As variações da taxa básica da economia brasileira, a Taxa Selic, deixam investidores em dúvida a respeito da rentabilidade das opções existentes no mercado financeiro. Muitas pessoas que buscam investimentos atrelados à Selic temem perder dinheiro em cenários como o que estamos com uma taxa de juros baixa de 6,5% ao ano. Porém, o rendimento de um investimento pode ser visto de forma mais clara quando são observados os juros reais.

Assim como houve queda da Taxa Selic, a inflação, mais precisamente o IPCA, também tem estado sob controle. Ambos devem ser considerados em conjunto quando analisamos a sua influência sobre o dinheiro e, consequentemente, seus investimentos. O juro norteia o rendimento, já a inflação é a desvalorização do dinheiro ao longo do tempo. Ou seja, o IPCA mede a variação do poder de compra em consequência da variação de preços.

Para identificarmos efetivamente se a taxa de juros está alta ou baixa é preciso saber quanto dela será corroído pelo aumento dos preços. Fazendo essa análise, chegamos à taxa de juros reais, que a grosso modo, é a taxa de juros nominal (SELIC) descontada a inflação do período (IPCA).

Como investir considerando os juros reais?

Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) determina quedas na Taxa Selic, o rendimento de algumas aplicações em renda fixa também diminui, quando estas são  indexadas à Selic.

Porém, como vimos, os investidores devem ter calma ao acompanhar notícias a respeito da queda da taxa de juros. Não é porque a Taxa Selic caiu que os investimentos de renda fixa, como CDB, LCI e LCA, deixam de ser boas opções. É preciso avaliar, entre outras variáveis, o rendimento real.

Sempre importante lembrar que antes de fazer qualquer aplicação é importante estar ciente das características gerais, prazos e condições gerais de cada investimento. Veja a seguir algumas opções que consideram a rentabilidade atrelada a um indexador que poderá ajudá-lo a superar os juros reais.

NTN-B e NTN-B Principal

As siglas NTN-B e NTN-B Principal significam Nota do Tesouro Nacional Série B e hoje são chamadas, respectivamente, de Tesouro IPCA com juros semestrais e Tesouro IPCA+. Esses títulos públicos funcionam como um “misto” de um título prefixado (juro real pré-acordado) e um pós-fixado (IPCA do período).

Por serem títulos indexados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), asseguram a rentabilidade real, que é o retorno acima da inflação. Dessa forma, se o investidor mantiver a aplicação até a data de vencimento do título, receberá a variação da inflação do período, acrescida de uma taxa de retorno conhecida e acordada no momento da compra do título.

NTN-B (ou Tesouro IPCA com juros semestrais)

A NTN-B (ou Tesouro IPCA com juros semestrais), diferentemente da NTN-B Principal, realiza o pagamento de juros semestrais, Isso significa que ao longo do período da aplicação, o investidor terá o recebimento de rendimentos, em vez de receber tudo no final. Os pagamentos semestrais, nesse caso, representam uma antecipação da rentabilidade contratada.

Assim, a cada 6 meses, o investidor que aplicar no título receberá metade da taxa nominal (parcela prefixada) de juros anual e, na data de vencimento, receberá o dinheiro que investiu corrigido pela inflação.

Digamos que o NTN-B tenha uma parcela prefixada 6% ao ano. Dessa maneira, a cada 6 meses o investidor receberá 3% de juros sobre o valor aplicado. É importante lembrar que o investimento só será corrigido pela inflação no dia de seu vencimento.

Este tipo de investimento é interessante para quem tem alguma despesa recorrente e necessite complementar a sua renda.

NTN-B Principal (ou Tesouro IPCA+)

Caso você não necessite de renda adicional durante o período de investimento, considere aplicar o seu dinheiro na NTN-B Principal, que também é um título com taxa de juros real, entretanto, não há pagamento de cupom. Ou seja, em vez de receber a parcela prefixada pactuada na compra do título de seis em seis meses, você receberá toda a rentabilidade do título no vencimento dele.

A vantagem deste título, em relação ao Tesouro IPCA com juros semestrais, é que, dado que não haverá antecipações, a rentabilidade incidirá sobre uma base maior, beneficiando a rentabilidade final da aplicação.

CDB

Uma das opções de renda fixa mais conhecida, o CDB é o Certificado de Depósito Bancário. Esse título é emitido pelos bancos para viabilizar suas operações comerciais, como empréstimos ou cheque especial. Ou seja, ao comprar um CDB, você emprestará dinheiro ao banco e, em troca, receberá rendimento de juros (pré ou pós-fixados) no prazo determinado no dia da aplicação.

A rentabilidade do CDB depende:

  • da instituição financeira: quanto mais sólido o banco, menor a taxa;
  • do prazo de vencimento: quanto maior o prazo, maior a taxa;
  • do período de carência: caso o CDB tenha liquidez diária, que pode ser resgatado a qualquer momento, ele pode ter um período de carência para que o investidor realize o resgate. CDBs com liquidez, geralmente têm rentabilidade menor do que aqueles que só poderão ser resgatados ao final do prazo de vencimento;
  • do montante mínimo: quanto maior o volume, maior a taxa.

Para o investimento em CDB, o cliente pode tanto ter uma conta no próprio banco quanto recorrer a uma corretora, que têm plataformas de distribuição de CDB de diversos bancos.

LCI

LCI são Letras de Crédito Imobiliário. De forma mais simples, podemos dizer que a LCI é um empréstimo de dinheiro feito pelo investidor a uma instituição, cujos recursos serão destinados ao financiamento do setor imobiliário.

Em resumo, os bancos captam dinheiro em LCI para fornecer empréstimos a pessoas físicas e jurídicas, que, em contrapartida, oferecem imóveis como garantia de pagamento. Se houver inadimplência, o banco poderá leiloar este imóvel e recuperar o valor emprestado.

Ao contrário do CDB, não há cobrança de Imposto de Renda sobre o rendimento da LCI. Isso acontece para incentivar o investimento no mercado imobiliário.

LCA

A sigla LCA se refere à Letra de Crédito do Agronegócio e, de forma semelhante à LCI, esse título de crédito é emitido por instituições financeiras, públicas ou privadas, para a obtenção de recursos. Porém, como o próprio nome já diz, destinados para financiar o setor agrícola.

Semelhante à LCI, não há cobrança de Imposto de Renda sobre o rendimento da LCA.

Importante destacar que, assim como no CDB, as Letras de Crédito (LCIs e LCAs) só podem ser resgatadas no vencimento. Isso faz com que esse tipo de investimento seja chamado de investimento de baixa liquidez, porque você não consegue transformá-lo em dinheiro a qualquer momento. Somente no seu vencimento.

Debêntures

Debêntures são títulos de dívidas emitidos por empresas, de capital aberto ou não, que buscam captar recursos para investimentos e atuações necessárias para o seu funcionamento. Assim, o investidor passa a ser um credor dessa companhia.

Nessa espécie de empréstimo para a empresa, o investidor é remunerado com uma taxa de juros fixada pela própria companhia no momento da emissão da debênture. Lembrando que a taxa de juros pode ser pré ou pós-fixada e atreladas ao CDI ou ao IPCA. Enquanto no CDB o capital é emprestado para um banco, nas debêntures esse dinheiro é cedido para uma instituição não-financeira, ou seja, as próprias empresas.

CRI

O Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) é um crédito nominativo que garante ao portador créditos imobiliários. Esses certificados são emitidos por securitizadoras, baseados em qualquer operação que tenha um imóvel como garantia de pagamento.

Para pessoas físicas, os rendimentos pagos (mensais, semestrais ou anuais) do CRI são isentos de Imposto de Renda. O principal risco é o de crédito — caso compradores dos imóveis atrelados ao certificado tenham dificuldades para pagar suas parcelas, a rentabilidade do CRI pode ser afetada. É válido ressaltar que os certificados de recebíveis não têm proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A rentabilidade do investimento pode ser pré ou pós-fixada, sendo que o mais comum é encontrar títulos atrelados ao IPCA, acrescidos de uma taxa prefixada. O resgate deve ser feito na data do vencimento do título. Para antecipação do recebimento, o investidor pode vendê-lo no mercado secundário. No entanto, é importante saber que o mercado secundário para esses títulos é pequeno e tem baixa liquidez. Portanto, caso necessite recorrer a este mercado, esteja ciente que é possível que não haja comprador, ou que você tenha algum prejuízo na venda.

CRA

O Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) é um título de renda fixa, emitido por instituições securitizadoras, com o objetivo de financiar o setor agrícola. Considerado um investimento de longo prazo e baixa liquidez, é isento de Imposto de Renda e IOF para pessoas físicas. Porém, não tem a proteção do FGC.

Assim como no CRI, a remuneração do CRA pode ser pré ou pós-fixada, sendo que o mais comum é encontrar títulos atrelados ao IPCA, acrescidos de uma taxa prefixada. Os juros são pagos de forma mensal, semestral ou anual. Porém, o valor total só retorna ao final do período. Caso necessite vender o título antes do vencimento, será necessário recorrer ao mercado secundário, que possui as mesmas questões do CRI.

Ao investir nos certificados de recebíveis, é importante ficar atento aos riscos. Algumas emissões contam com notas de agências de classificação de risco. Se for o caso, consulte e analise o relatório de rating da emissão. Além disso, o investidor também pode medir o risco pela rentabilidade: quanto maior a rentabilidade, maior o risco. Se a remuneração é menor, o risco provavelmente também é menor. De todo modo, é importante que o investidor conheça o seu perfil ao escolher a melhor opção. E, como dissemos, analisar os juros reais é fundamental para entender o quão rentável é um investimento.

Outros investimentos no cenário de juros baixos

Além dos produtos de renda fixa que falamos anteriormente, em cenários de taxas de juros baixas, o ideal para obter uma melhor rentabilidade em sua carteira, principalmente em momentos de alta volatilidade de mercado, é diversificar seus investimentos, olhando para as demais classes de ativos, uma vez que podem ser uma boa oportunidade.

Podem ser considerados neste pacote:

Ações

As ações negociadas na Bolsa de Valores, é o investimento onde você se torna sócio da empresa, para que esta faça re-investimentos com o seu dinheiro para desenvolver projetos que viabilizem o seu crescimento. A partir do momento que a empresa começa a ter um bom resultado, ela distribui rendimentos aos acionistas, que são chamados de dividendos.

 As ações podem ser de dois tipos: ordinárias ou preferenciais, sendo que a principal diferença é que as ordinárias dão ao seu detentor direito de voto nas assembleias de acionistas e as preferenciais permitem o recebimento de dividendos em valor superior ao das ações ordinárias, bem como a prioridade no recebimento de reembolso do capital.

Para obter um bom desempenho negociando em ações, é necessário uma análise e acompanhamento constante das empresas e do mercado financeiro. Se você não tem esse expertise ou o tempo de dedicação necessário, uma boa opção são os fundos de ações, nos quais profissionais altamente qualificados farão a escolha e o acompanhamento para você. 

Fundos Imobiliários

Os Fundos de Investimento Imobiliário, conhecidos pela sigla FII, são formados através dos recursos de investidores com o objetivo de adquirir negócios de base imobiliária, seja no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários ou em imóveis prontos, como edifícios comerciais, shopping centers e hospitais. O objetivo deste tipo de fundo é conseguir retorno pela exploração de locação, arrendamento, venda do imóvel e demais atividades do setor imobiliário. Com este tipo de investimento é possível comprar, por exemplo, parte de um imóvel comercial e receber rendimentos proporcionais derivados dos pagamentos de aluguéis.

Os FIIs são obrigados a distribuir no mínimo 95% dos lucros gerados aos seus cotistas. Caso o fundo possua mais de 50 cotistas e esteja listado em bolsa, ele contará com isenção do Imposto de Renda na distribuição de rendimentos para pessoas físicas. A única exceção para a isenção é para pessoas físicas que tenham mais 10% do fundo.

Fundos Multimercados

Fundos multimercados diversificam seus investimentos por meio de aplicações em diversos tipos de ativos. Por isso o nome de multimercado, dado que eles podem investirem várias classes de ativos, como ações, moedas, commodities, juros e renda fixa (CDB, títulos públicos e privados) tanto no Brasil quanto no exterior. Tudo irá depender da característica do fundo multimercado escolhido. Por isso é importante ler o material de divulgação do fundo e ver se o produto se adequa ao seu perfil para evitar frustrações futuras., uma vez que existem desde fundos multimercado conservadores até muito arriscados.

Investimento no Exterior

Uma outra forma de se proteger é diversificar sua carteira descorrelacionando ao mercado nacional é investir em ativos no exterior. Uma boa opção são fundos de investimentos com estratégia no exterior, ou seja, você consegue investir em um fundo loca, em reais e que compram ativos de fora.

Lembramos sempre que antes de considerar qualquer investimento, é preciso levar em conta:

  1. Seus objetivos de curto, médio e longo prazo;
  2. Seu perfil de investidor (conservador, moderado e agressivo);
  3. Por quanto tempo você pretende investir

Por estes motivos, às vezes procurar um investimento pode parecer uma equação com infinitas variáveis, o que nos leva facilmente à confusão. Não deixe de procurar ajuda de assessores de investimentos, pois a dedicação e disciplina te levará a objetivos concretos.

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Entenda o que são juros reais e como investir
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