O benchmark é basicamente um parâmetro ou índice de referência para comparação de algum determinado dado. Uma empresa pode utilizar um benchmark para comparar suas vendas e seus lucros com seus concorrentes ou com algum índice de mercado ou de seu setor de atuação, por exemplo. Quando se fala em investimentos, é necessário usar o benchmark financeiro.

Essa ferramenta oferece um índice de referência, para analisar mais precisamente o resultado de uma aplicação. Graças a ele, é possível ter uma ideia concreta de como anda a rentabilidade relativa do investimento e se a escolha é mais vantajosa que outras disponíveis no mercado.

Avaliar seus investimentos é indispensável para se ter o retorno e o sucesso esperado, e conhecer o benchmark financeiro de seu investimento, é uma ferramenta importante para alinhar as expectativas. Portanto, veja alguns pontos relevantes sobre esse tema e descubra como analisar a sua carteira. Acompanhe!

Entendendo os índices de referência (“benchmark financeiro”)

O benchmark financeiro precisa ser acompanhado analisarmos e verificarmos o sucesso ou não de nossos investimentos financeiros. É muito difícil escolher os melhores investimentos sem um bom entendimento da expectativa de desempenho e retorno do mesmo, e para isso, é necessário termos conhecimento do benchmark que irá referenciar a rentabilidade do investimento.

Basicamente, os benchmarks funcionam como um parâmetro de comparação. Eles apontam para o resultado médio e indicam qual é o nível de sucesso mínimo desejado.

Uma aplicação que atinge os níveis de comparação pode ser considerada satisfatória, dependendo dos seus interesses. Enquanto isso, aquela que fica abaixo dessa comparação tende a ser encarada como pouco rentável.

Ao compreender esse aspecto, é possível ter uma visão clara sobre como anda a sua carteira. Além de entender o funcionamento desses elementos, também é fundamental avaliar a sua importância. Entre os aspectos relevantes, estão:

Comparação de opções da carteira

O benchmark financeiro tem a grande característica de ser voltado para uma questão relativa. Ele não oferece uma análise geral e ampla, mas sim uma abordagem altamente ligada à comparação.

Ou seja, um investimento pode parecer excelente pela rentabilidade líquida final, mas não ser tão interessante de forma relativa. É o que acontece, por exemplo, quando você compara duas opções que têm um valor semelhante de rendimento. Porém, uma delas tem um valor melhor quando os indicadores financeiros são considerados.

Por meio desses índices, você não chegará a uma conclusão genérica sobre cada alternativa. Em vez disso, terá uma análise aprofundada e comparativa, de modo a compreender como um determinado investimento se comporta em relação a outras possibilidades e seus pares.

Com essa comparação, fica claro como é o comportamento da opção escolhida, o que gera maior segurança na rentabilidade.

Avaliação do custo de oportunidade

Acima de tudo, o benchmark financeiro para investimentos tem a ver com o chamado custo de oportunidade. Para entender melhor, basta saber que, quando você decide aplicar o seu dinheiro em um investimento, vários outros são deixados de lado.

Ou seja, o investimento não custa apenas o valor para fazer a aplicação inicial. O custo também tem a ver com o que você deixa de ganhar com outras possibilidades, que poderiam ser vantajosas.

O benchmark vem para tirar essa dúvida. Por meio da análise dele, é possível ver como uma oportunidade se comporta em relação à outra. Assim, ainda que sejam oportunidades bem semelhantes, pode-se verificar qual é a melhor.

A maior vantagem disso é que você não imobiliza seu capital em opções pouco interessantes, ao mesmo tempo em que respeita o seu perfil de investidor.

Aumento da segurança e da rentabilidade

O fato é que, pela análise de benchmark, seja antes ou durante o investimento, a segurança aumenta consideravelmente. Ao fazer uma avaliação histórica de retorno, por exemplo, você poderá ter uma ideia de como é o comportamento da aplicação.

Já durante o investimento, você saberá se a performance está dentro do esperado. Mais do que apenas se conformar com o resultado obtido ao final do processo, a análise de indicadores financeiros permite um maior controle sobre os seus investimentos.

Isso evita um dos mais comuns erros na hora de investir: a falta de acompanhamento contínuo, o que compromete a visibilidade e entendimento sobre o desempenho, contribuindo para aumentar a tranquilidade na hora de deixar o dinheiro render, o que faz com que os resultados sejam possivelmente melhores.

Preparação para o futuro

Os elementos de comparação também servem para entender melhor o que vem pela frente. Essas não são ferramentas mágicas, que determinam como o futuro acontecerá. Porém, o acompanhando da performance dos índices de referências irão ajudar a projetar melhor o cenário futuro.

Naturalmente, essa não é uma ciência exata e muitos fatores podem influenciar os resultados, tanto para cima quanto para baixo. Porém, com o apoio dessa ferramenta se torna possível ter uma ideia esclarecedora do que esperar e dos riscos envolvidos em cada investimento, de modo a melhorar a aplicação de recursos.

Os principais benchmarks do mercado

Os benchmarks variam com cada aplicação. Investimentos de renda fixa e de renda variável têm indicadores diversos, e praticamente toda opção, dentro desses grupos, conta com um índice diferente.

Para usar essa ferramenta da maneira correta, o ideal é conhecer quais são as principais possibilidades do mercado. Desse jeito, é possível garantir a análise dos elementos adequados, o que ajudará na tomada de decisão.

Entre os benchmarks mais relevantes do mercado, estão:

CDI

O Certificado de Depósito Interbancário, ou CDI, é um indicador relacionado às instituições bancárias. É utilizado para operações de curtíssimo prazo entre os bancos. Para manter o equilíbrio do caixa, um banco emite o CDI, que tem como contraparte outro banco que possui dinheiro disponível para emprestá-lo.

O fato é que ele é um dos grandes indicadores para estabelecer as taxas de juros praticadas no mercado e, consequentemente, dos títulos de Renda Fixa. É ele quem referência o rendimento dos fundos DI, por exemplo, que buscam auferir retornos próximos a taxa.

Além disso, ele pode ser usado como parâmetro para determinar o rendimento do CDB, da LCI e da LCA. Em geral, a oferta de rentabilidade é dada em relação a um percentual desse índice. Da mesma forma, a comparação pode ser feita desse modo.

De forma geral, sem levar em conta o risco, a instituição, entre outros fatores, um CDB que rende 100% do CDI, por exemplo, provavelmente será mais atraente do que um que rende apenas 85%. Por outro lado, talvez ele seja menos interessante do que uma LCI que rende 90%. Como essa segunda opção é isenta de Imposto de Renda, o tempo de aplicação determinará qual possibilidade é mais atrativa.

A variação do CDI é diária e está altamente correlacionada com a Selic, que é a taxa básica de juros da economia. Assim, o comportamento de juros da economia influencia diretamente este índice de referência.

Ibovespa

Enquanto isso, o Ibovespa, índice da Bolsa de Valores de São Paulo, está ligado à Renda Variável, precisamente, ao mercado de ações. Ele corresponde ao desempenho médio das cotações das ações mais negociadas e mais representativas do mercado acionário brasileiro.

A mais forte característica desse elemento é que, ao contrário do que se pensa, a sua flutuação não significa que todos os papéis se moveram da mesma forma. Ou seja, não é porque o Ibovespa subiu ou caiu que a ação terá o mesmo desempenho.

Contudo, esse é um bom item comparativo. Quando há uma performance de carteira equivalente ou acima do Ibovespa, é possível afirmar que o investimento teve um desempenho satisfatório.

Quanto à variação, esse índice acaba sendo bastante impactado com as flutuações do mercado. Uma modificação no cenário nacional, seja no âmbito político ou econômico, poderá influenciar o desempenho do Ibovespa. Da mesma maneira, mudanças no ambiente internacional ou a flutuação do câmbio, também podem contribuir para a variação do índice, positiva ou negativamente.

IPCA

O Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) é considerado o principal índice de inflação do Brasil. Calculado mensalmente pelo IBGE, o IPCA mede o custo de vida das famílias brasileiras com renda de 1 a 40 salários mínimos. Desta maneira, quanto mais alto ele estiver, os produtos tendem a ficar mais caros.

Essa é uma abordagem muito utilizada para entender sobre a renda fixa. Avaliar a poupança segundo o IPCA, por exemplo, permite descobrir se o investimento está rendendo acima da inflação. Caso contrário, significa que há uma perda de poder de compra, pois os ganhos estão corroídos pela alta dos preços.

Por exemplo, considere a meta de inflação de 4%, definida para 2020. Caso o IPCA se mantenha nessa faixa, os investimentos que tiverem rentabilidade abaixo desse benchmark serão insatisfatórios, já que haverá uma perda de poder de compra.

Analisando o desempenho do investimento

Nesse momento, você já sabe como funciona o benchmark de investimentos e quais são os indicadores mais empregados. Porém, é necessário saber interpretar corretamente essas informações para poder analisar de forma correta seus investimentos.

Desta maneira, é importante entender como avaliar o resultado do investimento e como tomar as decisões certas nesse sentido.

Entre os pontos relevantes para se atentar, estão:

Escolha os índices certos

Para se ter um bom benchmark, utilize os indicadores corretos, caso contrário, você não estará fazendo uma análise correta e poderá ser induzido ao erro. Portanto, é preciso pensar com cuidado, qual índice é melhor para acompanhar.

Em geral, o indicado é optar pelo índice que estabelece como é o rendimento de um determinado investimento. Ou seja, para Renda Fixa, o CDI é o indicado, para Renda Variável (ações), o indicado é o Ibovespa. No Tesouro Direto em longo prazo, podemos ter o próprio CDI, no caso do Tesouro SELIC ou o IPCA, no caso do Tesouro IPCA+.

Ter esse cuidado é fundamental para não fazer comparações que não fazem sentido ou que oferecem uma indicação incorreta. Se você usar o IPCA ou o Ibovespa para analisar um CDB ou um Fundo de Investimento de Renda Fixa, dificilmente chegará à conclusão certa.

Faça comparações equivalentes

Isso leva diretamente para a necessidade de realizar comparações que sejam equivalentes. Isto é, ao analisar o seu investimento, é imprescindível que a comparação seja feita por meio de índices equivalentes a seus investimentos e os riscos intrínsecos a eles.

Se você, por exemplo, utilizar o Ibovespa como um benchmark para um CDB, terá uma análise completamente distorcida da realidade. Isso porque o CDB é um título de renda fixa, e, portanto, é corrigido todo dia à taxa que foi previamente determinada.

Por outro lado, o Ibovespa é um índice de renda variável. Assim, o seu rendimenro varia todos os dias, podendo ocorrer quedas em determinados períodos, ou fortes altas que superam os demais benchmarks. Ao usá-lo para comparar com um CDB, pode ser que você chegue à conclusão de que o título de renda fixa está levando à perda de dinheiro, o que pode não ser verdade.

O contrário também é verdadeiro. Ao utilizar o CDI como benchmark para um fundo de ações, você terá um índice de comparação que não condiz com o tipo de investimento e risco contratado. Em cenários de alta do Ibovespa, um fundo de ações com o CDI como benchmark pode apresentar um retorno muito acima do que seu índice comparativo, distorcendo a análise do investimento.

Portanto, as comparações devem sempre ser feitas diante do mesmo aspecto, de modo a garantir um bom entendimento sobre o desempenho de cada um.

Encare a análise de benchmark de forma relativa

Outra questão importante é que o benchmark financeiro não determina o aspecto global de um investimento. Ou seja, ele não estabelece a capacidade máxima de rendimento de uma aplicação financeira. Esse indicador serve apenas como uma base média ou “um limite mínimo” desejado para a sua aplicação financeira.

Na hora de usar esses elementos, garanta que haja uma abordagem voltada para a comparação e para a observação relativa. Ao analisar o Ibovespa, por exemplo, não há nenhuma garantia de que aquele é o máximo ou o mínimo que as ações alcançarão.

Porém, ele serve para identificar a variação em relação ao período anterior e como anda a performance em relação a outras opções semelhantes. O índice de referência, portanto, funciona como uma espécie de fotografia da situação atual do investimento.

A partir desta análise, é viável saber se o desempenho do investimento anda da maneira desejada.

Realize o acompanhamento de forma contínua

Por causa de sua característica relativa, o benchmark tem uma atuação que muda muito e com grande rapidez. Ou seja, o resultado de um mês pode não ser igual ao do anterior ou do seguinte, ainda que seja na renda fixa.

Para ter melhor entendimento sobre as possibilidades e oportunidades, o ideal é fazer um acompanhamento contínuo. Assim, é possível entender como as mudanças têm se estabelecido e quais são os padrões existentes.

O acompanhamento constante, inclusive, é um dos fatores que contribuem para o aumento da segurança nas aplicações financeiras. Com isso, use o índice de referência como um parâmetro para garantir máxima visibilidade sobre a performance.

Registre as informações

Não basta fazer o acompanhamento das variações de benchmark se elas não forem registradas. Ter apenas na memória não é o suficiente, já que é muito comum que esses dados se percam em relação a tantos outros.

Para contornar essa dificuldade, o ideal é fazer um registro completo de todas as informações a respeito das variações trazidas por cada índice. De preferência, faça o registro digital, de modo a apresentar a mudança de valores ao longo do tempo.

Essa questão é necessária porque é a partir do registro que os cálculos poderão ser feitos. Ou seja, você conseguirá ter uma ideia completa acerca da quantificação de mudanças dos índices e reconhecer os pontos de maior alteração, dentro de uma linha do tempo.

Tome as decisões certas

A partir da análise de índices de referência, é fundamental agir sobre as aplicações para que elas atinjam os seus objetivos. Antes de seguir por qualquer caminho, pense em qual é o seu perfil de investidor. A partir desse diagnóstico, é possível ter uma ideia sobre o nível de tolerância ao risco e também sobre qual é o principal interesse do investimento.

Além, disso, foque na estratégia empregada. Antes de qualquer investimento, é sempre importante ter uma abordagem voltada para as ações que serão utilizadas e os objetivos desejados.

Depois de ponderar esses dois aspectos, use os resultados do benchmark financeiro escolhido para tomar decisões. Se o investimento está muito abaixo do IPCA ou do CDI, por exemplo, é um indício de que a troca talvez seja o melhor caminho.

Já se o Ibovespa tende a subir, recorrer a opções de ações ou fundos de investimentos com essa estratégia podem ser uma boa pedida.

Faça modificações e adaptações na carteira de acordo com os prazos, riscos e a liquidez que são esperados, sem se esquecer da possibilidade de ganhos e de mudanças em cada oportunidade.

Nesse momento, não deixe de usar os registros feitos, já que eles vêm a calhar para basear a tomada de decisão.

Não se precipite

O dinamismo trazido pela avaliação de índices financeiros muitas vezes é confundido como um motivador para se precipitar. É importante ter em mente que nem sempre a modificação de um índice leva à necessidade real de fazer mudanças. Geralmente, a variação é completamente natural e esperada, e pode apenas apontar para uma situação temporal curta.

O Ibovespa, por exemplo, muda diariamente. Ao longo do tempo de operação, ele pode ser alterado várias vezes durante o dia. Desta maneira, cada mudança ou oscilação não deve significar uma exigência de transformação na carteira. Por isso, muitas vezes num fundo de investimento de ações, por exemplo, o desejável é olhá-lo como um investimento de longo prazo.

Portanto, é preciso ter cuidado para não tornar o benchmark um fator determinante para fazer modificações constantes e que, nem sempre, são necessárias ou positivas. Em vez disso, lembre-se de quais são os seus objetivos e a sua estratégia e atenha-se a eles.

Aprenda para os próximos investimentos

Acima de tudo, o benchmark tem a ver com o ganho de conhecimento sobre os investimentos. O acompanhamento consistente é algo que permite ter uma melhor compreensão de como uma determinada aplicação se comportará ou está se comportando.

Imagine, por exemplo, um investimento de renda fixa atrelado ao CDI, o que é bastante comum. Ao usar e acompanhar esse benchmark, você notou ou notará algumas alterações ao longo do tempo. Elas foram ou serão, muito provavelmente, referentes a interferências do Banco Central na taxa Selic para tentar conter a inflação.

Comparando-se isso ao resultado de rentabilidade obtido, você terá uma visão melhor do que esperar em cada momento para esse índice. No futuro, investir de forma atrelada ao CDI será mais fácil se você utilizar esses conhecimentos.

Portanto, é fundamental usar essa estratégia como um elemento que contribui para o aumento do conhecimento, da experiência e das possibilidades de ganhos futuros.

Ao usar o conjunto correto de benchmark financeiro, a análise dos investimentos é extremamente favorecida. A partir desse processo, é possível compreender melhor o retorno de seus investimentos e garantir que eles estão na trajetória correta “em relação” aos seus objetivos.

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Benchmark financeiro: saiba avaliar as suas aplicações e investimentos
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