O patrimônio total aplicado pelos brasileiros em fundos de investimento tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. E, com isso, o aumento da confiança na gestão profissional, as possibilidades de diversificação de investimento e o baixo capital mínimo para começar a investir são algumas das virtudes que explicam o sucesso dessas aplicações.

Mas, se por um lado os brasileiros já perceberam as vantagens desse tipo de aplicação, por outro, o desconhecimento sobre seus encargos – como a taxa de administração e a taxa de performance – ainda é muito perceptível.

Se você, como muitos outros investidores, também tem dificuldades para entender para que servem e como funcionam as principais taxas dos fundos de investimento, tiraremos todas as suas dúvidas neste artigo! Então, acompanhe-nos atentamente a partir de agora e chega de ser enganado pelos números!

O que é taxa de administração?

Quando você confia seus recursos a um fundo de investimento (em vez de aplicar diretamente em ativos como ações, CDBs e títulos do Tesouro), está delegando a uma equipe especializada a tarefa de estudar o mercado e avaliar as melhores oportunidades. É evidente que esse trabalho, que costuma superar as expectativas do investidor (benchmarks estabelecidos que também serão explicados adiante), merece ser remunerado — e isso é feito por meio da taxa de administração. Essa taxa representa o valor pago por você e pelos demais cotistas do fundo pela prestação dos serviços do fundo, como o pagamento do gestor (que gere o fundo), do administrador (cuida e controla do dia-a-dia do fundo) e do custodiante (responsável por guardar os ativos do fundo).

Em termos didáticos, a taxa de administração remunera os prestadores de serviços do fundo de investimento pelo seu trabalho em elaborar estratégias e administrar o capital que você aplicou ali. Apesar de ser sempre expressa em percentual anual (% a.a.), essa taxa é provisionada diariamente e cobrada mensalmente.

Ficou complicado? Calma que a gente explica com um exemplo prático. Funciona da seguinte forma: se você aplicar em um fundo que tenha uma taxa de administração de 2% a.a., será reservado (provisionado) o equivalente deste percentual ao dia (0,007858%), multiplicado pelo patrimônio líquido do mesmo dia e, ao final do mês, será feito o pagamento da somatória de todos os valores provisionados ao longo do período. Lembrando que os valores de taxa de administração são calculados e cobrados por dia útil, separadamente, para que se possa somar o valor a ser pago para a administradora do fundo ao final de cada mês.

Essa taxa varia bastante de acordo com o tipo de fundo e o total do dinheiro aplicado, costuma variar entre 0,5% a 3% a.a., a depender do fundo e da instituição financeira/corretora escolhida pelo investidor. Quanto ao tipo de fundo escolhido, um fundo de ações tende a mobilizar mais recursos, como um maior número de profissionais e maior tempo de estudo, do que um fundo de renda fixa, por exemplo. Portanto, é compreensível que as taxas de administração de fundos de ações sejam superiores aos de renda fixa. No entanto, mesmo entre os fundos da mesma categoria é possível encontrar diferenças nas taxas de administração, que podem variar de acordo com a estratégia adotada. Se o fundo possui uma estratégia passiva de alocação, com investimentos que demandam menos atividade dos operadores, ele não demandará tantos recursos e poderá cobrar uma taxa mais baixa do que um outro fundo que investe em estratégias ativas, onde o custo de operação são muito mais altos.

Da mesma forma, fundos que possibilitam investimentos iniciais de valores menores tendem a cobrar taxas mais elevadas do que os que exigem altos recursos como patamar mínimo de aplicação. A razão é que o esforço de um gestor para gerar rentabilidade em um investimento de R$ 500 é o mesmo do que em uma aplicação de R$ 1 milhão. Entretanto, percentualmente, sua remuneração será muito menor no primeiro cenário. O ponto aqui, portanto, é o ganho de escala.

É importante saber que, independentemente do resultado que o fundo apresentar (bom ou ruim), esta taxa será cobrada e impactará no rendimento dos seus investidores. Portanto, é essencial ficar atento às taxas cobradas pelos fundos antes de investir: quanto maior a taxa, menor a rentabilidade para o cotista. Também é importante verificar se ela está de acordo com a estratégia e tipo de serviço que será realizado pelos prestadores de serviços, como o gestor e o administrador. Outro detalhe relevante, mas que muitos investidores desconhecem, é que no resultado divulgado pelos fundos já está descontada a taxa de administração e todos os custos. Ou seja, deste resultado, você só precisará descontar o imposto de renda para saber qual foi a sua rentabilidade efetiva.

O que é taxa de performance?

Você lembra que mencionamos sobre o benchmark no tópico acima? Pois bem, benchmark é um índice de referência feito para nortear o desempenho do fundo de investimento. Funciona como um valor preestabelecido, a partir do qual se avalia se a carteira teve o desempenho esperado. Essa taxa não é cobrada por todos os fundos e geralmente é encontrada naqueles com gestão mais ativa, que geram mais trabalho para o operador, como os multimercados e de ações.

Quando a rentabilidade do fundo de investimento supera esse benchmark, há, em alguns casos, a cobrança de uma taxa de performance, que será paga pelo investidor somente quando a rentabilidade do fundo for maior do que a referência estipulada (benchmark). Seria mais ou menos como um prêmio ao gestor pelo excelente trabalho realizado, uma taxa de sucesso.

Em outras palavras, ao contrário do que o investidor poderia supor, é interessante que o fundo tenha essa taxa de performance, tanto porque ajuda a motivar os gestores a fazerem um trabalho cada vez melhor, quanto porque sua cobrança significa que o fundo está “transbordando em lucratividade”.

A cobrança da taxa de performance deve ser, no mínimo semestral, mas uma periodicidade maior também é permitida. O estabelecimento desse período mínimo serve para evitar que variações nos valores das cotas no curto prazo resultem em cobranças desproporcionais, o que pode acabar premiando o gestor mais por sua sorte do que pelo seu conhecimento e rentabilidade, entregue aos investidores.

Outro aspecto importante relacionado ao procedimento de cobrança é o conceito de “linha d’água”. Ele estabelece que a cobrança de taxa de performance torna-se proibida caso a rentabilidade tenha ficado abaixo da referência (benchmark) no período anterior. Porém, se a rentabilidade no período seguinte superar a referência e ainda compensar a performance ruim do período anterior, então a taxa de performance poderá ser cobrada normalmente. Ou seja, se um fundo obteve rentabilidade inferior ao do índice de referência em um período, a taxa de performance no período seguinte só poderá ser cobrada após essa diferença ser compensada. Com isso, procura-se premiar apenas o gestor que apresenta uma performance consistente ao longo do período.

Para exemplificar o entendimento sobre a taxa de performance, imaginemos que um determinado fundo cobre 15% de taxa de performance sobre o que exceder 100% (o valor total) do CDI e o CDI tenha chegado a 22% ao ano e o nosso fundo tenha alcançado 25% no mesmo período. No final das contas, o nosso fundo de investimento imaginário ultrapassou em 3% o benchmark (CDI). Como, então, será feita a cobrança dessa taxa de desempenho?

Considerando que essa taxa será de 15% sobre o excedente (3% neste caso) do índice de desempenho, teremos a cobrança de 0,15 × 0,03 = 0,0045. Dessa forma, nessa situação, teríamos a cobrança de 0,45% sobre o patrimônio líquido do fundo, a título de taxa de performance.

Quais impactos essas taxas geram sobre um investimento?

Você não tem controle sobre as taxas de juros da economia, sobre o CDI, sobre o PIB do país, sobre a flutuação na cotação das ações, etc. Mas, certamente, pode controlar o custo de suas aplicações, como a taxa de administração em fundo de investimento e a taxa de performance que incide sobre o bom resultado.

É importante deixar claro que analisar apenas o retorno bruto do investimento é um equívoco irreparável, uma vez que não são levados em conta diversos encargos referentes à aplicação, como as taxas já citadas aqui e, é claro, o Imposto de Renda (IR) e o IOF.

Imagine uma pessoa que tenha aplicado R$ 100 mil em um fundo de ações à uma taxa de administração de 2,5% ao ano. Agora, imagine outro investidor que tenha os mesmos R$ 100 mil aplicados à uma taxa de 0,5% ao ano.

Supondo que esses fundos tenham terminado “no zero a zero”, ou seja, com exatamente a mesma rentabilidade em 1 ano, o primeiro acabou pagando R$ 2 mil a mais do que o segundo como taxa de administração. Sim, é preciso estudar com cautela todos os encargos de sua aplicação, sob pena de ver sua rentabilidade bruta ser drenada pelas taxas.

Conforme mencionado anteriormente, felizmente no resultado divulgado pelos fundos já está descontada a taxa de administração e todos os custos. Portanto, para descobrir a sua rentabilidade efetiva, você só precisará descontar o imposto de renda cobrado.

Há outros custos que incidem sobre os fundos?

As taxas mencionadas são as mais comuns. Entretanto, há outras taxas que podem ser cobradas a depender da instituição financeira ou do banco, como as taxas de entrada e de saída, que são descontadas na compra de cotas de um fundo ou no resgate o seu investimento. Apesar de não serem taxas muito comuns, é importante ficar atento para não ter nenhuma surpresa com uma cobrança inesperada.

As taxas de entrada são cobradas como um percentual do valor da aplicação no momento do aporte e são mais comuns em fundos de previdência. Enquanto isso, as taxas de saída são cobradas por alguns fundos para os investidores que desejem realizar o resgate do investimento antes do prazo estabelecido no seu regulamento. Esta taxa tem como principal motivo incentivar que o investidor mantenha o dinheiro na aplicação pelo prazo originalmente estipulado. Assim, o gestor poderá executar sua estratégia de investimento conforme o planejado, sem a necessidade de desfazer alguma operação para devolver ao cliente o dinheiro investido antes do prazo estipulado, o que pode acarretar potenciais perdas para todos os demais cotistas, apenas para prover liquidez aos resgates antecipados.

As taxas cobradas são importantes, mas não devem ser os únicos critérios para a escolha de um fundo de investimento. O volume total de recursos da aplicação, as estratégias utilizadas e a expertise do gestor em negociar sempre as melhores taxas são variáveis que fazem com que a taxa de administração, por exemplo, seja apenas mais um fator a ser considerado no cálculo de rentabilidade. Além disso, é importante ler o material de divulgação para entender essas e outras informações relevantes do fundo e verificar se ele está de acordo com o seu perfil de investidor.

Agora que você entendeu o que são, como funcionam e para que servem a taxa de administração em fundo de investimento e a taxa de performance, aprofunde-se no tema baixando nosso guia “Fundo Multimercado: o que é, principais categorias e o que levar em conta para investir“!

Como calcular a taxa de administração e performance de um fundo de investimento?
4.5 (90.53%) 19 votos