Morar no exterior pode ser uma oportunidade e tanto para fazer uma especialização, aprender uma língua estrangeira, obter experiência profissional ou mesmo buscar melhor qualidade de vida para a família.

Apesar disso, o processo pode não ser tão fácil e rápido como muitos imaginam. O sucesso da empreitada depende de diversos fatores, como o cumprimento de todas as leis e formalidades, o aprendizado do novo idioma e a adaptação à cultura e ao clima local, especialmente quando há crianças e adolescentes envolvidos.

O maior de todos os desafios, no entanto, é mesmo o planejamento financeiro! A maioria dos brasileiros que volta para casa sem alcançar seus objetivos no exterior o fazem por motivos financeiros.

Neste artigo veremos um passo a passo de como preparar as finanças para morar no exterior. Para isso, vamos separar todo o processo em 3 etapas distintas: antes da viagem, ao chegar ao novo país e depois de já ter se estabelecido. Acompanhe!

Qual é o motivo da mudança?

É muito importante fixar um objetivo atrelado à mudança: trata-se de uma viagem para estudo, a trabalho ou para fixar residência permanentemente? Pode parecer estranho, mas a verdade é que muitos brasileiros acabam saindo do país sem um objetivo definido e isso não ajuda muito no planejamento financeiro.

Quanto vou gastar antes de viajar?

Além de fixar objetivos claros e concretos, o bom planejamento financeiro depende também do nosso compromisso e da disciplina com o controle dos gastos. Todas as despesas, por menores que sejam, devem ser contabilizadas para que não tenhamos surpresas desagradáveis mais à frente.

Se o país escolhido como destino não fizer parte da comunidade de países do Mercosul, então você precisará emitir um passaporte para cada membro da família. Você pode encontrar mais informações sobre como proceder com a emissão no site da Polícia Federal.

Na sequência, temos que saber se há necessidade de visto para o ingresso no país de destino, algo muito comum para brasileiros que não têm dupla nacionalidade e que pretendem ficar mais de 3 meses no estrangeiro.

A obtenção do visto pode ser um processo mais ou menos complicado, a depender das leis vigentes no país escolhido como destino. Assim, temos que nos preparar para a possibilidade de ter despesas com advogados e despachantes, especialmente se o consulado mais próximo ficar em uma cidade distante.

Além disso, teremos custos também com encargos financeiros e fiscais ao comprar moeda estrangeira ou enviar dinheiro para fora.

Quais serão os principais gastos assim que eu chegar ao destino?

A verdade é que cada país tem um custo de vida diferente, assim como cada família tem um padrão de vida específico. Portanto, ninguém melhor do que você mesmo para estimar esses custos.

Alguns custos básicos devem ser levados em consideração: moradia, vestuário, educação, alimentação, contas de água, luz, banda larga, entre outros.

Vale lembrar que produtos e serviços que são baratos ou até mesmo dispensáveis no Brasil podem ser caros lá fora. A conta de luz, por exemplo, tende a subir em muitos países durante o inverno, devido à necessidade de climatização dos ambientes da casa.

Alguns países solicitam a contratação de um seguro de saúde como exigência para a permanência do estrangeiro no seu território, já que os serviços são mantidos com as contribuições dos seus cidadãos que pagam impostos. Em outros, como os Estados Unidos, os serviços de saúde são caríssimos, fazendo com que a contratação de um plano de saúde seja algo a ser considerado.

Para ter uma ideia geral do custo de vida no exterior, o leitor pode acessar o site numbeo.com, que conta com um banco de dados sobre as principais cidades do mundo. Além disso, há também grupos nas redes sociais formados por brasileiros que moram fora. Não podemos, no entanto, levar os relatos fornecidos por outros brasileiros que moram na cidade como uma verdade absoluta. São boas referências, mas os dados podem estar desatualizados ou imprecisos, já que muitas pessoas, apesar de bem-intencionadas, não têm uma boa noção dos preços.

Cheguei: e agora?

Já estabelecido no país estrangeiro e com uma reserva para os gastos essenciais, é importante que tenhamos uma fonte de renda para continuar a cobrir nossas despesas ao longo do tempo.

As opções aqui vão depender bastante do tipo de visto a que o brasileiro tem acesso. Se você tiver um visto de trabalho, é possível trabalhar em tempo integral ou em regime de meio expediente. Se esse for o caso, vale pesquisar o valor do salário mínimo no país como uma referência.

Alguns países concedem visto de residência para investidores. É o caso do visto “EB-5”, concedido pelos Estados Unidos, que é um caminho muito seguido por brasileiros. O migrante deve cumprir algumas metas estabelecidas no programa, como gerar empregos e investir um valor mínimo.

Se o visto é de estudante ou de turista, o mais indicado é realizar investimentos no Brasil, e neste caso, vale você fazer um bom pé-de-meia antes da sua viagem para conseguir se manter o tempo suficiente para atingir seus objetivos. Até mesmo para quem vai com visto de trabalho ou de investidor, essa pode ser uma boa ideia para complementar a renda.

Como investir para morar no exterior?

O primeiro passo é estabelecer de onde virá o dinheiro que será investido. Podemos reservar um percentual por mês do salário e também vender bens como automóveis e quaisquer outros bens que não levaremos conosco.

Caso a ideia seja morar fora temporariamente, é possível locar seu imóvel, garantindo uma renda mensal. Agora, se a ideia é ir para não voltar mais, então o mais indicado é vender tudo e investir o dinheiro.

Comprar a moeda e guardar embaixo do colchão, além de ser uma opção arriscada por lidar com dinheiro vivo, lembre-se que há restrição de montante que você pode entrar no país, por isso existem tipos de investimento com exposição cambial ou sem exposição cambial que você deve considerar:

  • Exposição Cambial: há fundos cambiais, que acompanham apenas as movimentações do dólar, ou seja, ao invés de comprar papel moeda, você aplica no fundo e o seu poder de compra de dólares será o mesmo no momento do resgate do investimento, deduzidas as taxas do fundo. Ou seja, você não vai sofrer com as oscilações da moeda, a quantidade que você teria em dólar hoje será a mesma de quando precisar do dinheiro e, caso você se enquadre como investidor qualificado, existem os fundos internacionais com exposição cambial, que aplicam seu patrimônio em cotas de fundos no exterior, desta forma, você tem o desempenho do fundo lá fora, valorização/ou desvalorização, adicionado ao desempenho do dólar frente ao real. Assim além de permanecer com seu poder de compra por estar atrelado ao dólar você contará com uma rentabilidade adicional, em investimentos no exterior.
  • Investimentos sem exposição cambial: são recomendados fundos DI e renda fixa com liquidez para proteger e rentabilizar seu dinheiro. É uma forma mais simples, que pode ser eficaz para controlar o seu investimento no dia-a-dia.

Por fim, não poderíamos encerrar este artigo sem antes deixar uma dica muito importante acerca do processo de morar no exterior: você não precisa estar sozinho nessa jornada! É isso mesmo: contar com a ajuda de profissionais pode aumentar muito as chances de sucesso da sua viagem.

Contar com o auxílio de advogados, contadores, despachantes e tradutores pode agilizar a emissão de documentos importantes para a sua permanência no país estrangeiro. Muitas vezes fazer por conta própria pode sair mais caro depois, quando você perceber que deixou algo escapar por não ser um perito no assunto.

Caso você tenha dificuldade com o seu planejamento financeiro para poupar e investir os seus recursos, recomendamos procurar um profissional da área financeira para auxiliá-lo. Caso contrário o sonho de morar no exterior também pode ir por água abaixo.

Agora que você já sabe o básico sobre planejamento financeiro para morar no exterior, assine a nossa newsletter e receba outros conteúdos como este na sua caixa de e-mails!

Morar no exterior: como se preparar financeiramente para esse objetivo?
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