Responda com sinceridade: você entraria em uma aeronave completamente desprovida de instrumentos de voo, cujo piloto tivesse confessado que o trajeto seria feito com base apenas em sua intuição e experiência? Provavelmente não, certo? E a razão é que sem indicadores, não se chega a lugar algum.

Ora, se você acha um devaneio levantar voo sem compressores, altímetros e indicadores de direção, por que guia sua vida orçamentária sem quaisquer referenciais? Sem metas financeiras, é impossível sair das dívidas, construir patrimônio e, em última análise, enriquecer.

Neste artigo, você vai entender a importância dessas metas em sua vida financeira, como organizar suas receitas/despesas e fazer do presente um alicerce para um futuro de sucesso. Confira!

Qual é a importância do planejamento financeiro?

planejamento financeiro é um aspecto essencial da gestão pessoal, familiar e de empresas, pois mapeia os caminhos para guiar e coordenar as ações desses agentes em direção ao alcance de seus objetivos. Esse planejamento deve se desdobrar em metas financeiras, abarcando redução do endividamento, o aproveitamento de oportunidades de investimentos e a acumulação de bens.

O problema é que a cultura nacional ainda é muito impregnada pela valorização do “agora” em detrimento ao “amanhã”, característica que, somada à escuridão total de educação financeira ao longo da vida, explicam por que 44% dos brasileiros consideram impossível levantar em torno de R$ 2.500,00 em uma necessidade de emergência, segundo o Banco Mundial.

A falta de preocupação com as metas financeiras dificulta a multiplicação de histórias de sucesso no nosso país. Trajetórias como as de Luiz Barsi, um ex-engraxate que viveu parte da sua vida em um cortiço no Brás, em São Paulo, e que, a partir de um estudo sistemático do mercado financeiro e da ideia fixa em torno do cumprimento de metas financeiras crescentes, simplesmente se tornou dono de uma das maiores fortunas da Bolsa de Valores brasileira. Estamos falando de Luiz Barsi, mas poderíamos estar falando de você.

É possível mudar a história a partir da mudança de pequenos hábitos no presente:

  • mesmo com a crise econômica, 40% dos brasileiros ainda compram por impulso;
  • 79% dos consumidores preferem se entregar à facilidade enganosa das compras parceladas, em vez de fugirem dos juros abusivos e terem o poder de barganha da compra à vista;
  • mais de 40% dos brasileiros não tem certeza nem sequer sobre o quanto ganham por mês. 

Você comete algum desses erros? É hora de estabelecer uma guinada em sua vida financeira. E o primeiro passo é saber diferenciar alvos de meros sonhos.

Como distinguir desejos pessoais de metas?

Muitas pessoas se perdem nos sonhos, em vez de maturá-los com sensatez e determinação para que eles se transformem em metas. Desejos pessoais, muitas vezes são confusos, abstratos, emocionais e sem utilidade prática.

As metas, por outro lado, são o amadurecimento dos desejos, com a inserção de indicadores quantificáveis capazes de medir suas ações e resultados, criando um histórico de performance e ritmo. Não basta que você sonhe em ter uma fazenda ou alcançar seu primeiro milhão. É preciso montar um plano de ação e segui-lo com rigor.

Quanto você vai investir por mês para atingir esse objetivo? Qual é o investimento com maior potencial de rentabilidade? Como formar uma estratégia inteligente na montagem da sua carteira de investimentos? Se você não trata sua vida financeira com essa sistemática rígida, é hora de iniciar esse processo de mudança. Vamos falar de alguns passos essenciais nesse trajeto.

Como organizar os gastos e as despesas?

As metas financeiras devem fazer parte da rotina de cada cidadão, independentemente de haver ou não dívidas pendentes em sua casa. Dessa forma, vale a pena seguir os seguintes passos:

Materialize sua planilha de orçamento doméstico

Por melhor que seja a sua memória, não há como controlar totalmente suas receitas/despesas de cabeça. Parafraseando o estatístico William Deming:

“Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende e não há sucesso no que não se gerencia.”

Dessa forma, recorra a uma planilha ou, melhor ainda, a uma ferramenta de controle de despesas pessoais. Insira rigorosamente todos os seus ganhos e gastos, não ignorando nem sequer o cafezinho. Sua planilha deve ser seu mapa de ação.

Separe suas despesas entre as categorias “imprescindíveis”, “úteis” e “supérfluas”

Essa simples classificação já fará com que você elimine pequenos gastos que ocorrem por pura desorganização. Além disso, caso você esteja endividado, pode cortar temporariamente as despesas supérfluas e renegociar as úteis, a fim de angariar recursos para amortizar eventuais dívidas. Caso não esteja com débitos parcelados, pode usar esse montante para formar uma reserva de investimento.

Com relação às renegociações, vale a pena destacar que algumas empresas, como as academias e operadoras de TV e celular, costumam ser flexíveis diante da possibilidade de perder seus clientes. Uma ligação ao setor financeiro pode resultar em mais de 50% de desconto. Isso significa mais recursos disponíveis para investir.

Abdique definitivamente das compras a prazo

Se você compra a prazo, perde duas vezes: na primeira, pelos juros que pode pagar nas prestações; na segunda, por ter desperdiçado a oportunidade de pagar mais barato com os descontos típicos dos pagamentos à vista. Ter sucesso em suas metas financeiras vai além da mudança de ações: trata-se de uma mudança de mentalidade — neste caso, a de que o consumo é posterior à poupança.

Outro ponto importante é se perder no parcelamento das compras. Muitas vezes você acha que pagar somente um pouco por mês não será sentido no bolso, mas o que sempre ocorre é que muitas compras parceladas por mês somadas ficará muito mais pesado do que se você comprasse a vista. Cuidado para não cair nessa armadilha, o pouco de cada parcela que parecia invisível se torna muito no mês todo e você pode acabar não conseguindo pagá-las.

Centralize-se na tríade “alvo, tempo e esforço”

Uma vez que você esteja livre de dívidas, pode reorganizar suas despesas fixas para juntar mensalmente um valor que será destinado à formação de uma carteira de investimentos (esforços). O ideal é que ao menos 30% de seus rendimentos sejam direcionados ao seu crescimento financeiro (alvo). Por fim, não se esqueça de que todo projeto tem um prazo; é preciso que você estabeleça também o tempo de alcance.

Se você já chegou a esse ponto, cabe agora estudar o mercado financeiro para aproveitar as boas oportunidades de aplicação.

Estude profundamente o mercado

É consenso no mundo dos investimentos que a formação de uma carteira diversificada ajuda a diluir riscos e a ampliar o retorno médio das suas aplicações. Entretanto, é preciso conhecer todos os tipos de investimentos que se enquadram ao seu perfil. Para isso, você pode recorrer a uma corretora de valores e também a uma assessoria de investimentos de excelência.

Por fim, é importante ter consciência de que as suas metas devem ser realizáveis e monitoradas permanentemente. Elas devem ser uma tradução quantitativa de seus objetivos estratégicos (por exemplo, comprar uma casa, alcançar a independência financeira, ter R$ 500 mil em investimentos etc.) e devem ser seguidas com extremo rigor, evitando rearranjos que as prejudiquem.

Como definir metas de curto, médio e longo prazos?

Não importa quão audaciosa é a sua meta, tampouco se é de longo, médio ou curto prazo: é preciso ter objetividade na definição do que se quer alcançar. Autoconhecimento é fundamental nesse processo.

Outra questão importante é que suas metas devem ser quantificáveis, mas, sobretudo, realistas. Não adianta se iludir com referências inalcançáveis, que só vão contribuir para desanimá-lo. Além disso, como já reforçamos acima, não existe meta sem prazo limite: é preciso estabelecer um prazo, deadline que servirá de bússola durante o processo de esforço financeiro.

Por fim, não se esqueça de revisar suas metas periodicamente. Mudanças podem ocorrer em sua vida, e elas vão impor um ajuste nos objetivos, para cima ou para baixo. 

Pronto para organizar as metas financeiras para este ano? Então, continue aprofundando seus conhecimentos em finanças pessoais, descobrindo como começar a investir!

Aprenda definitivamente como definir e conquistar suas metas financeiras
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