Cerca de 20 anos atrás, os brasileiros não tinham o costume de investir seus rendimentos. A preferência do brasileiro sempre foi a poupança, seja por falta de conhecimento ou por comodismo em relação aos melhores tipos de investimento para cada realidade, fundos eram uma rara opção.  Apenas as pessoas com alta renda ou grandes fortunas procuravam aplicar seus montantes, e a maior procura era por produtos em bancos. Porém, essa realidade começou a mudar nos últimos cinco anos.

Antes disso, apenas os bancos tinham acesso às carteiras de clientes com renda ou patrimônio significativo e interessados em investir. Nos últimos anos, devido ao advento digital, os fundos de investimento começaram a ser popularizados, ou seja, apresentados a esses potenciais investidores — que eram atingidos apenas pelas instituições bancárias anteriormente — por meio de uma comunicação mais ágil, simples e eficaz.

O desenvolvimento de novas tecnologias e plataformas digitais fez com que as gestoras de fundos de investimento também iniciassem um relacionamento pulverizado com os brasileiros, que tinham interesse em investir seus rendimentos, independentemente de serem ricos ou não, bastando ter uma quantia que pudesse ser melhor aproveitada.

Esses investidores também começaram a se interessar por essa nova oferta de produtos — fundos de investimentos com valor agregado —, principalmente os que estavam insatisfeitos com o monopólio dos bancos. Para entender melhor como funciona esse universo, continue lendo este post!

O que são fundos de investimento?

Os fundos de investimento são um tipo de aplicação financeira que reúne ativos e recursos de um conjunto de investidores, também chamados de cotistas. Um fundo de investimento pode ser facilmente comparado a um condomínio. Isto quer dizer que os investidores são como condôminos, que rateiam as despesas com a administração do patrimônio, para garantir sua contínua valorização. Além de ratear as despesas, o investidor poderá diversificar riscos e obter maior acesso à diversos tipos de ativos a preços mais baixos. O objetivo é obter lucro com a compra e venda de títulos, de bens imobiliários e de cotas de outros fundos no Brasil e até mesmo no exterior.

De acordo com o objetivo de cada investidor, o fundo (ou sua gestora) especificam o indicador de referência que será utilizado como seu benchmark. A partir daí, será decidida a rentabilidade buscada, e como atingi-la, a partir dos vários tipos de fundos e operações. 

Importante saber que um benchmark sempre tem que estar relacionado ao tipo de fundo, por exemplo, um fundo que investe em renda fixa não pode utilizar como referência um índice de ações. Exemplos de benchmarks muito utilizados por fundos no Brasil são o CDI e o Ibovespa.

Entre os principais custos dos fundos de investimento estão a taxa de administração e a de performance. A primeira é a mais comum e conhecida pelos investidores e quase sempre apontada por muitos como a grande vilã dos resultados dos fundos. Essa taxa representa o valor pago pelos cotistas pela prestação dos serviços do fundo, como o pagamento do gestor, do administrador e custodiante.

A taxa de administração se refere ao percentual cobrado sobre o valor do patrimônio. Apesar de ser sempre divulgada em valores anuais, esta taxa é provisionada diariamente e cobrada ao final de todo mês. Por exemplo, se a taxa de administração de um fundo é de 2% ao ano, todos os dias será provisionado o equivalente deste percentual ao dia (0,007858%) vezes o patrimônio líquido do dia e ao final do mês será feito o pagamento. Lembrando que a cobrança desta taxa é feita por dia útil.

É importante saber que, independentemente do resultado que o fundo apresentar (bom ou ruim), esta taxa será cobrada e impactará o seu resultado. Portanto, é essencial ficar atento as taxas cobradas nos fundos antes de investir (uma vez que a taxa diminui a rentabilidade para o cotista). Outro detalhe relevante, mas que muitos investidores desconhecem, é que o resultado divulgado pelos fundos já está descontada a taxa de administração e todos os custos. Ou seja, deste resultado, você só precisará descontar o imposto de renda para saber sua rentabilidade efetiva.

A taxa de performance é cobrada do cotista como um prêmio ao gestor do fundo, quando a sua rentabilidade supera o seu benchmarck. Essa taxa não é cobrada por todos os fundos e geralmente é encontrada naqueles com gestão mais ativa, como os multimercados e de ações.

Diferentemente da taxa de administração, a taxa de performance não deve ser interpretada como um fator de rejeição pelo investidor, uma vez que ela só será cobrada caso o gestor obtenha um desempenho acima do seu benchmark. Ou seja, esta taxa acaba por estimular o gestor a se esforçar ainda mais para que possa obter uma parte deste sucesso.

Para simplificar o entendimento sobre a taxa de performance, vamos supor que você invista em um fundo cobre taxa de performance de 20% e seu benchmark é o CDI.  No último ano, o CDI rendeu 10% e o seu fundo 15%. Portanto, neste caso a taxa de performance incidirá apenas sobre os 5% excedentes, sendo que 20% dos 5% (1% da rentabilidade excedente) ficará com o gestor e os outros 80% (4% da rentabilidade excedente) ficará com você.

O que são gestoras de fundo de investimento? 

O gestor de fundos é responsável pela gestão profissional dos ativos financeiros (ações, títulos públicos, imóveis…) que compõe a carteira do fundo, Essa função deve ser desempenhada por pessoa natural ou jurídica credenciada como administrador de carteira pela CVM. Você pode encontrar esse time de profissionais em uma asset management (gestora de recursos) independente ou mesmo em uma área específica no banco.  

Dentre as principais atividades dos gestores estão: escolher os ativos que serão adquiridos para o fundo e emitir as ordens de compra  e venda desses ativos em nome do fundo. Para exercer as suas funções, os gestor tem sempre que levar em consideração a política de investimento do fundo, que está determinada em seu regulamento.

Quais são os tipos de fundos de investimento?

Os fundos de investimento são classificados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de acordo com a composição de cada carteira. A divisão é definida pelo principal fator de risco associado a eles, podendo ser o índice de ações, de preço, a taxa de juros ou o custo do ativo.

A CVM classifica os fundos de investimento com: ações, multimercados, renda fixa, DI, cambiais, etc. Vamos falar aqui um pouco mais sobre alguns tipos.

Ações

O Fundo de Investimento em Ações (FIA) tem como principal fator de risco a variação dos preços de ações, admitidas à negociação em mercados organizados, que compõem sua carteira de ativos. Este tipo de fundo deve manter, no mínimo, 67% da carteira investida em ações negociadas na bolsa ou em mercado de balcão organizado.

O brasileiro é um pouco receoso quando se fala nesse tipo de investimento. Porém, se você tem interesse em aplicar seus rendimentos em ações, mas acha que não tem conhecimento suficiente, o ideal é buscar uma empresa especializada para ajudá-lo.

Uma gestora de fundo com esse tipo de investimento tem equipes especializadas monitorando o mercado mundial de ações, além das questões tributárias que as envolve. Recorrer a essa ajuda pode amenizar a apreensão e eliminar a rejeição do investidor que deixa de aplicar seus recursos em fundos de ações por não entender como esse mercado funciona.

Os investidores aplicam em fundos de ações com o objetivo de diversificarem a sua carteira de investimento e ficarem menos suscetíveis às variações de preços de ações específicas, dado que o fundo, de forma geral, é composto por ações de diversas companhias. Além disso, podem contar com um gestor profissional que acompanha o mercado e busca retornos superiores a determinadas referências de mercado. Desta forma, por exemplo, para um fundo que possui como referência o Ibovespa, o gestor buscará aplicar em ações que possuem uma perspectiva de rentabilidade superior ao índice e gerará o maior retorno possível ao investidor.

Ao optar por um fundo de ações, o investidor estabelece uma relação de confiança com a gestora, que conta com especialistas com expertise de muitos anos. Isso os torna aptos a explorar esse mercado e indicar as melhores opções, de acordo com suas necessidades específicas.

Vale destacar ainda que o fundo de gestão ativo é aquele em que o gestor monitora todos os relatórios das empresas que o compõe, ou que poderão ser selecionadas, para realizar uma análise minuciosa, gerando a projeção dos resultados. É uma maneira de administrar baseada na inteligência de mercado. Neste tipo de gestão, o gestor desempenha o papel de encontrar oportunidades de rentabilidade superior aos parâmetros de mercado.

Já o fundo de gestão passiva é aquele em que o objetivo é obter uma rentabilidade mais próxima do seu índice de referência, seja ele um índice ou mesmo um ativo ou setor específico. É preciso entender que, neste tipo de fundo, o trabalho de gestão é passivo, ou seja, consiste em aplicar, sem qualquer tipo de avaliação de oportunidade, todo o recurso depositado em seu índice de referência. Portanto, é necessário avaliar o valor cobrado de taxa de administração desse tipo de fundo, que deve ser baixa, uma vez que não há grandes esforços de análise, caso contrário, muito provavelmente, a rentabilidade não será boa.

Renda Fixa 

Para que um fundo receba a classificação de renda fixa, ele deve ter como principal fator de risco de sua carteira a variação da taxa de juros, de índice de preços ou ambos. Este tipo de fundo deve conter, no mínimo, 80% da carteira em ativos que dão o nome à classe, como títulos públicos, títulos privados, como o CDB, e em cotas de fundos de investimento que também sejam de renda fixa.

Este tipo de fundo está geralmente relacionado a um perfil de investidor mais conservador ou mais avessos a riscos. Portanto, é esperado que este produto apresente uma rentabilidade mais próxima de seu benchmark.

Multimercados 

Os fundos multimercados, como o próprio nome diz, são aqueles que envolvem diversas modalidades de investimento. Os recursos podem ser aplicados em várias classes de ativos, como ações, moedas, commodities, juros e renda fixa (CDB, títulos públicos e privados), tanto no Brasil quanto no exterior. Ele pode ter características — performance, risco e liquidez — muito diferentes umas das outras, de acordo com cada estratégia, e pode ser uma ótima opção para quem busca uma diversificação de investimentos simples e prática.

É importante ressaltar que, investir em multimercados não significa necessariamente correr altos riscos, pois existem também as opções conservadoras. No entanto, é preciso ficar atento à estratégia que a gestora do fundo adota. Ele poderá ser mais conservador do que alguns fundos de renda fixa ou muito mais agressivos que os fundos de ações. Para saber mais sobre qual estratégia está sendo adotada pelo gestor, consulte o prospecto do fundo. Este documento está disponível no site da CVM e poderá te auxiliar a entender como o seu dinheiro será investido.

Um exemplo de fundo multimercado é o Claritas Institucional. É um fundo que existe desde 2009 e tem se mantido acima do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) em mais da metade de sua existência. Tradicionalmente, os fundos multimercados eram vistos pelos investidores como de alto risco, mas eles também têm surgido como boas opções de médio e baixo risco.

 

Os bancos ainda detêm grande parte das aplicações feitas por brasileiros. Porém, se você deseja conhecer novos tipos de investimento e precisa se aprofundar ainda mais no assunto para fazer com que o seu dinheiro também trabalhe por você, entre em contato conosco. Nós podemos ajudá-lo!

 

Fundos: como funcionam e entenda alguns tipos de investimento
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