A chegada dos filhos desperta muitas famílias para um universo de preocupações que antes ficavam em segundo plano. A principal delas se refere à solidez financeira em longo prazo, ou seja, quais ações tomar no presente para garantir um futuro para os filhos muito mais tranquilo.

Se você também tem esse tipo de reflexão, parabéns, poupar desde cedo é usar o tempo a seu favor! Mas… como começar? Onde investir? Quais são os melhores caminhos para quem pensa em usufruir das aplicações em prazos mais longos?

Vamos fazer deste artigo um miniguia, listando algumas opções disponíveis para que você possa tomar a decisão que mais se adeque ao perfil de sua família! Confira!

Aprendendo a enxergar os investimentos como contas essenciais

Em países desenvolvidos, a maior parte da população tem proteções financeiras e/ou investimentos diversos: nos Estados Unidos, por exemplo, 65% dos cidadãos estão protegidos por uma apólice de seguro de vida. A parcela que tem capital aplicado em fundos de investimentos, ações e títulos de renda fixa não é muito diferente desse percentual.

Já por aqui, uma pesquisa feita em 2017 pelo SPC Brasil revelou que 62% dos brasileiros não guardam dinheiro, 29% guardam apenas o que sobra (sem qualquer compromisso com a acumulação de patrimônio) e apenas 7% alocam um valor fixo por mês. Para piorar esse quadro, 57% dos que poupam no país se prendem ao baixo rendimento da caderneta de poupança.

Esses dados mostram por que (diferentemente de outras nações) não é comum que os brasileiros cheguem à maioridade já com os valores de seus cursos universitários devidamente angariados.

Para assegurar um futuro para os filhos, é importante promover uma mudança de mentalidade em sua família. O primeiro passo é saber para onde vai o seu dinheiro, portanto, sistematize seu orçamento doméstico em planilhas ou aplicativos de controle de gastos.

Em seguida economize onde puder, qualquer sobra de dinheiro a mais no final do mês fará diferença num investimento de longo prazo. Algumas dicas para que você consiga atingir seus objetivos:

  • separe as despesas categorias: como: essenciais, úteis e supérfluas. É sobre essas últimas que seu foco deve estar concentrado para que tente reduzir;
  • renegocie contratos: TV a cabo, operadoras de celular e academias são alguns setores empresariais que permitem essa repactuação, que costuma gerar economias em sua casa;
  • evite toda a sorte de financiamentos, crediários e, principalmente, uso do cheque especial e pagamento do mínimo no cartão de crédito. Habitue-se a consumir apenas à vista;

E por último, uma vez que haja alguma folga no orçamento, separe uma parte desta folga como despesa fixa em sua planilha, a chamada “educação das crianças”. Trata-se do capital que você vai acumular no intuito de prover um sólido futuro para os filhos.

Se você já segue essas instruções, o nível seguinte é compreender para onde direcionar seu esforço financeiro — de modo que seus resultados sejam potencializados! Vamos refletir sobre isso.

Poupança é uma boa?

Como já citamos na pesquisa do SPC, poucos guardam dinheiro no país, e quem guarda se limita a transferir o que sobra para a caderneta de poupança. Muito pouco para quem tem ambições com relação ao futuro para os filhos.

Segundo a legislação, sempre que a Selic (taxa básica de juros da economia) estiver acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será de 0,5% ao mês mais a TR (Taxa Referencial). Por outro lado, sempre que a Selic for igual ou inferior a 8,5% a.a., situação que vivemos hoje, o rendimento dessa aplicação será a TR + 70% da Selic. Ou seja, com uma Selic de 6,5%a.a e uma TR a  0% o rendimento mensal é de 0,3715% a.a.

Em outras palavras, nos momentos de queda dos juros (como o que vivemos atualmente), o rendimento da caderneta cai ainda mais. E por isso, vale a pena estudar outras formas de investimento.

Título Público pode ser uma opção?

Os títulos públicos indexados à inflação com vencimento mais longo podem ser uma boa opção para um investimento com resgate no longo prazo (10, 15anos adiante) por conseguir boas taxas de rendimento, além da proteção contra a inflação.

As NTN-B e NTN-B Principal significam Nota do Tesouro Nacional Série B e hoje são chamadas respectivamente de Tesouro IPCA com juros semestrais e Tesouro IPCA+. Esses títulos públicos unem a rentabilidade de um título prefixado (juro real pré-acordado) e um pós-fixado (corrigindo também pelo IPCA do período).

Por serem títulos indexados ao Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), asseguram a rentabilidade real, que é o retorno acima da inflação. Dessa forma, se o investidor mantiver a aplicação até a data de vencimento do título terá garantido, a variação da inflação do período, acrescida de uma taxa de retorno pré estabelecida no momento da compra do título.

Caso o investidor precise fazer o resgate antes do vencimento do título, o rendimento poderá ser diferente daquele acordado na data da compra. Isso acontece porque o papel será recomprado pelo Tesouro Nacional pelo valor de mercado do dia em que é vendido pelo investidor.

Que tal um plano de previdência privada?

Um plano de previdência privada tem potencial para render acima da caderneta, desde que o produto escolhido tenha baixa taxa de administração (cobrada mensalmente para suportar os custos de gestão do capital alocado) e, de preferência, ausência de taxa de carregamento (que incide sobre cada depósito efetuado).

Existem 2 tipos de planos de previdência privada, o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre).

O primeiro é mais indicado a quem faz a declaração completa de IR, pois permite abater o valor aplicado no anoem um limite de até 12% de sua renda tributável. O problema é que, no ato do resgate, o Imposto de Renda incidirá sobre o valor total acumulado.

Já o VGBL não tem nenhum benefício dedutível. Entretanto, o IR no resgate incide apenas sobre o ganho de capital.

Para fazer um bom plano de previdência privada, você precisa escolher entre esses 2 tipos e combiná-lo com as 2 formas de tributação existentes: progressiva (que implica em alíquotas maiores, de acordo com o valor resgatado) e regressiva (quanto maior o período do investimento, menor a alíquota a ser paga, podendo chegar a 10% para quem solicita seu capital após 10 anos).

Se você deseja construir um futuro para os filhos, um plano com tributação regressiva pode ser interessante, uma vez que a tributação será feita apenas sobre o lucro e após 10 anos (em percentual de apenas 10%). Mas é preciso estudar atentamente as condições do plano.

Fundos de investimentos são boas opções para os estudos dos filhos?

Os fundos de investimentos estão certamente entre as aplicações mais recomendadas para quem tem o alvo de formar patrimônio para suportar o estudo dos filhos. A grande vantagem desse tipo de aplicação é que, além do seu capital ser gerido por uma equipe especializada, aplicar em mais de um fundo diversificando sua carteira. O gestor do fundo terá margem para atuar apenas dentro das especificações de cada fundo. Um fundo de ações, por exemplo, deve ter, no mínimo, 67% de seus ativos aplicados em ações.

Como é um investimento de longo prazo, vale a pena levar em consideração fundos mais arriscados, uma vez que, na maioria das vezes, quanto maior a rentabilidade maior a volatilidade do fundo, ou seja, no curto prazo o investimento oscila muito entre ganhos e perdas, mas no longo prazo deve ser notável a rentabilidade.

Nesse contexto, aliás, vale a pena recordar que alguns fundos dessa natureza (como o “Fundos de Ações Small Caps”) registraram rendimento acima de 40% em 2017. A título de comparação, a caderneta rendeu apenas 6,16%.

Os Fundos Long & Short são outras opções recomendadas a quem deseja construir um futuro para os filhos marcado pela solidez financeira. Esses fundos são apoiados em estratégias de investimentos (em ações ou derivativos) baseadas na compra e na venda simultânea de grupos de ativos. Essa correlação de aplicações pode ser feita dentro de um mesmo ativo (ações ordinárias-ON e preferenciais-PN), de forma intrasetorial (ações de bancos) ou intersetorial (empresas de segmentos distintos).

Os fundos multimercados de forma geral também são boas opções. Como todos os tipos de fundos você encontrará os de maior e menor risco. Diversifique sua carteira, tanto com fundos de diferentes ativos, como com fundos de risco variado, lembrando que a longo prazo, um investimento de maior risco é mais aceitável, porém é importante verificar se o fundo se adequa no seu perfil, para evitar futuras frustrações. É essencial que leia o material de divulgação para encontrar o fundo que é ideal para você.

Além da gestão profissional, é importante acompanhar os seus rendimentos, o que pode ser feito por meio de relatórios periódicos, extratos diários retirados de sua plataforma, bem como por meio de gráficos com correlações com benchmark.

Todos esses são benefícios que também não devem ser ignorados e farão diferença no patrimônio acumulado no futuro.

Hoje você percebeu que é possível garantir o futuro para os filhos com outras estratégias, mais rentáveis do que a poupança, certo? Então, cadastre-se no nosso site e dê mais um passo importante rumo ao sucesso deles!

O que fazer para garantir um bom futuro para os filhos?
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