Investimentos em longo prazo são uma boa forma de se preparar para o futuro e se prevenir contra eventuais contratempos. Uma das principais opções no mercado é a previdência privada. Todavia, os fundos tradicionais também podem satisfazer os anseios de quem quer contar com uma reserva quando já estiver se aproximando do fim da trajetória profissional.

Para fazer a escolha entre a previdência privada e os fundos de investimento de longo período é preciso se familiarizar com as características de ambas as alternativas. Assim, o investidor terá condições de identificar qual é a opção mais adequada ao seu perfil. Para saber mais, continue a leitura!

Previdência privada

Quem pretende recorrer à previdência privada para poupar pensando em longo prazo deve ter atenção em uma escolha fundamental. Ao contrário do que muitos pensam, não há apenas uma opção de plano de previdência.

São dois tipos diferentes: o PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livres) e o VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres). Depois de se decidir entre as duas opções, o investidor não poderá alterá-la, embora possa ter mais de um plano. Como veremos a seguir, essa escolha está atrelada ao modelo de declaração do Imposto de Renda (IR).

PGBL

As aplicações feitas no PGBL podem ser deduzidas da renda bruta tributável da declaração do Imposto de Renda, com limite de 12%, o que resulta na diminuição da base de cálculo do imposto. Assim, essa opção é indicada para as pessoas que utilizam o modelo completo de declaração do IR.

Já no momento de resgate ou no recebimento da renda da previdência, será cobrado o imposto sobre o valor total dos aportes — contribuições realizadas e rendimentos do período.

Dentro do limite de 12% de dedução, ainda podem ser incluídos os aportes feitos em planos PGBL que estão em nome de dependentes. Porém, se o dependente for maior de 16 anos, ele também deverá contribuir para a previdência oficial.

VGBL

O VGBL, por sua vez, é o plano de previdência privada indicado para os contribuintes que fazem a declaração do Imposto de Renda pelo modelo simplificado ou para quem é isento.

Não há a possibilidade de dedução em até 12% do cálculo da renda bruta tributável, mas o imposto incidirá somente sobre os rendimentos da aplicação — não haverá incidência de IR sobre as contribuições realizadas no período.

É válido ressaltar que o IR, nos planos de previdência privada, é cobrado somente no momento de resgate da aplicação ou quando o investidor começar a receber a renda.

Tipos de tributação 

O investidor pode escolher se o pagamento do Imposto de Renda será feito por tributação regressiva ou progressiva.

A primeira opção é mais usual e recomendável para quem quer guardar recursos por longo período, já que quanto mais tempo permanecer no plano, menor será a alíquota do IR quando houver a cobrança. Veja abaixo as alíquotas da tabela regressiva de IR:

Período de aplicação Alíquota do IR
Até 2 anos 35%
De 2 a 4 anos30%
De 4 a 6 anos 25%
De 6 a 8 anos 20%
De 8 a 10 anos 15%
Acima de 10 anos 10%

 

Portanto, inicialmente, a alíquota do IR na previdência privada com tributação regressiva é de 35% para aplicações inferiores a 2 anos. Para investidores que permanecem no plano por mais de 10 anos, pode cair até 10%.

Já a tributação progressiva é indicada apenas para pessoas que pretendem utilizar os recursos em breve, ou que não tem certeza se será necessário resgatar antes do esperado. Nessa opção, a tributação será realizada em dois momentos:

  1. Quando for feito o resgate ou do início do recebimento da renda, haverá a cobrança de uma alíquota do IR de 15% na fonte, independentemente do valor;
  2. Posteriormente, pode ser feito o ajuste entre o que foi pago de imposto e o valor devido na declaração feita pelo contribuinte, seguindo a mesma regra da Receita Federal sobre salário: será cobrada fração entre 0% e 27,5% — quanto maior a base de cálculo, maior será o percentual cobrado.

Vantagens da previdência privada

A previdência privada tem pontos positivos a serem considerados pelos investidores que pretendem se planejar financeiramente para o longo prazo. A seguir, veremos algumas dessas vantagens.

Não há cobrança de come-cotas

Uma vantagem da previdência privada em relação aos fundos tradicionais é não haver a cobrança de come-cotas. Nesse tipo de tributação, todo semestre o governo recolhe de forma antecipada o IR sobre os rendimentos dos últimos 6 meses dos fundos de investimento. Esse recolhimento acontece em todo último dia útil de maio e de novembro.

A responsabilidade de deduzir o IR é da instituição que administra o fundo de investimento, sendo que o valor a ser pago no Imposto de Renda é proporcionalmente diminuído no número de cotas detidas pelo investidor — o que levou ao nome “come-cotas”.

Não entra em inventário

Por serem considerados produtos securitários, os planos de previdência privada não entram em inventários quando o titular morre, portanto, não constituem parte da herança deixada pelo falecido. Assim, os recursos são revertidos para os beneficiários que tenham sido indicados no contrato. Isso proporciona agilidade e evita problemas com burocracia.

Desvantagens da previdência privada

Além de conhecer as vantagens dos planos PGBL e VGBL, é importante que o investidor esteja atento aos pontos negativos da previdência privada. Dentre os pontos negativos, é importante saber bem quais as taxas que são cobradas e como elas incidem:

Taxa de carregamento

A taxa de carregamento não é cobrada por todos os planos. Ela pode ser recolhida a cada aporte que é feito no plano de previdência privada, ou quando houver resgates e portabilidades.

O objetivo da taxa de carregamento é cobrir despesas operacionais, administrativas e de comercialização dos planos. Quando ela é cobrada, cabe à operadora definir no regulamento do plano o percentual dessa taxa e o critério para aplicação.

Taxa de administração

Há ainda a taxa de administração, que é um percentual cobrado ao ano pela gestão financeira dos recursos da reserva previdenciária, e incidente sobre o patrimônio líquido do fundo. Todavia, essa taxa também é comum a fundos de investimentos. Nos materiais de divulgação, o investidor poderá encontrar a rentabilidade desses fundos líquida de qualquer taxa.

Taxa de saída

Alguns planos de previdência privada podem cobrar uma taxa de saída em relação ao valor acumulado. Fique atento às taxas que podem ser cobradas e escolha aqueles que não possuem esse tipo de cobrança.

Cobrança de ITCMD

O Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doações (ITCMD), que incide sobre heranças e doações, poderá ser uma vantagem ou desvantagem, dependendo do seu Estado. Para os planos de previdência privada, não há cobrança do imposto sobre a herança, porém como este imposto é de competência dos Estados, alguns estão realizando o seu recolhimento. Fique atento a esta possível cobrança!

Fundos tradicionais de longo período

Uma alternativa aos planos de previdência privada são os fundos de investimento de longo período. Essas opções de investimento podem atingir alta rentabilidade e serem úteis para quem busca poupar pensando em longo prazo.

Os fundos têm se consolidado com uma opção muito atraente no mercado de investimentos no Brasil, proporcionado que milhares de pessoas alcancem o objetivo de aumentar o seu patrimônio líquido.

Segundo a ANBIMA, em 2017, os fundos de investimento tiveram captação de R$ 259,8 bilhões, o maior recorde da série histórica iniciada em 2002. As maiores captações foram dos fundos multimercados — R$ 101 bilhões contra R$ 19,6 bilhões do ano anterior.

Está interessado em investir fundos multimercado? Conheça a seguir algumas vantagens dessa opção de investimento.

Vantagens dos fundos multimercado

A possibilidade de aumentar o patrimônio é um dos fatores mais atraentes dos fundos de investimento, mas essa não é a única vantagem. Confira abaixo outros benefícios.

Flexibilidade

Para investidores que buscam flexibilidade, os planos de previdência privada tendem a não ser as melhores opções. Já um fundo multimercado, ao contrário do que ocorre com fundos de classes específicas, opera com diversos tipos de ativos, variando entre renda fixa, ações de empresas, moedas e até investimentos no exterior.

Assim, essa é uma excelente opção para o investidor que deseja ampliar a variedade de seus investimentos, principalmente para aqueles que têm um perfil moderado e estão dispostos a aproveitar todas as oportunidades do mercado financeiro.

Respostas rápidas a mudanças na economia

Os fundos multimercados são boas opções em momentos de oscilações na economia, já que têm uma equipe profissional para lidar com os momentos mais turbulentos no mercado financeiro. Por permitirem e combinarem vários tipos diferentes de ativos e estratégias, mesmo em momentos de maior volatilidade, o gestor do fundo é capaz de encontrar boas oportunidades e conseguir uma boa rentabilidade.

No entanto, fique atento, pois essa “liberdade” do gestor pode tanto trazer rentabilidade, quanto um risco mais elevado para a carteira. Há fundos multimercado desde os mais conservadores até os mais arrojados, portanto, veja qual o seu perfil e analise o fundo mais indicado para você.

Possibilidade de altos rendimentos

Todas as vantagens mencionadas acima fazem com que os fundos multimercados possibilitem que os investidores tenham rendimentos acima do praticado no mercado. Esse é um fator que tem sido decisivo para o crescimento desse modelo de investimento.

Desvantagens dos fundos tradicionais de longo período

Embora possam gerar alta rentabilidade e oferecer a assessoria de profissionais dedicados exclusivamente a analisar as melhores opções do mercado, os fundos de investimentos têm desvantagens em relação à previdência privada.

Cobrança de come-cotas

Como vimos anteriormente, a previdência privada não tem a cobrança de come-cotas. Já alguns tipos de fundos de investimento têm esse modelo de tributação antecipada, onde, além do IR cobrado no resgate, há um recolhimento realizado semestralmente. Lembrando que a alíquota do come-cotas será o menor percentual de imposto incidente em cada tipo de fundo, ou seja, 20% para os fundos de curto prazo e 15% para os de longo prazo.

Maior volatilidade

Em investimentos de longo período, os investidores ficam menos suscetíveis a riscos, já que a possibilidade de perda tende a se diluir com o tempo. Todavia, essa é uma alternativa mais indicada a pessoas de perfil moderado ou arrojado, que não se incomodarão tanto com os momentos de queda na rentabilidade. Afinal, investir em Fundos Multimercado significa aceitar um certo nível de volatilidade, que pode variar dependendo da estratégia adotada.

Porém, a percepção de que a previdência privada é destinada apenas a investidores conservadores não é correta. Há opções tradicionais, com aplicações em renda fixa, mas é possível também encontrar alternativas de maior risco, com parte do patrimônio aplicado em ações.

Independentemente do investimento a ser feito, é importante que a pessoa que realizará o aporte conheça seu perfil e seu horizonte de investimento. Os planos de previdência privada e os fundos tradicionais de longo período possibilitará uma maior rentabilidade se a aplicação for mantida por mais tempo. Assim, é recomendável que o investidor não utilize recursos que possam ser necessários em curto ou médio prazo.

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Previdência privada ou fundos tradicionais de longo período? Saiba o que é melhor para você!
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