Ao iniciarmos a busca por novas oportunidades para investir, é comum que nos deparemos com os Fundos de Investimentos — também chamados de FIs —, justamente por serem considerados ótimas alternativas para vários perfis de investidores.

Contudo, nem sempre ficamos sabendo ou conseguimos entender  um importante fator tributário que é inerente à maioria dos FIs: o come-cotas.

Tal tributo é de extrema relevância para o desempenho de seus investimentos, e é muito importante que o investidor tenha conhecimento sobre ele.

Neste artigo, você entenderá melhor como funciona este evento, além de conhecer algumas maneiras legais de evitá-lo. Acompanhe!

Come-cotas: o que é?

Normalmente, dentro do universo de investimentos, o IR incide sobre o ganho de capital das pessoas físicas e jurídicas, após a conclusão de uma operação, ou seja, é cobrado uma parte da diferença entre o valor de compra e o valor de venda, se este resultado for positivo.

Contudo, com os Fundos de Investimentos, a situação é um pouco diferente. Todo semestre, o governo recolhe de forma antecipada o IR sobre os rendimentos dos últimos 6 meses dos FIs. Esse recolhimento acontece em todo último dia útil de maio e de novembro.

De forma automática — isto é, não é de responsabilidade do investidor deduzir o IR, mas sim da instituição que administra o fundo — o valor a ser pago no Imposto de Renda é proporcionalmente diminuído no número de cotas detidas pelo investidor.

É dessa operação que surgiu o nome  “come-cotas”, pois a cada recolhimento antecipado de IR, há uma redução na quantidade de cotas que cada cotista possui.

Qual é a alíquota do come-cotas?

Os Fundos de Investimento costumam ser divididos entre fundos de curto prazo e de longo prazo, como os de renda fixa, de multimercados e cambiais.

Para cada tipo de FI, o imposto sobre o rendimento incide de forma diferente, sendo, para os fundos de curto prazo:

  • 22,5% para aplicações de até 180 dias;
  • 20% para aplicações que duram mais de 180 dias.

E, para os fundos de longo prazo:

  • 22,5% para aplicações de até 180 dias;
  • 20% para aplicações de 180 a 360 dias;
  • 17,5% para aplicações de 360 a 720 dias;
  • 15% para aplicações que duram mais de 720 dias.

Essa mesma tabela vale para outros tipos de investimento, como o CDB.

Conforme você pôde perceber, a incidência do IR diminui conforme o tempo de permanência no investimento.

Ou seja, na teoria, quando você resgata a sua aplicação, seria com base nesses períodos e valores que se deveria calcular quanto de IR seria pago. No entanto, como o come-cotas antecipa o IR, no momento do resgate é cobrado apenas a diferença.

Você deve estar pensando: e quanto de Imposto de Renda o come-cotas antecipa?

Bom, é sempre a menor alíquota daquele tipo de fundo, portanto, será um recolhimento semestral de 20% para os fundos de curto prazo e de 15% para os fundos de longo prazo.

Dessa forma, no momento do resgate, o IR a ser pago será a diferença entre o valor deduzido da alíquota total e o montante que já foi recolhido pelo governo.

Como esse agente pode afetar o desempenho de um investimento?

O come-cotas incide sobre os rendimentos de cada semestre, sendo assim, a cada período de antecipação de IR, perde-se uma quantidade de cotas. Essas cotas que desaparecem poderiam continuar valorizando por anos até o momento do resgate.

Isso faz com que o montante acumulado ao final da aplicação seja menor do que seria caso suas cotas se mantivessem intactas.

Por exemplo, vamos supor que você tenha adquirido 3000 cotas de um Fundo de Investimento em Multimercados de longo prazo no começo desse ano.

Cada cota valia R$ 1,00 no momento da compra, ou seja, foram despendidos R$ 3 mil em cotas.

Até o final de maio, cada cota passou a valer R$ 1,20, sendo assim, você passou a possuir R$ 3.600,00 em cotas. Porém, no último dia de maio, você perdeu 75 cotas.

Essas 75 cotas são referentes aos 15% de IR antecipado sobre o seu rendimento de R$ 600, levando em conta que cada cota valia R$ 1,20 no momento em que o come-cotas agiu.

Não obstante, quando a performance do fundo é baixa e não há rendimento, o imposto que foi pago no come-cotas quando o rendimento estava positivo não é devolvido.

Somente em novembro de 2016, o come-cotas foi responsável pelo recolhimento de R$ 6,7 bi em impostos.

Quais são os fundos mais comuns sujeitos ou não ao come-cotas?

Estão sujeitos ao come-cotas:

  • Fundos de Renda Fixa;
  • Fundos Cambiais;
  • Fundos de Multimercados (Desde que não possua tributação de renda variável);
  • Fundos DI.

Já os não sujeitos, são:

  • Fundos de Ações;
  • Fundos de Previdência;

Como evitar o come-cotas?

A forma mais fácil de investir em FIs e evitar o come-cotas é buscando as opções que não são sujeitas a essa antecipação, como os Fundos de Ações. Caso não queira uma opção tão agressiva, uma ótima alternativa são os fundos Long Short, desde que os mesmos possuam a tributação de ações. Como estes fundos tem a possibilidade de ganhar tanto na alta, quanto na baixa da bolsa, e buscam obter retornos através da diferença entre essas posições, seu risco é consideravelmente reduzido.

Outra opção são os fundos de previdência, que do ponto de vista tributário, além da isenção de come-cotas, na tabela de tributação regressiva, após 10 anos a aliquota sobre o rendimento é de apenas 10%. Porém, estes fundos precisam de bastante estudo antes de se realizar a aplicação, uma vez que possuem estruturas mais caras e suas aplicações são mais limitas, em relação ao um fundo multimercado, o que muitas vezes acarreta em um baixo rendimento. Além disso é importante considerar que caso haja necessidade de resgatar os investimentos no curto prazo, mesmo não havendo incidência de come-cotas, a tributação será muito mais prejudicial ao investidor

Sendo assim, é muito importante que você faça todos os cálculos e estude bem o tipo de Fundo de Investimentos em que pretende investir, sempre levando em conta o come-cotas.

Caso queira fazer aplicações por longos períodos de tempo, veja se não é melhor buscar por outras opções de investimento que não os FIs sujeitos ao come-cotas — existem ótimas opções mesmo fora do seu banco.

No geral, os Fundos de Investimento podem ser uma ótima opção, mesmo com a existência desse fator tributário. Pois, além da gestão profissional que um fundo proporciona, ainda existe a possibilidade do resgate, diferentemente de outros investimentos que não possuem come-cotas, como o CDBs, LCIs e LCAs.

Conseguiu entender o que é o come-cotas? Quer acompanhar mais novidades sobre o mundo dos investimentos? Então, siga as nossas redes sociais: estamos no Facebook e no LinkedIn!

Come-cotas: entenda o que é e saiba como lidar com este evento
Avalie esse post