Como o cenário internacional influencia nos investimentos no Brasil?

A economia mundial atingiu ao longo das últimas décadas um grau bastante elevado de interdependência e ligação entre mercados. Assim, mesmo quem tem somente investimentos no Brasil precisa ficar atento ao cenário externo para saber alocar seus recursos de forma a evitar perdas, driblar riscos desnecessários e aproveitar oportunidades.

No texto de hoje, explicaremos um pouco sobre como se dá essa influência do cenário internacional nos investimentos realizados em nosso país. Leia e saiba mais!

Como o cenário político mundial afeta os investimentos?

Muitos aspectos de outros países podem afetar a economia brasileira. Consequentemente, eles têm repercussão nos seus investimentos. Isso ocorre, em grande parte, porque o sistema financeiro hoje é altamente interligado. É muito fácil, rápido e simples para um investidor tirar seus recursos de um país e colocá-los em outros mais seguros ou mais lucrativos. Assim, qualquer fato de grande repercussão tem consequências imediatas em todo o mundo.

Para explicar melhor como isso acontece, dividimos a explicação em fatores econômicos e geopolíticos. Leia e saiba mais!

Fatores econômicos

Um dos principais fatores é a taxa de juros básica da economia dos Estados Unidos. Definida pelo Federal Reserve (Fed), o banco central do país, ela está atualmente entre 1,25% e 1,5% ao ano. 

Caso essa taxa venha a subir, a tendência é que investidores internacionais coloquem mais dinheiro na dívida pública dos EUA, uma das mais seguras do mundo, e retirem seus recursos de economias emergentes, como o Brasil, buscando assim, menos risco.

Sendo assim, a fuga de dólares do nosso país pode provocar uma alta na cotação dessa moeda frente ao real. Uma das principais consequências disso é um aumento na pressão inflacionária: o dólar mais caro torna mais custosa a importação de matérias-primas e equipamentos, causando uma elevação dos preços praticados no Brasil.

A cotação do dólar também é afetada por outros fatores internos e externos, como:

  • risco-país;
  • preços de commodities (produtos básicos, como petróleo, soja e minério de ferro, por exemplo), que influenciam diretamente os preços de exportação e importação da balança comercial brasileira.
  • interferência do Banco Central.

Como consequência disso, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil pode se ver obrigado a reduzir o ritmo dos cortes ou até mesmo a aumentar a taxa Selic com o objetivo de controlar a inflação. Com isso, a tendência é de oportunidades de ganhos maiores na renda fixa.

Um aumento na Selic também reprime a atividade econômica, o que pode fazer com que as companhias apresentem desempenhos mais fracos por causa da queda na demanda, o que levaria as ações a se desvalorizarem.

Fatores geopolíticos

Não são apenas as decisões macroeconômicas dos governos das grandes potências que têm impacto sobre a economia brasileira e sobre as aplicações dos investidores no país.

Conflitos deflagrados, como a Guerra Civil na Síria, ou mesmo escaladas de tensão entre países, como a troca de provocações ocorrida entre a Coreia do Norte e os EUA, elevam o chamado nível de incerteza global. Como reação, investidores ficam menos dispostos a correr riscos, preferindo ativos mais seguros. Isso pode acarretar um movimento de fuga de capitais de países emergentes, como o Brasil, fazendo com que o dólar suba e tenhaas consequências que falamos no tópico anterior.

Além disso, a tendência é que as bolsas de valores de todo o mundo também caiam em situações assim, o que pode levar investidores a perderem dinheiro no curto prazo. Ao mesmo tempo, pode ser uma oportunidade interessante para comprar ações por preços mais baixos e apostar na sua valorização no longo prazo.

Quais acontecimentos já afetaram os investimentos no Brasil?

Para ilustrar melhor como esses fatores impactam a vida de quem tem investimentos no Brasil, retomamos dois exemplos dos últimos anos e suas consequências no país. Confira!

Eleição de Donald Trump nos EUA

Um evento recente que teve repercussões imediatas em todo o mundo foi a confirmação da vitória de Donald Trump nas eleições para presidente dos EUA, em novembro de 2016. Nos três dias posteriores ao fato, a cotação do dólar frente ao real teve uma alta de 7%, enquanto o Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo, caiu quase 8%.

Especialistas ouvidos pelo jornal Folha de S.Paulo recomendaram, naquela ocasião, que o investidor preferisse a renda fixa e seus altos juros (em novembro de 2016, a Selic estava em 14% ao ano), ao mesmo tempo que evitasse uma entrada na Bolsa de Valores pelo grau de incerteza.

Crise de 2008

A crise financeira mundial de 2008, que teve como marco a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, gerou grande impacto em todo o planeta e, como não poderia deixar de ser, também no Brasil.

Naquele ano, o Ibovespa teve uma queda de 41,22%, o pior resultado desde 1972. No dia em que o Congresso dos EUA rejeitou um pacote de socorro aos bancos, a queda chegou a 10% e acionou o mecanismo conhecido como circuit breaker, que interrompe as negociações por meia hora.

Outro efeito da crise foi a diminuição da liquidez no crédito. Por conta da crise financeira mundial, os bancos brasileiros reagiram com prudência às incertezas e retraíram fortemente o crédito para as empresas e para as famílias. Como parte de uma série de medidas para manter a economia aquecida, houve redução da taxa Selic de 13,75% ao ano, no final de 2008, para 8,75% ao ano entre meados de 2009 e o começo de 2010. Vale lembrar que essa taxa afeta diretamente os rendimentos da renda fixa. Além disso, a inflação teve alta no período, o que corroeu parte dos ganhos dos investidores.

 

Agora você sabe como os investimentos no Brasil são afetados por decisões econômicas tomadas por governos das principais potências do mundo, assim como por tensões geopolíticas causadas por outros países. É importante, entretanto, saber avaliar bem o cenário, não esquecendo os fatores internos na hora de realizar previsões. Diversificar seus investimentos entre diferentes classes de ativos também ajuda a minimizar riscos.

Gostou do nosso texto? Quer saber mais sobre o assunto? Para entender melhor como os números da macroeconomia afetam o seu bolso e seus recursos aplicados, não deixe de ler nosso artigo sobre a influência do PIB nos investimentos!

 

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