Para quem busca alcançar algum rendimento e evitar que o dinheiro fique parado na conta-corrente, a poupança parece ser uma boa opção para investir. Afinal, os riscos são pequenos, há isenção de Imposto de Renda e não há cobrança de taxa de administração, além de ser mais fácil de entender como o rendimento é calculado – ao contrário de outros investimentos que esse entendimento pode ser mais complexo, principalmente para “investidores de primeira viagem”.

No entanto, a poupança nem sempre é a melhor escolha, independente do valor a ser investido. Neste artigo, explicaremos por que, e apresentaremos outras alternativas para quem quer investimentos de baixo risco para levar em consideração. Confira!

O que é a poupança?

Investimento mais tradicional e popular do Brasil, a poupança existe desde o século XIX, com o intuito de proteger o dinheiro da inflação e manter o poder de compra.

Seu funcionamento é relativamente simples. Depois que o investidor faz o depósito, o dinheiro é acrescido de juros mensalmente, 30 dias após a data da aplicação, chamado “data de aniversário”. O rendimento é consequência de uma taxa definida pelo governo. Uma vez que essa taxa é a mesma em todos os bancos, o ganho será o mesmo independente de qual instituição financeira você escolher.

Como funciona o rendimento da poupança?

Antes de maio de 2012 o rendimento da caderneta de poupança era de 0,5% ao mês mais a variação da Taxa Referencial (TR). Para o cálculo da TR, o BC analisa, diariamente, as taxas de juros dos CDBs prefixados das 30 maiores instituições financeiras do país e, assim, é determinada uma média ponderada chamada Taxa Básica Financeira (TBF). A partir da TBF, é calculado o saldo das aplicações em poupança que fazem aniversário naquele dia.

Desde maio de 2012, esse rendimento passou a estar atrelado à Taxa Selic. E, o cálculo descrito acima permanece apenas quando a Taxa Selic está acima de 8,5%. Ou seja, quando a da taxa básica de juros básica da economia está em patamares superiores a 8,5%, a poupança continua a render 0,5% ao mês (ou 6,17% ao ano), mais a variação da TR (Taxa Referencial).

Porém, quando a Taxa Selic está abaixo de 8,5%, o rendimento da poupança passa a ser de 70% da Selic mais a TR.

Por que a poupança pode não ser a melhor opção de investimento?

Taxa Selic em baixa e/ou Rentabilidade abaixo da inflação

A mudança na regra da poupança impactou diretamente no seu rendimento. Quando a taxa de juros da economia (Taxa Selic) está em queda, como é o caso atualmente, as perspectivas para a poupança ficam menos atraentes.

Quando a Taxa Selic está em alta é necessário sempre levar em conta o ganho real e não nominal, pois a inflação “come” grande parte dos rendimentos, fazendo você perder o poder de compra. Ou seja, você até pode ter o rendimento da poupança melhor, mas se a inflação estiver alta, o seu ganho pode ser ‘abatido’ na hora de utilizar o seu dinheiro. Isso aconteceu em 2015, quando o brasileiro que aplicou na caderneta perdeu 2,35% do poder de compra. Naquele ano, a rentabilidade da poupança alcançou 8,07%, enquanto a inflação foi de 10,67%. Caso você tenha poupado no inicio de 2015 para comprar ao final do ano um produto melhor com a rentabilidade, muito provavelmente você compraria um de pior qualidade.

Já em 2017, tivemos uma trajetória de queda da inflação e o ganho real atingiu 3,9%. No entanto, no contexto atual, os números não devem ser tão favoráveis. Com a queda da Selic para a casa dos 6% ao ano, o rendimento da poupança também fica mais apertado e os riscos fiscais e políticos ameaçam a tranquilidade do cenário inflacionário no país, o que pode fazer com que o ganho real seja ainda mais apertado, devendo fechar 2018 entre 2% e 2,5%.

Aniversário da poupança

Não é apenas a mudança na regra que faz com que investir na poupança não seja tão atraente. Outro ponto desfavorável é o fato de ela ter performance apenas em aniversários, como citamos.

A poupança não apresenta rendimento diário, o investidor somente receberá o rendimento depois de um mês. Ou seja, caso precise fazer um resgate um dia antes do aniversário, esse investidor não terá nenhum retorno daquele último mês do investimento.

Essa característica da caderneta de poupança difere de uma aplicação com liquidez diária, em que o investidor poderá fazer o resgate antes do vencimento e ainda assim ter rendimento do período.

 

Quais são outras opções de investimento de baixo risco?

Pessoas que buscam investir na poupança são, geralmente, aquelas que buscam baixo risco. No entanto, como vimos, essa pode não ser a melhor opção. Assim, quais seriam outras alternativas atraentes para investidores com esse perfil conservador?

Tesouro Selic

A Letra Financeira do Tesouro (LFT), conhecida popularmente como Tesouro Selic, é um título público pós-fixado mais seguro que a própria poupança.

Por ser o título público com menor volatilidade, o Tesouro Selic é indicado para investidores de perfil mais conservador e que precisam de liquidez. Caso haja uma emergência, é possível resgatar o dinheiro que foi aplicado antes do vencimento sem o risco de surpresas com o rendimento.

Por acompanhar a Taxa Selic e o Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), referencial de aplicações conservadoras, o Tesouro Selic não sofre com a volatilidade.

Quanto maior a Taxa Selic, maior será o retorno. O rendimento é o mesmo todos os dias, até que haja alguma mudança nos juros básicos da economia pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Mesmo que a aplicação seja inferior a 6 meses, o que ocasiona pagamento de IR na alíquota de 22,5%, o rendimento ainda é maior que o da poupança.

Apesar da certeza em relação ao rendimento positivo, é importante levar em consideração o prazo da aplicação, já que a tabela de Imposto de Renda também é regressiva nesse caso. Além do IR, é cobrada taxa de 0,3% a.a. de custódia sobre o total da aplicação.

IR sobre o rendimento

Até 180 dias: 22,5%

De 181 a 360 dias: 20%

De 361 a 720 dias: 17,5%

Acima de 720 dias: 15%

Fundos DI

Outra opção válida para investidores de perfil conservador são os Fundos de Renda Fixa Referenciados DI, mais conhecidos como os Fundos DI, que aplicam no mínimo 95% do patrimônio nos títulos públicos federais do Tesouro Direto (atrelados ao CDI ou Selic) ou em títulos privados de baixo risco.

Os Fundos DI são pós-fixados e acompanham as oscilações da Taxa Selic, como ocorre, por exemplo, no Tesouro Selic (LFT).

Entretanto, o resultado dos Fundos DI é afetado pelas taxas de administração, que devem ser motivo de atenção especial de investidores. O resultado final também dependerá do prazo que se mantém no fundo. Quanto mais tempo melhor, pois há cobrança de IOF para aplicações inferiores a 30 dias, e a cobrança de IR é regressiva (mesma tabela descrita no item acima). Em casos de taxas abusivas e prazos curtos de aplicação, pode ser mais vantajoso considerar investir na poupança, que não tem cobrança de Imposto de Renda – porém lembre-se que na poupança se ficar menos que 30 dias não recebe nenhuma rentabilidade.

É válido mencionar que fundos de investimento não são protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Antes de fazer o aporte num fundo de investimento, é necessário analisar todos os fatores que cercam o investimento.

Fundos DI

Outra alternativa para quem busca retorno melhor que o da poupança com alta liquidez são os fundos multimercado de baixa volatilidade. Esses produtos possuem liberdade para operar diversos ativos em mercados como os de renda fixa, bolsa, moedas e derivativos, no âmbito local e internacional, possibilitando aos gestores a composição de carteiras diversificadas, de acordo com o momento econômico e perspectivas de mercado.

Dado que há gestão ativa da carteira, esses produtos normalmente estão sujeitos à cobrança de taxa de performance além da taxa de administração. De qualquer forma, os resultados divulgados já são líquidos desses custos, facilitando a análise do retorno.

 A grande vantagem é ter uma instituição profissional gerindo os recursos e escolhendo os melhores títulos para aplicação disponíveis no momento, tirando do cliente o “peso” da decisão. Por isso, é importante escolher bem a instituição responsável pela gestão e atentar às taxas cobradas e ao prazo para resgate. Por serem estratégias que apresentam mais volatilidade que as opções anteriores, é recomendável um investimento de longo prazo. Além disso, esses fundos também estão sujeitos à tributação de IR de acordo com a tabela regressiva e portanto, quanto maior o período do investimento, menor o imposto.

LCI/LCA

As Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio são títulos emitidos por Bancos, com o objetivo de originar recursos para viabilizar operações de financiamento aos setores imobiliário e agro no país. Esses instrumentos também são boas alternativas para quem está deixando a poupança, pois além de remunerarem melhor, também são isentos de Imposto de Renda e não estão sujeitos à taxa de administração e custódia. Além disso, também são cobertos pelo FGC nos mesmos moldes que a poupança.

Por outro lado, possuem valor mínimo de aporte inicial (que varia de R$ 5 mil a R$ 30 mil) e o período de investimento mínimo é de 90 dias. O rendimento desses títulos pode ser pré-fixado ou pós-fixado, ou seja, o investidor pode saber exatamente quanto vai receber durante o tempo da aplicação ou terá um retorno que flutuará de acordo com as taxas de juros do mercado. A remuneração depende de critérios específicos de cada emissão e será maior para prazos mais longos. Dado que se trata de uma aplicação com prazo mínimo, é importante ter uma programação correta para que o investimento seja vantajoso.

CDB

Os Certificados de Depósito Bancário são títulos emitidos pelos bancos para capitalização. Ou seja, ao comprar um CDB, você estará emprestando dinheiro ao banco e, em troca, receberá rendimento de juros (pré ou pós-fixados) no prazo determinado no dia da aplicação. Quanto ao montante inicial, é possível investir em CDB a partir de R$ 1,00 (isso mesmo, um real!) e há garantia do FGC. A rentabilidade do CDB depende da instituição financeira emitente (quanto mais sólida a instituição, menor a taxa), do prazo e montante da aplicação.

É importante ressaltar que para aplicações com prazo inferior a 30 dias, há incidência de IOF e a tabela de imposto de renda é regressiva, como no caso das LFTs e dos fundos de renda fixa.

 

Não importa o valor que você tem disponível para investir, ou seu perfil de risco, quanto mais conhecimento você tiver, mais você fará seu dinheiro render. Fique por dentro de mais informações sobre as melhores opções do mercado! Assine a nossa newsletter e receba conteúdos como este diretamente na sua caixa de entrada!

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