Ao fazer aplicações financeiras em renda fixa o investidor realiza a compra de títulos e, em contrapartida ao “empréstimo”, recebe uma remuneração. Neste cenário, existe uma segurança maior sobre o resultado da aplicação, com relativa certeza do que será recebido ao final do período contratado, dada a solidez das instituições emissoras e dos indicadores sobre quais a rentabilidade é baseada.

Embora essa seja a opção mais conhecida por quem investe no mercado financeiro brasileiro, nem todos os investidores estão familiarizados com as diversas características dos títulos de renda fixa.

A falta de informação é justamente um dos principais erros na hora de investir. Antes de optar por um dos diferentes tipos de investimentos em renda fixa, é necessário saber quais fatores devem ser considerados para tomar a decisão correta. Você sabe, por exemplo, qual é a importância de analisar o prazo de carência?

Para conhecer o que é necessário para escolher títulos de renda fixa, acompanhe com a gente cada um dos pontos a serem considerados!

1. Quantidade mínima e preço unitário do ativo

Quer saber qual valor precisará para iniciar  seu investimento?

  • A quantidade mínima indica o número mínimo de papéis que podem ser adquiridos por um investidor ao realizar aplicações naquele título de renda fixa.
  • Já o preço unitário é o quanto custa cada um desses papéis.

Dessa forma, ao avaliar esses dois fatores, o investidor saberá o valor mínimo que precisará para aplicar naquele ativo.

2. Emissor

Quando opta pela renda fixa, o investidor “empresta” dinheiro para uma instituição, tornando-se seu credor. O emissor é quem receberá esses recursos e será, portanto, o devedor da operação.

Os títulos de renda fixa são emitidos por uma grande variedade de entidades, desde bancos e outras instituições financeiras até empresas privadas e o próprio Governo Federal.

O governo, por exemplo, é o emissor do Tesouro Direto e aproveita os recursos “emprestados” pelos investidores para investir em diversos setores, como educação, saúde e infraestrutura.

Já as debêntures são emitidas por empresas privadas ou públicas, de capital aberto ou fechado, que utilizam esses recursos para custear as próprias operações, ou até mesmo rolar suas dívidas, a um preço que, muitas vezes, pode ser inferior aos de empréstimos convencionais. Ao emitir debêntures e ir ao mercado captar recursos, as empresas buscam uma diversificação de financiamento, para não ficarem muito dependentes de apenas uma modalidade.

Ao observar o emissor, o investidor se informará sobre quem é o responsável por aquela dívida. Portanto, é imprescindível analisar a qualidade da empresa para quem emprestará o seu dinheiro em troca de remuneração.

O caminho para fazer essa análise passa pela atenção ao balanço financeiro da empresa e informações sobre seus movimentos no mercado. É importante entender se a empresa tem gerado receitas suficientes para honrar seus compromissos e continuar crescendo e como está o nível e a qualidade do seu endividamento. São análises que demandam mais tempo e maior profundidade, porém, no caso de companhias de capital aberto, todas as informações são públicas e devem ser analisadas pelo investidor para que ele tome uma decisão de forma consciente e entenda os riscos que está assumindo.

Caso o título de renda fixa seja de uma instituição não financeira, a atenção e análise do emissor é ainda mais importante, já que essas organizações não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), como acontece com os bancos, quando estes emitem CDBs ou DPGEs.

Geralmente as empresas mais sólidas e que oferecem menos riscos aos investidores são aquelas que pagam remunerações menores, justamente por proporcionarem mais segurança a quem investe.

3. Prazo de carência

Prazo de carência é o prazo mínimo que deve ser aguardado pelo investidor até poder retirar o o capital investido, também chamado de principal, acrescido a remuneração ‘acordada’ do período. Ou seja, durante o período que antecede a carência, o dinheiro ficará com a instituição emissora.

De forma objetiva, o prazo de carência é o prazo em que o investidor não recebe qualquer retorno pelo dinheiro investido. Portanto, a atenção ao prazo de carência é fundamental para que um investidor inteligente não corra o risco de precisar de recursos antes do momento em que poderá receber alguma remuneração.

Alguns papéis contam com pagamentos de juros e amortizações durante o seu período de existência, gerando receitas para o investidor ao longo do tempo, antes do seu vencimento. Outros realizam todos esses pagamentos somente no vencimento, de uma só vez. Fique atento a esses eventos e veja qual atenderá melhor a sua realidade e necessidade.

4. Data de vencimento

Essa é a data em que o papel (e a dívida do credor), efetivamente, termina de ser liquidado, e o investidor receberá o valor devido em dinheiro, que pode ser total ou a parcela que falta, dependendo se o emissor já realizou pagamentos de juros e amortizações durante o período de vida do ativo ou se o pagamento está atrelado ao vencimento. Quando falamos em resgate antecipado, nós nos referimos àquele que é feito antes do prazo de vencimento do respectivo investimento.

5. Taxa

Esse é o valor que indica, efetivamente, quanto renderá o título de renda fixa. A taxa pode ser prefixada, pós-fixada ou mista.

Prefixadas

Ao recorrer ao título prefixado, o investidor sabe a rentabilidade final do investimento no momento da aplicação, uma vez que a taxa de juros é definida no ato da contratação. É possível saber desde o início o quanto vai receber no vencimento do título. Por exemplo, você investe em uma LCA que renderá 10% ao ano.

Pós-fixadas

Em títulos com remuneração pós-fixada o investidor não sabe a rentabilidade final exata no momento em que realiza a aplicação, uma vez que conhece somente o índice que será a base da formação dos rendimentos do título, que geralmente são a Selic, CDI ou IPCA. Como estes índices são variáveis, um CDB que paga 105% do CDI é considerado pós-fixado, pois eu não sei qual o será o valor do CDI até o vencimento.

Mistas

Outra possibilidade de remuneração dos investimentos em renda fixa é a mista: nela, além de juros fixos anuais (taxa prefixada), há o incremento de uma parcela pós-fixada, como CDI ou IPCA. Uma debênture que paga, por exemplo, IPCA + 5% ao ano conta com uma parcela pós-fixada (IPCA) e outra prefixada (5% ao ano).

Algumas debêntures apresentam pagamento de prêmio no caso de pagamento antes do vencimento. Mas isso não é, necessariamente, uma vantagem, já que você não receberá o rendimento total do papel, que será abatido do “adiantamento” do pagamento da dívida.

6. Rating

Para analisar a confiabilidade da instituição que receberá seu dinheiro em um título de renda fixa, é imprescindível que o investidor analise o rating.

Ratings são notas ou classificações de riscos. Elas são dadas às instituições por agências de classificação de risco, que analisam de forma criteriosa os balanços, as demonstrações financeiras e o comportamento dessas organizações no mercado.

Além do rating do próprio emissor, as agências também realizam análise e fazem relatórios de rating para cada uma das emissões de debêntures dessas instituições. Assim elas analisam cada operação de financiamento realizada pela empresa e julgam sua capacidade de honrar cada um de seus compromissos.

Assim, ao analisar o rating, o investidor poderá ter consciência do risco daquele investimento. É comum que instituições com ratings mais baixos ofereçam maior rentabilidade, como contrapartida aos riscos que proporcionam a quem realiza a aplicação. Por isso, se a rentabilidade está muito acima do que tem sido oferecido no mercado, é aconselhável analisar por que isso acontece.

Contudo, o rating é apenas uma das características de títulos de renda fixa que devem ser analisadas antes do investimento, lembrando que, no caso das debêntures, a escritura é um documento imprescindível.

A taxa de remuneração tende a ser maior quando o emissor estabelece prazos de carências mais longos ou quando a data de vencimento é muito distante em relação ao momento da aplicação. Basicamente, quanto maior o período, o risco do “empréstimo” e a garantia de que o investidor não irá “sacar” o dinheiro investido antes do prazo de vencimento, melhor tende a ser a remuneração final. Porém, é preciso analisar objetivamente e com cautela seu perfil investidor, suas intenções e as possibilidades de investimento antes de assumir riscos, mesmo em papéis consideravelmente seguros de renda fixa.

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