A evolução digital chegou a tal ponto que alcançou também as moedas. Mas a compreensão sobre o que são e como funcionam as moedas virtuais, digitais e as criptomoedas, como o Bitcoin, ainda está em fase inicial, sendo que muitas pessoas ainda desconhecem a existência delas.

Este post abordará o assunto, mostrando o conceito e outros detalhes sobre as moedas digitais e virtuais, blockchain e as criptomoedas. Leia e tire suas dúvidas!

Como surgiram as moedas digitais?

Durante boa parte do século XIX, as moedas mais importantes tinham valor convertido em uma determinada quantidade de metais preciosos, principalmente prata e ouro. Isso foi uma inovação para a época, considerando que, até então, as moedas eram cunhadas diretamente no ouro e na prata, o que garantia de forma inquestionável o valor delas.

A associação entre a moeda de uma nação e os estoques de metais preciosos que ela possuía recebeu o nome de Lastro Ouro, Padrão Ouro ou ainda Estalão Ouro, e representava a tentativa de adotar um regime cambial fixo.

Contudo, como a produção desses metais já não era capaz de acompanhar o ritmo da economia de um país, o Padrão Ouro não permaneceu e teve início a Moeda Fiduciária, em que o valor depende do desempenho dos bancos centrais de cada país e de sua política econômica.

Já as moedas digitais surgiram recentemente num contexto de evolução digital (as mais antigas datam do ínicio da década de 80) e acabaram por vingar em decorrência do surgimento da internet. Aqui cabe fazer a distinção entre os termos que são recorrentemente confundidos: 

  • Moedas digitais: são moedas criadas e armazenadas, podendo ser transferidas eletronicamente, mas que são controladas pelos bancos centrais e governos. Com a exponencial digitalização no mundo, a maioria do dinheiro está se tornando, de fato, digital. As moedas digitais podem, ou não, ser convertidas em moedas fiduciárias (papel e moedas físicos). Exemplo: dinheiro na sua conta do PayPal ou no bankline do seu banco.
  • Moedas virtuais: são um tipo de moeda digital, não emitidas por banco central, que podem ser usadas como alternativa ao dinheiro dentro de uma comunidade virtual específica. Essas moedas podem ser criadas por quaisquer empresas e sua intenção é se manter no “mundo virtual” para que seja negociada dentro de uma comunidade virtual. Exemplos: dinheiro de jogos virtuais e créditos para anúncios no facebook.
  • Criptomoedas: são moedas descentralizadas, não emitidas por bancos centrais (como as moedas virtuais), mas que podem ser negociadas por bens reais e não estão confinadas a uma comunidade ou plataforma específica (como as moedas digitais). Essas moedas usam uma tecnologia chamada Blockchain e criptografia para garantir a segurança das transações e a criação de unidades adicionais de moedas. O exemplo mais famoso é o Bitcoin. Nota: é possível uma criptomoeda não usar a Blockchain, mas o conceito revolucionário está justamente na utilização da Blockchain e não na criptografia. Existem hoje cerca de 1,3 mil criptomoedas em circulação, destacam-se atualmente a Ethereum, Litecoin, Lisk, Ripple e principalmente o Bitcoin.

Bitcoin: o que é e por que é a criptomoeda mais conhecida?

O Bitcoin é a criptomoeda mais famosa, pois foi a primeira a utilizar a tecnologia da Blockchain, sendo que ambos conceitos, Bitcoin e Blockchain, foram introduzidos no mesmo artigo “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System” publicado por Satoshi Nakamoto em 2008. Até hoje não se sabe a real identidade de Satoshi Nakamoto e é especulado que o pseudônimo possa representar um grupo de pessoas.

A Blockchain é um conceito importante para o Bitcoin, pois ela resolve o problema do gasto duplo de forma descentralizada, ou seja, é possível validar uma transação entre dois participantes e garantir ao recebedor que o pagador possui o “dinheiro” que está enviando ao recebedor e que ele não está, ao mesmo tempo, enviando o dinheiro para outro recebedor. A Blockchain não precisa de um terceiro participante que monitore e valide as transações, uma autoridade central. Basta que o consenso dos participantes (50% + 1) da rede “concordem” e autorizem tais transações. Assim, enquanto a maioria da rede não estiver interessada em fraudar as transações a rede será confiável.

Mas afinal o que é a Blockchain?

A Blockchain funciona como um livro razão que contém registros de todas as transações já ocorridas da criptomoeda na qual ela dá suporte. A Blockchain foi desenhada para que a cada nova transação a rede de computadores (muitas vezes referenciadas como “nós” das redes) da Blockchain valide essa transação e a insira na Blockchain. Assim, após validada, a transação compõe, junta com uma outra porção de transações, um “bloco” de registros dessas transações. Esse bloco de registros torna-se, então, impossível de alterar sem que seja necessário alterar registros dos outros blocos antecedentes.

Ou seja, seria necessário alterar todas as transações históricas para tentar fazer algum ataque (leia-se roubo ou duplo gasto) à Blockchain. E, é por isso, que a tecnologia é chamada de BlockChain ou “corrente de blocos”, todos os blocos são ligados de forma que é inviável adicionar um novo bloco sem “quebrar” a corrente e, portanto, invalidá-la. E ainda, cada bloco novo depende dos blocos anteriores para que possa entrar na Blockchain com validade.

Dado a publicidade das transações é possível saber, portanto, quanto cada carteira transacionou e tinha de bitcoins em determinada data. Porém, os dados são publicados de forma que a anonimidade das carteiras é garantida, ou seja, não se sabe de fato quem está por trás de cada carteira de bitcoin.

Outro fato importante da Blockchain é o mecanismo de recompensa dado aos “nós” (rede de computadores) que validam as transações, chamados de mineradores. A cada transação validada, os mineradores recebem como recompensa uma pequena quantidade de bitcoin por emprestarem seus recursos computacionais para fazerem essa validação. Alternativamente, os usuários da Blockchain podem voluntariamente pagar uma taxa aos mineradores para ganhar prioridade em suas transações, mas, evidentemente, os mineradores darão maior prioridade às transações que paguem maior taxa. 

Bitcoin é investimento?

Os especialistas financeiros consideram  a “aplicação financeira” em Bitcoin altamente arriscada, pois o valor da criptomoeda é puramente especulativo dado que não há lastro e nenhuma garantia por trás da criptomoeda.

Assim, o consenso hoje é que a tecnologia da Blockchain irá vingar de alguma forma (ainda não está clara qual) e que o Bitcoin ainda sofrerá muitas oscilações até chegar num patamar um pouco mais estável. O Bitcoin não deve, portanto, ser comparado a nenhuma forma de investimento tradicional.

Em relação à regulamentação, o Bitcoin enfrenta alguns problemas. Enquanto alguns órgãos de certos países se revelam a favor da criptomoeda (Japão, EUA, Reino Unido, Suíça), outros são contrários ao seu livre uso (Bolívia, Índia, Tailândia). No Brasil, nem a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), nem o Banco Central regulam as aplicações em criptomoedas. Inclusive a CVM proibiu fundos de investimento de negociar as tais moedas por entender que estas não podem ser classificadas como “ativos financeiros”. A CVM ressalta ainda que há muitos riscos associados à natureza das criptomoedas (segurança, custódia e legalidade). As criptomoedas, por trazerem consigo intrinsicamente a característica do anonimato, apesar de terem todas as suas transações públicas, são também utilizadas para cometer crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, compra e venda de drogas e extorsão. Recentemente, ataques cibernéticos como WannaCry fizeram uso do Bitcoin para extorquir os usuários dos computadores infectados.

Em suma, apesar das inovações tecnológicas e soluções que as criptomoedas introduziram, há ainda muita incerteza quanto a forma em que os seus benefícios serão trazidos à realidade prática das pessoas, que não a pura especulação do seu valor. E, enquanto tais incertezas circundarem as criptomoedas e o seu uso estiver atrelado às práticas criminosas, é difícil traçar um destino definitivo para as tais moedas. O fato é que elas têm ganhado cada vez mais atenção e que, à medida em que a tecnologia é compreendida e avança, mais real torna-se a possibilidade de usarmos e nos beneficiarmos da Blockchain. 

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Entenda como funcionam as moedas digitais, virtuais e as criptomoedas, como o Bitcoin
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