No Brasil, muitas pessoas ainda têm medo quando decidem investir e isso resulta na perda de boas oportunidades. Um exemplo disso é a frequência com que os brasileiros deixam seu dinheiro na poupança, que é uma alternativa com baixa rentabilidade. A poupança, assim como os CDBs, títulos públicos e títulos de crédito, são investimentos chamados de Renda Fixa. Como o próprio nome sugere, são títulos que pagam, em períodos definidos, uma certa remuneração, que pode ser determinada no momento da aplicação (prefixado) ou no momento do resgate (pós fixado). Ficou confuso? Calma que a gente explica a seguir algumas das principais opções de investimentos de renda fixa. Acompanhe!

CDB

Uma das opções de renda fixa mais conhecida, o CDB é o Certificado de Depósito Bancário. Este título é emitido pelos bancos para viabilizar suas operações comerciais, como empréstimos ou cheque especial. Ou seja, ao comprar um CDB, você estará emprestando dinheiro ao banco e, em troca, receberá rendimento de juros (pré ou pós-fixados) no prazo determinado no dia da aplicação.

A rentabilidade do CDB é dependente:

  • da instituição financeira: quanto maior o banco, menor a taxa;
  • do prazo de vencimento: quanto maior o prazo, maior a taxa;
  • do período de carência: caso o CDB tenha liquidez diária, que pode ser resgatado a qualquer momento,  ele pode ter um período de carência para que o investidor possa realizar o resgate. CDBs com liquidez, geralmente possuem rentabilidade menor do que aqueles que só poderão ser resgatados ao final do prazo de vencimento;
  • e do montante mínimo: quanto maior o volume, maior a taxa.

Para o investimento em CDB, o cliente pode tanto possuir uma conta no próprio banco quanto recorrer a uma corretora, que possuem plataformas de distribuição de CDB de diversos bancos. Ao fazer essa escolha, é indicado pesquisar os melhores títulos de acordo com seu perfil e realizar um aporte inicial com o valor desejado para a aplicação. No vencimento do título, o valor original é acrescido de todo o rendimento do período.

LCI

LCI são Letras de Crédito Imobiliário. De forma mais simples, podemos dizer que a LCI é um empréstimo de dinheiro feito pelo investidor a uma instituição, cujos recursos serão destinados ao financiamento do setor imobiliário.

Em resumo, os bancos  captam dinheiro em LCI para fornecer empréstimos a pessoas físicas e jurídicas, que, em contrapartida, oferecem imóveis como garantia de pagamento. Se houver inadimplência, o banco poderá leiloar esse imóvel e recuperar o valor emprestado.

Ao comprar uma LCI, e emprestar o dinheiro para um banco, seja diretamente à instituição bancária que você possui conta ou por meio de uma corretora, o investidor saberá quanto receberá de juros e em qual prazo. Justamente por isso, a LCI é uma opção de renda fixa. Além disso, como qualquer outra aplicação em Renda Fixa, quanto mais longo o prazo, maior a taxa.

Ao contrário do CDB, não há cobrança de Imposto de Renda sobre o rendimento da LCI. Isso acontece para incentivar o investimento no mercado imobiliário.

LCA

A sigla LCA se refere à Letra de Crédito do Agronegócio. E, de forma semelhante a LCI, esse título de crédito é emitido por instituições financeiras públicas ou privadas para a obtenção de recursos , só que, como o próprio nome já diz, ela será destinada para financiar o setor agrícola.

Da mesma forma que acontece com a LCI, o rendimento da LCA aumenta conforme o valor aplicado e o prazo de duração. Quanto maior o aporte mínimo exigido e mais longo o período de investimento, maior tende a ser a rentabilidade.

Importante destacar que, assim como no CDB, as Letras de Crédito (LCIs e LCAs), na maioria dos casos, só podem ser resgatadas no vencimento. Isso faz com que esse tipo de investimento seja chamado de investimento de baixa liquidez, porque você não consegue transformá-lo em dinheiro a qualquer momento. Somente no seu vencimento.

Semelhante a LCI, não há a cobrança de Imposto de Renda sobre o rendimento da LCA. Em contrapartida, o valor mínimo de investimento nas Letras de Crédito do Agronegócio, geralmente, é maior em comparação com outras aplicações mais comuns.

Debêntures

Debêntures são títulos de dívidas emitidos por empresas, de capital aberto ou não, que buscam captar recursos para investimentos e atuações necessárias para o seu funcionamento. Assim, o investidor passa a ser um credor dessa companhia.

Nessa espécie de empréstimo para a empresa, o investidor é remunerado com uma taxa de juros fixada pela própria companhia no momento da emissão da debênture. Lembrando que a taxa de juros pode ser pré ou pós-fixada. Enquanto no CDB o capital é emprestado para um banco, nas debêntures esse dinheiro é cedido para uma instituição não-financeira, ou seja, as empresas.

Antes de investir em debênture, a pessoa que fará o aporte deve estar ciente das condições de pagamento, prazos e condições gerais para o pagamento. Todos esses fatores são determinados pelas empresas que recebem o empréstimo.

Diferentemente dos investimentos mostrados acima, as debêntures podem contar com pagamentos de juros e amortizações, que podem ser mensais, trimestrais, semestrais, anuais ou de acordo com o calendário que a empresa tenha programado e divulgado no momento da venda das debêntures. Portanto, é possível que você obtenha rendimentos antes da data de vencimento. Fique atento às condições de cada debênture, pois elas podem possuir características muito diferentes umas das outras. E é importante você encontrar a que faça mais sentido para o seu perfil e necessidade de liquidez.

As debêntures podem ser “normais” ou incentivadas. As que chamaremos aqui de “normais” são as que possuem tributação semelhante a outros investimentos em Renda Fixa. As incentivadas são as que possuem isenção fiscal para pessoas físicas. Este tipo de debênture é também chamada de debênture de infraestrutura, pois para contar com esta isenção, elas precisam que seus recursos sejam destinados apenas a projetos de infraestrutura. Assim como nas LCIs e LCAs, que visavam fomentar os setores imobiliário e agrícola, respectivamente, as debêntures incentivadas são feitas para desenvolver o setor de infraestrutura.

Riscos das debêntures

O principal risco desse tipo de investimento em renda fixa é o de crédito. Quando as empresas se encontram em crise financeira e, consequentemente, sofrem quedas em seus resultados, há a possibilidade de elas não honrarem seus compromissos com as pessoas que realizaram investimentos em suas debêntures.

Dessa forma, é imprescindível que o investidor conheça o histórico da empresa e avalie seu mercado. Rentabilidades mais elevadas podem ser muito atraentes, mas estão associadas a mais riscos. Quanto maior for a necessidade da companhia em captar recursos ou quanto maior for a dificuldade dela, maior é a rentabilidade. Porém, esse pode ser um indicador de que a empresa passa por problemas e poderá ter dificuldades em pagar aos investidores em debêntures.

Remunerações para renda fixa

Há, basicamente, 3 tipos de remunerações para um título de renda fixa:

Pós-fixado

Nesse tipo de remuneração, o investidor não sabe a rentabilidade final exata no momento em que realiza a aplicação, uma vez que conhece somente o índice que será responsável pela formação dos rendimentos do título, que geralmente são a Selic, CDI ou IPCA.

Quando estiver analisando um investimento, fique atento a taxa e indexador. Por exemplo, se um CDB paga 105% (taxa)  do CDI (indexador), significa que ele é pós fixado, pois eu ainda não sei qual será o CDI até o vencimento. O investidor saberá o valor que receberá apenas na data de vencimento da aplicação. No entanto, é possível fazer uma projeção com base em estimativas de mercado para o CDI futuro.

Assim, para quem considera a possibilidade de investimento pós-fixado, é interessante se familiarizar com as projeções da Taxa Selic, por exemplo, pois ela é determinante para a queda ou a alta do CDI, dado que essas taxas geralmente andam “coladas”.

Prefixado

Ao recorrer ao título prefixado, o investidor sabe a rentabilidade final do investimento no momento da aplicação. Uma vez que a taxa de juros é definida no ato da contratação, é possível saber desde o início quanto vai receber no vencimento do título. Por exemplo, você investe em uma LCA que renderá 10% ao ano.

O cenário econômico é importante para a escolha entre os investimentos em pré ou pós-fixado. Caso a taxa de juros da economia (Taxa Selic) esteja em patamares elevados e as projeções indiquem que haverá uma redução nesse índice por parte do governo, os títulos pré-fixados são interessantes no curto prazo. Isso porque o investidor tende a receber mais juros no futuro do que em um investimento pós-fixado, já que o cenário na economia é de uma provável queda nos juros.

No caso dos títulos pós-fixados, caso haja expectativa de aumento de juros, provavelmente esse tipo de investimento será mais interessante para o curto prazo, porque, em vez de “engessar” seu investimento no momento da aplicação, o investidor o deixará livre para acompanhar o aumento da taxa de juros.

Rendimento atrelado à inflação

Outra possibilidade de remuneração dos investimentos em renda fixa está associada à inflação e ela pode ser considerada uma mistura entre os investimento pré e pós fixado. Nela, além de juros fixos anuais (taxa prefixada), há o incremento de uma parcela pós-fixada, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que se refere à inflação oficial do Brasil. Por exemplo, você pode comprar uma debênture que pague IPCA + 5% ao ano. Apenas como curiosidade, em 2016, o IPCA foi de 6,28%.

Este tipo de aplicação é ideal para quem quer defender seu dinheiro da inflação no longo prazo, principalmente para a aposentadoria, mas também quando há um cenário ou expectativa de inflação muito elevada.

Tributação sobre Renda Fixa

Todavia, é importante que o investidor não se esqueça que há incidência de Imposto de Renda sobre o rendimento dos investimentos em Renda Fixa, com exceção das LCIs, LCAs e Debêntures Incentivadas, que são isentos. Portanto, os CDBs, Debêntures e Títulos Públicos são tributados de acordo com a tabela regressiva do IR (abaixo), e serão beneficiados aqueles que mantêm o investimento por mais tempo:

 

Prazo de Aplicação
Alíquota IR

Até 180 dias

22,5%

De 181 a 360 dias

20,0%

De 361 a 720 dias

17,5%

Acima de 720 dias

15,0%

 

 

Riscos em opções de renda fixa
Em contrapartida à taxação de Imposto de Renda, o CDB não tem a cobrança de taxas de administração, performance ou custódia. Porém, para os investimentos em CDB e Títulos Públicos, é importante ficar atento para as aplicações com menos de 30 dias, pois estas possuem incidência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), além do IR.
 
Tanto o CDB, quanto a LCI e a LCA contam com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para valores de até R$ 250 mil por CPF e instituição financeira. Ou seja, se a instituição “quebrar”, o FGC assegurará o recebimento a cada investidor de até R$ 250 mil, considerando o valor investido mais o rendimento entre o período de aquisição até a “quebra” da instituição.

Entretanto, os investidores devem ficar atentos para o caso das debêntures, pois essa opção de investimentos em renda fixa não tem proteção do FGC.

Ao realizar investimentos de renda fixa, é necessário conhecer o histórico e a situação da instituição que receberá o aporte. Grandes rentabilidades tendem a indicar que essas instituições têm maior necessidade de receber dinheiro para contornar dificuldades financeiras.

Para identificar a melhor opção de renda fixa para seu perfil, entre em contato conosco. Teremos prazer em ajudá-lo!

Está incerto sobre onde investir? Conheça opções de renda fixa!
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