positivos e quais tiveram resultados negativos. O resultado final apontará a soma de todas as estratégias com a subtração dos custos.

Estatísticas

Nesse espaço, o investidor consegue, por meio de dados quantitativos a analisar a qualidade do fundo. Abaixo seguem algumas das estatísticas utilizadas:

Retornos acumulados

Esse números representam os retornos acumulado do fundo em diversas janelas, como por exemplo, desde o ínicio, 12 meses, 24 meses e 36 meses. Nela é possível identificar se o retorno do fundo é consistente.

Volatilidade diária anualizada

Esse índice é o desvio padrão dos retornos diários. A partir dele, pode ser constatado o grau de risco de um fundo de investimento. Quanto maior for o Índice de Volatilidade, maior é o risco do fundo.

Quando falamos em volatilidade (risco), nos referimos a possibilidade do fundo apresentar uma queda, ou uma alta, relevante em um dia.

Um investimento mais arriscado é recomendável para aplicações de longo prazo. Não é aconselhável observá-lo diariamente, esperando que o retorno venha na sequência. Confie no gestor e espere para ver os resultados. Todavia, caso sejam entregues vários meses negativos, sem sinais de que poderá haver um retorno positivo, convém realizar o resgate. Entretanto, não seja imediatista ou invista por impulso.

A volatilidade não deve ser encarada como um problema, mas sim a capacidade do gestor em extrair resultado dessa variação. Um risco alto não determina se o fundo de investimento é bom ou ruim. Para isso, uma das medidas que a ANBIMA adota é o denominado Índice de Sharpe.

Índice de Sharpe

O Índice de Sharpe busca mostrar a eficiência do risco envolvido em um fundo de investimento. Quanto mais alto for o índice, melhor é a relação risco × retorno do fundo. Dessa forma, essa métrica é um indicador muito importante.

Como base, valores de Índice de Sharpe acima de 1 podem ser considerados bons — quanto maior melhor.

Taxa de administração

Essa é uma das obrigações no material de divulgação. A taxa de administração é o valor cobrado ao ano — sempre vale ressaltar que os retornos mensais apresentados são líquidos das taxas.

É comum que o material de divulgação do fundo de investimento indique a taxa máxima. Esse índice é o máximo que é permitido que o fundo cobre de administração anualmente, não necessáriamente é o valor que efetivamente é cobrado.

Caso seja permitido que o fundo compre cotas de outros fundos, conforme regra da ANBIMA, é necessário esclarecer qual é a taxa máxima que será cobrada, uma vez que haverá sobretaxa.

Cotização e liquidação

Esse é o tempo levado para cotizar e liquidar uma aplicação ou um resgate. Por cotização, entenda como o dia em que os recursos serão transformados em cotas (aplicação) ou as cotas serão transformadas em recursos (resgate), por liquidação entenda como o dia em que você aporta os recursos no fundo (aplicação) ou o dia em que o fundo transfere os recursos para sua conta corrente (resgate).

É comum ver a palavra D+X nestes campos, D significa o dia em que foi dada a ordem de aplicação ou resgate, sendo X o número de dias subquentes para que se concretize a operação.

É muito importante que seja observada o prazo de resgate, para não haver surpresas com a data de recebimento dos recursos solicitados. É necessário, portanto, incluir na análise quando poderá haver necessidade de resgatar o recurso.

Aplicações inicial

A partir da observação desse campo, o investidor saberá qual é o aporte inicial mínimo para aderir ao fundo.

Movimentação mínima

Esse é o valor mínimo que poderá ser movimentado, ou seja, para novas aplicações ou eventuais resgates

Saldo mínimo

Esse é valor mínimo que o investidor deve manter no fundo, não é possível realizar resgates que deixem o saldo inferior ao mínimo, neste caso é necessário resgatar um montante menor, ou realizar o resgate total.

Tributação de imposto de renda

A incidência do imposto de renda possui três possibilidades de tributação sobre os rendimentos dos fundos de investimento— longo prazo,curto prazo e ações —, que é definida pelos ativos do fundo. Caso o fundo invista em títulos com vencimento médio inferior a 365 dias, o fundo será tributariamente de curto prazo. Se a média dos ativos for acima de 365 dias, a tributação será de longo prazo, caso ele possua mais do que 67% dos ativos em ações, será considerado de ações, indepentende de ser um fundo de investimento multimercado (FIM) ou um fundo de investimento em ações (FIA).

No caso do fundos de longo prazo, ao aplicar, o investidor esta sobre a incidencia da tabela regressiva de 720 dias. Entre 0 a 180 dias, a tributação é de 22,5% sobre o ganho de capital. Entre 6 meses e um ano, a tributação é de 20%. Já entre um e dois anos, 17,5%. Acima de dois anos, 15%.

Já na tributação de curto prazo, há apenas duas janelas, de 22,5% e 20%. Até 6 meses, a tributação incidente sobre o ganho de capital é de 22,5%. Entre 6 meses e um ano, 20%. Ou seja, fundos de tributação de longo prazo têm Imposto de Renda menor ao longo do tempo. Em relação aos fundos com tributação de ações, seja um FIM ou um FIA, a aliquota é única de 15%.

Vale lembrar que além da tributação citada acima, grande parte dos fundos possuem um adiantamento do IR, conhecido como come-cotas.

 

Qual é o prazo para investir em um fundo?

Depois de analisar as informações do material de divulgação, como a volatilidade e o Índice de Sharpe, o investidor saberá qual é o grau de risco envolvido no fundo de investimento e evitará erros na hora de alocar o dinheiro. Já o prazo de resgate será fundamental para entender em quanto tempo você terá acesso aos recursos investidos.

Porém, a fim de definir o prazo para seguir em um fundo de investimento, o mais importante é conhecer o gestor. Caso a rentabilidade se mantenha muitos meses consecutivos abaixo do benchmark, é válido entrar em contato com o gestor para o entender se foi adotada alguma estratégia específica.

É fundamental utilizar outros fundos similares na comparação dos resultados, para entender se a baixa rentabilidade é algo pontual. Caso todos tenham sofrido quedas, certamente, isto provavelmente foi consequência do mercado. Se a queda do fundo em questão for menor que a dos demais, o investidor deverá tentar entender qual a estratégia adotada pelo gestor e acompanhar mais de perto.

Utilize o material de divulgação de fundos de investimento para analisar estatísticas. Se houver uma volatilidade alta, mas o retorno também for alto, isso se refletirá também no material de divulgação. O investidor deve analisar se ficará confortável em dias com grande percentual de queda. Confie no gestor e naquilo que ele desenvolve. Caso não se sinta confortável com grandes perdas, não aplique em um fundo de risco.

Sempre que quiser saber qual fundo é o mais adequado para seu perfil, utilize essas dicas para ler o material de divulgação de fundos de investimento. Quer ter acesso a mais informações como as deste artigo? Assine a nossa newsletter e receba os conteúdos diretamente na sua caixa de entrada.

 

Aprenda a investir: como ler o material de divulgação?
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