Quem já tem alguma intimidade com o mercado acionário brasileiro, invariavelmente se pega questionando coisas como: “qual índice reflete com maior precisão o desempenho das ações no Brasil?”

Sim, investir na Bolsa é estar de olhos atentos — simultaneamente — aos dados extraídos de análises técnicas e fundamentalistas, aos indicadores macroeconômicos e, é claro, aos índices amplos, como IBrX e Ibovespa.

O problema é que não são poucos os investidores (iniciantes e experientes) que não sabem ao certo os critérios de composição das carteiras desses índices, como funcionam, para que servem e se há diferenças significativas de desempenho entre eles.

Este artigo procura sanar essas dúvidas, a fim de que essa confusão conceitual não atrapalhe mais suas estratégias no mercado. Confira e não seja enganado pelo desconhecimento!

O que é Ibovespa?

Quando falamos que a bolsa caiu ou subiu, na verdade estamos nos referindo ao Ibovespa. Trata-se de um referencial, um índice que mede o desempenho das principais ações da Bolsa brasileira (pouco mais de 60 ações).

O Ibovespa é uma carteira teórica de ações. Seu objetivo principal é prover um indicativo mais concreto sobre a performance do mercado acionário brasileiro (por amostragem). Essa carteira é revisada quadrimestralmente, onde são adicionadas/retiradas ações, bem como alterado o peso de cada ativo no índice.

Como são escolhidas as ações que farão parte desse índice?

Serão selecionados para o Ibovespa os ativos que atendam, cumulativamente, os seguintes critérios:

  • assiduidade no pregão da Bovespa: o ativo deve ter sido negociado em 95% dos pregões ocorridos nos 12 meses anteriores;
  • volume de negociação: é preciso que a ação tenha volume financeiro robusto, com peso (em R$) igual ou maior do que 0,1% de tudo o que foi negociado na Bolsa nos últimos 12 meses (no mercado à vista);
  • cotação relevante: os ativos classificados como “Penny Stock” (valor inferior a R$ 1) serão desconsiderados;
  • representação no Índice de Negociabilidade (IN): as ações que se encaixem nos critérios acima serão listadas segundo um índice de negociabilidade, que leva em conta tanto o número de ações negociadas quanto o volume financeiro. Serão relacionados no Ibovespa apenas os papéis que representem, em conjunto, 85% do somatório total desses dois indicadores.

Ibovespa e os demais índices da Bolsa de Valores nacional

Já deu para perceber que a metodologia de construção do Ibovespa é complexa, o que pode explicar porque geralmente ele reflete muito bem o desempenho do mercado acionário brasileiro como um todo. Sim, o mais famoso índice da Bolsa é uma espécie de termômetro do mercado de ações, mas não é o único.

Existem atualmente cerca de 24 índices diferentes, que analisam os mercados bursáteis sob perspectivas diversas. Temos índices setoriais (IFNC, Financeiro e IMOB, Imobiliário), de segmento (IDIV, Dividendos e SMLL, Small Caps), de Governança, entre muitos outros. Alguns dos índices mais relevantes:

  • Índice Small Cap (SMLL): avalia a performance das empresas de menor valor de mercado listadas na Bovespa;
  • Índice de Dividendos (IDIV): analisa o desempenho dos papéis de empresas que se destacam quanto ao pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio. Entre essas, são selecionadas para o IDIV apenas as ações com maior volume de negociação diária;
  • Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (Ifix): mensura a rentabilidades dos fundos imobiliários mais negociados na Bolsa;
  • Índice Brasil 50 (IBrX 50): mede o desempenho das 50 ações mais negociadas no mercado acionário brasileiro;
  • Índice Brasil 100 (IBrX 100): mede o desempenho das 100 ações mais negociadas no mercado de ações nacional.

O leitor mais atento deve ter percebido que o IBrX parece ter o mesmo objetivo do Ibovespa. Mas o que é esse índice, afinal? Qual é a diferença metodológica entre eles?

O que é IBrX e como se dá o critério de formação de sua carteira?

O IBrX também é uma carteira teórica de ativos. Ela analisa o desempenho médio das 50 (IBrX 50) ou das 100 (IBrX 100) ações de maior negociabilidade no mercado de ações. A diferença de critérios entre esses dois referenciais é sutil. Vamos listar os requisitos exigidos para que um ativo figure no IBrX e você entenderá que não se tratam exatamente de sinônimos:

  • assiduidade no pregão da Bovespa: o ativo deve ter sido negociado em 95% dos pregões ocorridos nos 12 meses anteriores;
  • cotação relevante: os ativos classificados como “Penny Stock” (valor inferior a R$ 1) serão desconsiderados;
  • representação no Índice de Negociabilidade (IN): as ações que se encaixem nos critérios acima serão listadas segundo um índice de negociabilidade, que leva em conta tanto o número de ações negociadas quanto o volume financeiro. Serão relacionados no IBrX apenas os papéis que figurem nas 50 ou 100 primeiras posições (IBrX 50 ou IBrX 100, respectivamente).

Assim como o Ibovespa, o IBrX é revisado a cada 4 meses (rebalanceamento quadrimestral).

Pois bem, compare os critérios dos dois parâmetros e você visualizará duas diferenças fundamentais:

  1. quantidade de ações (pouco mais de  60 no Ibovespa e 50 ou 100 no IBrX);
  2. o critério do Ibovespa, de que a ação represente 0,1% do volume negociado no período de 12 meses, não é utilizado no IBrX.

IBrX e Ibovespa: quais são as diferenças?

Até 2013, data das mudanças na metodologia de cálculo do Ibovespa, não seria nenhum impropério dizer que o IBrX era mais correto conceitualmente do que seu irmão mais famoso. Isso porque, à época, o Ibovespa levava em conta apenas a liquidez das ações na formação de sua carteira.

Já o IBrX não desconsiderava a importância do volume de negócios. Entretanto, a carteira era também ponderada pelo valor de mercado (quantidade de ações multiplicada pela cotação).

Ocorre que, a partir de setembro de 2013, a BM&FBovespa anunciou atualizações graduais na forma de compor seu índice mais conhecido, passando a utilizar o valor de mercado das ações em circulação (free float) com um limite (cap) de duas vezes.

A exclusão das “Penny Stocks” foi outro fator que aproximou os dois índices, derrubando de uma vez por todas a antiga tese de que o IBrX era mais correto conceitualmente.

É importante dizer que, nos dias de hoje, os dois indicadores são extremamente importantes no mercado acionário brasileiro. Os investidores mais experientes acompanham ambos com atenção na busca incessante por insights para suas estratégias de investimento.

Embora exista a possibilidade de investir diretamente nesses índices, a função primordial deles é servir como uma espécie de bússola ao investidor, mostrando o desempenho do mercado de forma mais ampla; trata-se de uma consciência de negócios fundamental na tomada de decisões.

Bom, chegamos ao final por hoje! Acreditamos que os esclarecimentos acima tenham mostrado conceitos, utilidades e metodologias do Ibovespa e do IBrX, bem como a devida relevância deles no mercado acionário brasileiro.

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Ibovespa e IBrX: fique por dentro desses índices
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