2019 promete ser um ano bastante desafiador para alocação de recursos. Por um lado, o ambiente internacional passa a ser menos benigno, com a normalização das políticas monetárias de países desenvolvidos e o fim de uma década de injeção de liquidez pelos Bancos Centrais. Além disso, a desaceleração do crescimento chinês, que deve ser intensificada pelas turbulências comerciais com os EUA, e as incertezas políticas no Reino Unido e na Zona do Euro adicionam riscos ao crescimento global.

Já no âmbito local, a reorientação da política econômica durante o governo Temer gerou condições para o crescimento e, após um longo período de recessão, o Brasil vive uma conjuntura favorável: Selic na mínima histórica; inflação sob controle e alta capacidade ociosa nas empresas, que possibilita que haja crescimento sem gerar pressão inflacionária; mercado de trabalho começando a apresentar melhora; recuperação do canal de crédito e balanço das famílias e empresas em situação mais saudável.

A recuperação cíclica da economia e a definição do cenário eleitoral trouxeram otimismo ao mercado, porém, a recente reversão nos preços dos ativos mostra que a euforia entrou em compasso de espera e o benefício da dúvida que o mercado vem dando à nova equipe econômica passa a ser substituído pela cobrança de medidas concretas.

É necessário ter pragmatismo e foco para aprovar com urgência as reformas necessárias para garantir estabilidade fiscal, em especial, a da Previdência, pois a fragilidade das nossas contas públicas nos deixa mais vulneráveis aos ventos externos contrários. Apenas assim, o país poderá reconquistar a credibilidade e voltar a receber aportes dos investidores estrangeiros, que já sacaram mais de R$ 9 bilhões da Bolsa brasileira nos últimos meses de 2018.

Diante desse cenário

Como obter bons retornos sem deixar de se proteger dos riscos que devem trazer volatilidade ao mercado ao longo do ano?

O ponto chave é a diversificação e a otimização da correlação dos ativos da carteira. A falta de tendências claras e o custo de oportunidade menor com o CDI mais baixo, exigirão gestão ativa e bom gerenciamento de “timing” para busca de alpha, em detrimento de mandatos passivos que tendem a performar bem em ambiente de alta previsibilidade.

Os fundos Multimercado, que alocam em diversas classes de ativos, como juros, moedas e bolsas, no Brasil e no exterior, apresentam maior potencial de proteção de drawdown por possuírem carteiras mais flexíveis que são rebalanceadas de acordo com o cenário, podendo operar com exposições compradas ou vendidas.

Mesmo considerando os riscos, o cenário de recuperação econômica e as perspectivas de condução da agenda de reformas deve continuar favorecendo a alocação em renda variável. Até as carteiras mais conservadoras deverão carregar uma parcela em ações. Há boas oportunidades na bolsa e alguns setores, principalmente os ligados a crescimento doméstico, podem se destacar.

As empresas tiveram que reduzir o endividamento e se tornar mais eficientes para passar pelos anos de crise e se favoreceram grandemente dos juros mais baixos. Neste cenário, esperamos um crescimento de lucros de cerca de 20% em 2018 para as empresas ligadas ao mercado doméstico, mesmo com um crescimento de PIB ainda modesto. Se o novo governo conseguir passar um ajuste fiscal mínimo, a forte tendência de recuperação após anos de bases muito comprimidas deve ser suficiente para sustentar crescimentos de 2 dígitos por mais algum tempo.

A assimetria ainda é favorável. Atentar para as correlações dos ativos que irão compor o portfólio é fundamental para reduzir o risco. Setores que se beneficiam da alta do dólar, como Papel & Celulose e exportadoras em geral, podem servir como hedge em cenário de stress e combinados com papéis de maior Beta, trazem uma assimetria interessante à carteira.

Para não errar na alocação de recursos

Para não cometer erros e cair em armadilhas, é essencial contar com gestores especializados e equipes dedicadas à análise e seleção das melhores ações. Fundos Long Bias e Long Only mais ativos tendem a se proteger melhor nos momentos de queda, superando o Ibovespa no longo prazo. Para clientes mais conservadores, fundos Long & Short são boas alternativas, pois através de estratégias relativas de compra e venda de ações, tornam-se pouco correlacionados com o índice e menos dependentes do mercado em alta para obtenção de retorno.

Para capturar a melhora do ambiente interno, os fundos Imobiliários também podem se destacar como boas opções. Após anos de queda, o mercado de imóveis vem se recuperando e a demanda, em especial nos setores comercial e de shoppings, tende a subir. Esses produtos apresentam a vantagem de ter rendimentos isentos de IR para pessoa física. Para o horizonte de longo prazo também é válido considerar as vantagens fiscais da previdência privada aberta.

Na parcela conservadora, a seleção de ativos se tornou mais desafiadora com o novo patamar de juros. Títulos pré-fixados e papéis atrelados à inflação, que ainda oferecem bom rendimento e protegem a carteira em cenário de piora, continuam sendo boas recomendações. Os fundos de Renda Fixa com alta liquidez e baixo risco devem compor a reserva de emergência e, para o investidor que topar correr mais risco, alocar em debêntures incentivadas, CRIs e CRAs também traz a vantagem da isenção de IR.

Apesar dos diversos riscos que assombram o investidor local, as perspectivas para a indústria de fundos são favoráveis e, mesmo com cautela, é necessário estar posicionado para a melhora do cenário. Portfólios diversificados e com boas proteções para adversidades devem ajudar a surfar o ambiente de alta volatilidade. Diante da possibilidade de termos juro real em patamares baixos por um período prolongado, será necessário tomar mais risco para rentabilizar o patrimônio e contar com gestores capacitados para seleção profissional dos ativos se torna fundamental.

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Perspectivas para alocação de recursos em 2019
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