Apesar de sua significativa importância e do modo como impacta na vida de todos os brasileiros, boa parte da população ainda não entende como funciona a inflação.

Esse fenômeno econômico, observado em todos os países, exerce influência sobre uma área que se expande desde o preço dos insumos fundamentais para a sobrevivência das pessoas até o rendimento de investimentos e aplicações.

Portanto, não se trata de um exagero dizer que a compreensão do funcionamento da inflação é de extrema importância. Continue a leitura e entenda de uma vez por todas no que consiste esse termo e descubra como ele afeta sua rotina!

Funcionamento da inflação

É de conhecimento geral que todo produto tem um preço e que este preço tende a variar de acordo com a oferta e a demanda. Quando esses preços sofrem uma alta generalizada e persistente, reduzindo o poder de compra da população, esse processo é conhecido como inflação.

A inflação pode ser ocasionada por diversos fatores na economia. Entre as principais razões, podemos citar:

  • Inflação de demanda: a oferta total da economia não supre a demanda existente e o preço de bens e serviços ofertados aumenta para equilibrar a economia.
  • Inflação de custos: Aumento de insumos relevantes, como mão de obra, energia, combustíveis e bens importados, encarece a oferta de produtos ou serviços e aumenta a inflação.
  • Gastos públicos: aumento de impostos são repassados para bens ou para os consumidores ou maior expansão monetária leva a aumento de dinheiro em circulação e aumento dos preços.
  • Indexação: Preços estabelecidos por contratos aumentam dos conta da inflação passada e são repassados para inflação do próximo período.
  • Cartéis de empresas: poucas empresas vendem determinado produto ou serviços e combinam preços mais altos ou restringem produção o que eleva os preços.

No Brasil, a inflação é acompanhada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Todos os meses, a instituição coleta informações a respeito da variação nos preços de produtos e serviços e compara os dados mais recentes a outros angariados anteriormente.

Com base na diferença entre os resultados obtidos, é possível verificar a porcentagem de inflação e se ela está mais ou menos elevada em determinado período.

Para que esse monitoramento seja feito de forma eficiente, alguns índices foram estabelecidos para acompanhar a inflação. Listamos abaixo. Confira!

IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 

O IPCA procura representar o custo de vida de famílias com rendimento de até 40 salários mínimos mensais. Para alcançar esse objetivo, o IBGE verifica os preços dos diversos produtos e serviços essenciais para subsistência. Esse estudo é feito em 11 regiões  metropolitanas brasileiras e 2 municípios.

INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor 

Assim como o IPCA, o INPC visa verificar o custo de vida médio das famílias brasileiras. A grande diferença é que ele só se aplica a famílias com rendimento de até cinco salários mínimos mensais.

IGP-DI – Índice Geral de Preços e Disponibilidade Interna 

O  IGP-DI  é calculado através da média aritmética ponderada de três outros índices de preços. São eles: 

– Índice de Preços ao Produtor Amplo – Disponibilidade Interna (IPA-DI) 
– Índice de Preços ao Consumidor – Disponibilidade Interna (IPC-DI) 
– Índice Nacional de Custo da Construção – Disponibilidade Interna (INCC-DI)

O IPA-DI, que mede a variação de preços dos produtos no atacado e baseia-se em uma amostragem de cerca de quinhentas mercadorias, representa 60% do IGP-DI.

– O IPC-DI, que mede a variação de preços dos produtos e serviços adquiridos por famílias com renda mensal de um a trinta e três salários mínimos, representa 30% do IGP-DI.

– O INCC-DI, que mede a variação de preços dos produtos e serviços utilizados na construção civil (baseado em planilhas de custo de empresas de engenharia), representa 10%  do IGP-DI.

O IGP-DI é uma referência para reajuste de algumas tarifas públicas e valores de contratos de aluguel.

Métodos para reduzir a inflação

No Brasil, a tarefa de acompanhar e defender o poder de compra da população cabe ao Banco Central, uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda. Essa instituição têm a prerrogativa de tomar as medidas necessárias para conter e reduzir a inflação e seus impactos sobre a vida dos brasileiros.

Uma ferramenta bastante utilizada para alcançar esse objetivo no curto ou médio prazos é a elevação da taxa básica de juros (Selic). Isso ocorre porque, quando o Banco Central aumenta os juros, o crédito se torna mais caro, reduzindo a quantidade de recursos no mercado.

Uma vez que o capital se torna escasso, o consumo da população diminui, -conduzindo os preços dos produtos para baixo com a finalidade de atrair mais clientes.

O grande problema é que, ao longo do tempo, o aumento da taxa Selic tende a criar distorções, pois aumenta o custo do crédito, dificultando a operação de empresas que dependem de empréstimos e investimentos.

Portanto, o caminho para reduzir de forma significativa e permanente a inflação passa por medidas capazes de elevar a produção do país. Assim, garante-se uma oferta maior de produtos, tornando-os mais baratos e acessíveis.

Impactos da inflação sobre os investimentos

Considerando o modo como a inflação impacta a economia do Brasil e a vida da população, é fácil presumir que ela influencia também o rendimento dos investimentos e das aplicações.

Conforme dito anteriormente, em momentos nos quais a inflação está alta, o Banco Central costuma elevar a taxa básica de juros (Selic) para reduzir a circulação de crédito no mercado e frear o consumo.

Quando isso acontece, investimentos em renda fixa, que acompanham indicadores como CDI e a própria Selic, tendem a se destacar, pois suas rentabilidades ficam mais atrativas.

A combinação de retornos mais elevados à segurança que esse tipo de aplicação oferece, atrai o capital antes aplicado em renda variável, o que, de certo modo, afeta as cotações.

Outro ponto que afeta a renda variável, como o mercado de ações, é a desaceleração da economia, prejudicando empresas e reduzindo seus valores de mercado.

Quando a inflação cai, o Banco Central acompanha o movimento e diminui a taxa Selic para que a economia aqueça novamente. Nesse caso, com a rentabilidade oferecida pela renda fixa em queda, diversos investidores voltam as atenções à renda variável outra vez, pois o retorno passa a ser mais atrativo frente aos riscos. O próprio crescimento da economia, responsável por aumentar a rentabilidade de empresas, eleva novamente seus valores de mercado, de maneira que as ações voltam aos padrões de crescimento e valorização.

A inflação também pode afetar investimentos, diminuindo o retorno real. Isso acontece porque reduz o poder de compra do dinheiro e, assim, para que a aplicação realmente seja lucrativa, entregar é necessária uma taxa de juros superior a ela.

Por exemplo: caso a inflação acumulada no ano seja de 3%, e determinado investimento entregue um rendimento de 4% no mesmo período, o retorno real é de apenas 1%.

Se o rendimento do investimento fosse inferior a 3% ao ano, o investidor teria saído no prejuízo, pois a redução do poder de compra faria com que seu dinheiro estivesse valendo menos no momento do resgate.

Levando isso em consideração, fica evidente que o investidor precisa considerar a inflação antes de dedicar seus recursos a alguma aplicação.

A inflação é um fenômeno econômico que ocorre em todos os países, variando de acordo com o porte da economia e da capacidade de produção de cada país, dentre outros fatores. É importante que o investidor a acompanhe e entenda como ela funciona para ser capaz de planejar melhor seus passos e dedicar recursos à aplicação que melhor atende seus interesses.

Agora que entende como funciona a inflação, compartilhe esse artigo nas redes sociais e ajude seus amigos a se informar melhor a respeito!

Entenda de uma vez por todas como funciona a inflação!
5 (100%) 4 votos