Existem muitos mitos sobre investimento que cercam o mercado financeiro e afugentam as pessoas que querem aplicar em opções mais rentáveis do que a tradicional poupança. Para evitá-los, é importante pesquisar bem sobre as principais opções financeiras disponíveis, tendo especial atenção aos ganhos possíveis, o tempo necessário para os resgates e os riscos envolvidos.

Entendendo isso, você será capaz de buscar as informações necessárias para uma análise que te dê conforto e permita encontrar o produto mais adequado para você. Para entender melhor sobre investimentos e desvendar seus mitos, organizamos um guia completo com orientações e dicas para você investir com mais segurança. Confira!

Por que e como não ter medo de investimentos?

No Brasil, a cultura de investimentos ainda é muito ligada à poupança, umas das opções menos rentáveis do mercado.

Em nações mais desenvolvidas, como os EUA, existe uma tradição de aplicações de maior rentabilidade, como em ações nas bolsas, o que inclusive é reforçado nas famílias. Segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Rosenfield, encomendado pela BM&FBOVESPA, somente 1% da população entrevistada fazia esse tipo de investimento até 2012, ano da divulgação do material. Nos EUA, a porcentagem na mesma época era de 53%, segundo pesquisa realizada pela Gallup.

A pesquisa foi feita com 2.000 pessoas espalhadas em mais de 100 cidades.. Ela indicou que, para 43,5% delas, o principal motivo de não aplicarem nessa modalidade econômica foi simplesmente a falta de informações. Além disso, 57,6% dos participantes avaliaram como baixos seus conhecimentos em relação à ações.

Os mitos que separamos a seguir se originam em boa parte por essa falta de informação sobre as aplicações existentes, o que também costuma alimentar o medo das pessoas de começarem a investir em diferentes produtos (ativos). Para não cair em nenhum desses boatos, é fundamental buscar informações especializadas sobre o funcionamento do segmento financeiro, com atenção especial para a área de investimentos.

Além disso, é indicado procurar a ajuda de consultores e profissionais que atuem na área, para que você possa tomar decisões sobre como, quando e onde aplicar de forma mais acertada.

Os possíveis ganhos com investimentos poderão ajudar você a realizar muitos sonhos e objetivos (como aquisição de bens, viagens, realização de cursos no exterior, entre outros). Por isso, vale a pena dar uma chance ao mundo dos investimentose tentar compreender um pouco mais sobre como ele funciona.

Agora, veja melhor os 10 mitos sobre investimento e entenda o que é real e o que não é. Confira:

Desvendamos 10 mitos sobre investimento — entenda por que eles são mentiras

1. Poupança é o investimento mais seguro do mercado

A poupança é considerada um dos investimentos mais seguros do mercado, contudo, ela também é um dos que rendem menos, podendo, inclusive, render menos do que o quanto a inflação desvaloriza o seu dinheiro. Foi o que aconteceu em 2015, quando ela teve valorização de 8,15%, enquanto a inflação foi de 10,67% conforme medição do IPCA. Nesse caso, o dinheiro aplicado na caderneta teve uma perda de poder de compra de 2,28%.

Existem outras aplicações que são consideradas mais seguras e podem render até mais do que a poupança, como é o caso dos títulos do Tesouro Direto. Nessa modalidade, quando você adquire os ativos, na verdade está fazendo uma espécie de empréstimo ao governo, que pagará juros sobre essa transação — o que corresponde aos rendimentos que ela lhe dará.

Mesmo sendo mais segura, ela pode ser uma opção financeira bem mais vantajosa, como ocorreu em 2016, quando três dos papéis que mais se valorizaram dentre os investimentos do mercado foram do Tesouro. A opção Tesouro IPCA+ 2035 principal (NTN-B Principal), indexada à inflação gerou ganhos de 47,81%, ao passo que o Tesouro Prefixado 2021 (LTN) e o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 (NTN-B) obtiveram valorizações de 38,69% e 34,2% no ano.

O que fornece maior segurança à poupança é a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), feito para garantir o pagamento de alguns tipos de aplicações no caso de inadimplência por parte do credor, que nessa situação é o banco. Afinal, quando você deixa seu dinheiro na poupança, é como se fizesse um empréstimo à instituição bancária, que usa esse dinheiro para fornecer crédito para outras pessoas.

Contudo, o mesmo FGC assegura outros tipos de investimentos (não apenas a poupança) até determinados limites de valores, como:

  • Letra de Crédito Imobiliário (LCI);
  • Letra de Crédito do Agronegócio (LCA);
  • Certificado de Depósito Bancário (CDB);
  • Recibo de Depósito Bancário (RDB);
  • Letras imobiliárias (LI);
  • Letras hipotecárias (LH).

2. Imóvel é sempre um bom investimento

Aplicar em imóveis é também um dos hábitos econômicos dos brasileiros, pois a existência de bens físicos costuma ser vista como uma garantia para ganhos no futuro.

No fim da primeira década dos anos 2000 e começo da segunda, o mercado brasileiro de imóveis se valorizou muito.Antes disso, o crescimento econômico também impactou o setor, com a construção civil tendo forte evolução, que trouxe até uma equiparação dos preços com mercados internacionais mais desenvolvidos, em que havia forte valorização de imóveis e aluguéis.

Todavia, a taxa básica de juros da economia, a Taxa Selic, subiu nos últimos anos, o que tornou mais rentável inúmeras aplicações que a usam como referencial para remunerar os investimentos. Dessa forma, a renda de aluguéis começou a não ser interessante se comparadas aos juros pagos pela aplicação do valor que foi utilizado para a compra do imóvel, se investida em produtos financeiros. Aplicar o capital que iria para a aquisição de uma propriedade, até mesmo na renda fixa, passou a gerar retornos melhores ao ano. Isso fez com que muitas pessoas, inclusive, vendessem alguns de seus imóveis, gerando uma queda nos preços. Dessa forma, esse mercado sofreu um recuo no patamar de preços.

Há também outros fatores que colaboram para que os investimentos em imóveis não sejam tão atrativos, como:

  • gastos necessários com reformas e consertos;
  • despesas geradas com a vacância, especialmente em condomínios, em que as taxas condominiais têm de ser pagas todo mês independentemente de haver moradores nos imóveis;
  • qualidade e idoneidade dos potenciais inquilinos;
  • eventuais transtornos gerados na desocupação dos imóveis;
  • inadimplência.

Há também a falta de liquidez, pois, caso um investidor precise de dinheiro rapidamente, ele terá dificuldades em vender a propriedade, a menos que resolva perder dinheiro cobrando um valor menor do que ela vale, para vende-lo rapidamente.

Além dos fatores acima os rendimentos obtidos com aluguéis ainda sofrem com a incidência altas alíquotas de Imposto de Renda.Os rendimentos obtidos com alugueis podem atingir até 27,5% de imposto renda, dependendo de sua média mensal, enquanto as demais aplicações, em sua maioria, começam com 22,5% e caem para 15% sobre o rendimentos, após 2 anos.

A título de comparação, com a mesma quantia que um investidor adquire um imóvel, ele consegue fazer aplicações em vários Fundos Imobiliários, passando a ter uma diversificação ampla nas possibilidades de retornos. Pode ser uma boa opção para quem gosta da segurança do imóvel!

3. É possível obter ganhos astronômicos em apenas alguns dias

Há inúmeras ofertas no mercado que dizem conceder possibilidades de ganhos astronômicos em pouco tempo, como em apenas dias ou semanas. Isso é muito difícil até mesmo em aplicações que podem gerar retornos elevados, como no caso das ações negociadas nas Bolsas de Valores ou, como citado acima, com os títulos do Tesouro Direto.

Por isso, é importante suspeitar de lucros milagrosos ou muito além do que é obtido normalmente no mercado.

Prazos curtíssimos para esses ganhos devem gerar desconfiança, pois o mais comum é que retornos bons ocorram em tempos maiores, a partir de meses ou anos.

Isso não quer dizer que não seja possível faturar alto em pouco tempo em alguns tipos de aplicações, mas tal fato é raridade e geralmente leva em consideração outros fatores. Entre eles, mudanças inesperadas no mercado, empresas tendo resultados excelentes que impulsionam suas ações — para quem aplica na bolsa —, conjunturas econômicas favoráveis a alguns tipos de aplicações (caso dos títulos do Tesouro) etc.

Por fim, o cuidado deve ser maior ainda quando disserem que os perigos são poucos ou inexistentes, pois invariavelmente as aplicações com chances de ganhos elevados são também as que possuem riscos mais altos.

4. O gerente do banco é a melhor pessoa para orientar sobre investimentos

Recorrer ao seu gerente do banco para investir pode não ser a melhor ideia, pois ele geralmente indicará opções que a sua instituição de produtos do próprio banco. Além disso, ele possui metas e objetivos ligados aos investimentos da entidade bancária em que atua, ganhando comissões e outros benefícios quando os atinge. Por isso, é possível que ele aconselhe você a investir em produtos  que o ajude a atingir seus próprios objetivos.

Para ter uma visão mais completa do mercado, podendo escolher alternativas que realmente sejam positivas e tragam bons retornos, é indicado procurar outras organizações da área, como por exemplo  as plataformas digitais.

Em algumas delas, você terá acesso a produtos de vários emissores nacionais e internacionais, podendo estipular uma estratégia mais adaptada às suas condições financeiras. Dessa forma, você ajustará a liquidez às suas necessidades individuais e maximizará a rentabilidade das aplicações conforme o seu perfil de investidor.

5. Aplicar em fundos de investimentos é arriscado

Fundos de investimentos funcionam como condomínios que agrupam aplicações de diversas pessoas, chamadas de cotistas. O propósito de uma entidade assim é de terceirizar a reponsabilidade de escolha de investimentos para uma equipe profissional de analistas, buscando maximizar os resultados. O dinheiro aplicado fica separado daquele pertencente à gestora ou ao administrador do Fundo, ou seja, fica sempre em nome dos cotistas, garantindo maior segurança aos investidores.

A ideia de que investir em fundos é arriscado, de fato é um mito, uma vez que existem fundos para todos os tipos de perfil. Indicadores técnicos, como o de volatilidade, por exemplo, são uma ótima referência do quão arriscado é um fundo: quanto maior a volatilidade, mais risco ele corre, esta informação é encontrada no material de divulgação de todos os fundos de investimentos.

Além disso, a possibilidade de diversificação de ativos também torna os fundos vantajosos, pois se alguns investimentos não renderem bem, outros podem compensar com ganhos melhores.

Graças a essas características, eles são opções a se considerar caso deseje começar a investir, tendo níveis semelhantes de riscos em relação a outras opções de renda variável.

6. Investir na bolsa requer somente sorte

Há um mito de que é necessário somente sorte para aplicar na bolsa ou que esse tipo de investimento é como um cassino. Contudo, não é bem assim que funcionam os investimentos em ações e outros títulos negociados na bolsa de valores.

Para que se possa ter bons resultados com esses papéis e fazer escolhas acertadas, não é preciso sorte, e sim uma boa análise técnica e fundamentalista sobre o desempenho e o histórico dos ativos. É essencial ficar atento às ocorrências e tendências locais, nacionais e mundiais, especialmente as que podem impactar no comportamento dos papéis negociados.

Isso inclui acontecimentos com as empresas que os emitem, mudanças na legislação econômica, nos setores de atuação entre outros. Esses cuidados e observações são cruciais para se ter uma maior eficiência na escolha dos investimentos.

Embora muitos eventos sejam imprevisíveis, as escolhas precisam ser orientadas por pesquisas e estudos bem-conduzidos, os quais podem ser realizados pelos próprios investidores ou, preferencialmente,por consultores e gestores especializados na área.

7. Se uma empresa está se destacando, é hora de adquirir suas ações

É muito importante se manter atento às ações de uma organização que está se destacando, buscando analisar se elas realmente valem a pena e podem trazer bons retornos. Isso porque essa “fama” pode ocorrer justamente após já ter passado do melhor período para aplicar nela, ou seja, suas ações poderão já não ter tanto potencial de valorização ou já podem ter chegado ao seu preço máximo.

Muitos acabam se iludindo com ganhos obtidos por investidores que fizeram as aquisições antes e começam a comprar ativos desse tipo de empresa quando elas já estão com valores altos. Tal fato pode significar que eles podem já ter se estabilizado. Aliás, pode justamente ocorrer o inverso do que esperam, com essas ações entrando em um ponto em que começam a cair e, desse modo, passam a gerar perdas financeiras.

8. As aplicações precisam ter alta liquidez

Liquidez é a facilidade de transformar um determinado ativo em dinheiro, um título de alta liquidez é aquele que pode ser convertido rapidamente em uma quantia financeira. Quanto maior foi o prazo para convertê-lo em dinheiro, menor será a sua liquidez.

Um investimento que tenha esse índice elevado traz maior conforto para o investidor, que poderá se desfazer dele rapidamente para obter dinheiro caso precise. Essa característica acabou por ser muito valorizada no mercado, porém não precisa ser usada como critério absoluto.

Existem aplicações que possuem baixa liquidez não só pela dificuldade em vendê-las, mas porque as instituições que as administram e suas próprias características exigem um determinado período de espera para poderem ser resgatadas.

Muitas delas acabam por pagar rendimentos melhores do que opções de maior liquidez. Como visto, elas possuem prós e contras, mas vale destacar que, para aqueles que pretendam investir a longo prazo, essas opções podem ser vantajosas por conta justamente dos ganhos maiores.

9. Só se ganha na bolsa com venda e compra de ações

Apesar de a compra e venda de ações ser a faceta mais conhecida desse mercado, existe outra forma de se ganhar dinheiro: os dividendos.

Dividendos correspondem a uma parte dos lucros de uma empresa que são divididos entre os seus acionistas conforme a proporção de ações que eles possuem dela. Ou seja, quando você adquire ações de uma companhia, passa a ser um acionista dela e poderá ter direito aos seus dividendos, gerando mais retornos econômicos para você. Bancos e empresas elétricas são ótimos exemplos de bons pagadores de dividendos.

10. São necessárias grandes quantias de dinheiro para investir

Nosso último mito é um dos que acabam por afugentar muitas pessoas que poderiam investir e obter bons ganhos: é preciso muito dinheiro para começar a aplicar em ativos que rendem mais.

Todavia, isso não é verdade. Há modos de manter uma carteira de ações ampla e diversificada com pouco dinheiro. Por exemplo, você pode optar por fundos de índices ou fundos de ações que admitem um tíquete menor de entrada. Há alguns, inclusive, em que é possível aplicar a partir de R$ 100,00.

Na renda fixa também é possível investir com um valor baixo, como em títulos públicos do Tesouro Direto, em que o mínimo é de apenas R$ 30,00.

Tendo cuidado com os mitos acima e seguindo as dicas para fazer o seu dinheiro trabalhar por você, as chances de conseguir retornos positivos no mercado de investimentos se ampliam.

Entendendo os mitos acima e não se guiando por eles, suas possibilidades de sucesso neste mundo dos investimentos se amplia. Além disso, busque sempre se aperfeiçoar na área para se tornar um investidor inteligente e, quando necessário, procure ajuda especializada para tomar decisões mais acertadas sobre quais aplicações fazer.

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O guia completo dos mitos sobre investimento
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