O Produto Interno Bruto (PIB) de um país corresponde a soma de tudo que foi produzido em território nacional, contabilizando bens e serviços, em determinado período. No cálculo do PIB, estão incluídos o consumo das famílias, os gastos do governo, o saldo da balança comercial (exportações menos importações) e também o investimento privado. O PIB, além de servir como medida para quantificar o desempenho da economia, também exerce relevante influência sobre seus investimentos.

A economia brasileira vem passando por um momento desfavorável desde 2014 quando o PIB cresceu apenas 0,5% e interrompeu uma sequência de crescimento expressivo. Em 2015 e 2016, o Brasil apresentou retração do PIB, registrando a segunda pior recessão de sua história. Em 2017, no entanto, o Brasil iniciou o processo de recuperação e, ao que tudo indica, voltará a entrar em uma fase crescente.

Com tantas oscilações, é fundamental entender o efeito das variações do PIB sobre suas aplicações, de modo a ficar melhor informado. Confira a seguir o que é preciso saber sobre o tema!

Compreendendo o comportamento do PIB

A variação do PIB diz muito sobre a saúde de um país. Uma queda do PIB usualmente sinaliza que a economia está fraca e passa por ajustes. Um crescimento moderado pode indicar que uma economia esta em uma trajetória de recuperação ou que uma economia não consegue crescer com força e está mais vulnerável a choques negativos. Já um crescimento expressivo do PIB indica que a economia está expandindo acima do seu potencial.

Apesar de a intensidade da variação do PIB refletir muito o estado de uma economia, as oscilações do PIB não podem ser analisadas isoladamente ao pensarmos nas aplicações financeiras. Afinal, as variações do PIB têm consequências na inflação e na taxa de juros, variáveis determinantes para os investimentos.

Em situações em que a economia está crescendo, é importante notar o comportamento do consumo e do invetimento privado, cujas participações somadas chegam a quase 80% de todo índice. Caso estas condições estejam favoráveis e o PIB suba fortemente, existe a perspectiva de que possa ocorrer um aumento generalizado dos preços (inflação). Nesta situação, a inflação pode acabar subindo acima da meta estabelecida pelo Banco Central, que deverá optar por aumentar da taxa de juros para conter as pressões inflacionárias.

Por outro lado, se o PIB de uma economia apresenta contração,  as condições para o consumo e para os investimentos se tornam desfavoráveis. Neste cenário, as dificuldades para economia crescer impedem aumento dos preços e indicam que existe espaço para a taxa de juros recuar. Desta forma, o Banco Central diminuí a taxa de juros Selic para que o custo de crédito se torne mais barato, com o objetivo de estimular o consumo e o investimento para que a economia volte a subir.

Porém, a relação entre crescimento, inflação e taxa de juros não é sempre direta. Ás vezes uma economia pode apresentar um crescimento expressivo, mas a inflação seguir controlada sem levar a um aumento da taxa de juros. Por outro lado, uma economia pode ter queda do PIB mas continuar com alta inflação, o que impediria redução da taxa de juros.

Portanto, além de observar a variação do PIB, é importante acompanhar a evolução de outras variáveis econômicas.

Favorecimento da renda variável

Se a economia do Brasil estiver crescendo e a inflação não apresentar aumento exacerbado que possa acarretar no rápido aumento da taxa de juros, então, significa que os setores estão, de forma geral, se desenvolvendo. Isso cria um cenário favorável para que as empresas invistam e conquistem maior fatia de mercado.

Abre-se, portanto, uma porta para a aplicação em renda variável. O aporte no mercado de ações e em fundos de investimento é especialmente benéfico, desde que as empresas escolhidas estejam consolidadas para o médio e longo prazo.

Maior confiança no país

Em geral, esse quadro de crescimento positivo com inflação controlada, contribui para ampliar a confiança na economia brasileira. Tanto investidores nacionais quanto estrangeiros passam a oferecer mais recursos a fim de manter a roda do desenvolvimento girando. Dessa forma, os ativos brasileiros de forma geral se tornam mais atrativos e tendem a se valorizar.

O outro lado da moeda

Quando se fala da influência do PIB nos investimentos, não dá para ignorar a relevância do cenário de redução. Um valor nulo indica a estagnação econômica, que normalmente precede a queda.

Quando ela ocorre, o país falha em aumentar o número de riquezas em relação ao ano anterior, determinando a recessão e a retração econômica.

Neste cenário, existem alguns comportamentos econômicos que tendem a se materializar. Porém, como foi explicado anteriormente, não é possível determinar a direção destas mudanças apenas analisando a variação do PIB.

Diminuição da taxa de juros

Novamente, é relevante lembrar que o consumo é um ponto importante para que o PIB cresça. Se ele está em retração, então há um índicio de que as famílias não estão consumindo o suficiente para manter a economia estável.

Por causa disso, o Banco Central procura reverter esta situação diminuindo gradativamente a taxa de juros. Com taxas de juros mais baixas, uma menor parcela do orçamento familiar é comprometido com pagamento de dívidas, liberando um montante maior para o consumo. Neste contexo, os investimentos pós-fixados perdem a atratividade, enquanto os prefixados tornam-se mais interessantes.

Queda da inflação

A redução do consumo das famílias, alinhada com a diminuição dos gastos do governos e investimentos das empresas resultará na redução na demanda de bens e serviços do país. Assim, com menos indivíduos dispostos a comprar produtos/serviços, a taxa de inflação tende a desacelerar. Em casos mais extremos, a  inflação pode entrar em território negativo, resultando em deflação (diminuição generalizada dos preços na economia).

Atualmente, o Brasil está vivenciando um período de desaceleração da inflação. Em 2015, a inflação que foi de 10,67%, terminou 2016 em 6,29%. Para o final deste ano, é esperado uma taxa de aproximadamente 3%.

No mundo dos investimentos, os títulos atrelados a inflação são, naturalmente, os mais afetados. Um exemplo é a NTN-B, título público pós-fixado, cuja rentabilidade varia de acordo com a taxa de inflação entre o momento de aquisição e o vencimento.   

Diminuição do capital estrangeiro

Com um cenário econômico desfavorável, é comum que os investidores estrangeiros evitem os ativos brasileiros. Sem confiança no país, preferem direcionar seus recursos para outros mercados

Além de tudo, uma performance fraca da atividade econômica, refletida em números baixos do PIB, incentivam a saída de capital do páis. Como consequência direta, há um aumento na taxa de câmbio. Esse  cenário acaba sendo favorável para os investidores que compraram dólar.

A influência da instabilidade

Além de enteder os efeitos de variações positivas ou negativas no PIB, é importante também analisar os impactos de momentos de instabilidade na economia, normalmente caracterizado por oscilações muito grandes na taxa de crescimento.  Essas oscilações podem ser causada por diversos fatores, dentre eles: momentos de instabilidade política ou de transição entre recessão e expansão.

Desde 2014, o Brasil vem encarando variações negativas desse índice, com pequenos sinais de melhora que não são constantes. Isso, portanto, gera incertezas para o quadro econômico.

Com essas constantes mudanças, há duas consequências principais:

Falta de previsibilidade

Com a falta de estabilidade na economia, é comum que o cenário fique muito imprevisível. Como qualquer alteração pode causar grandes impactos, há uma grande dificuldade para estabelecer as projeções futuras tanto para os ativos de renda fixa quanto os de renda variável.

Esta situação aumenta a volatilidade de muitos investimentos. Assim, é necessário fazer uma boa avaliação do seu perfil de investidor e ficar especialmente atento.

Maior necessidade de liquidez

Como as pessoas se sentem mais inseguras em situações instáveis é comum que haja uma maior procura por ativos que sejam mais fáceis de negociar (liquidez). Por outro lado, a atração por ativos menos líquidos como imóveis e fundos fechados tendem a diminuir .

A influência do PIB nos investimentos é destacável em qualquer cenário — seja de crescimento, retração ou instabilidade. Portanto, é fundamental acompanhar essas projeções para saber como alocar seus ativos.

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Entenda a influência do crescimento e contração do PIB nos seus investimentos
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