Após as acirradas disputas das Eleições 2018, torna-se prudente indagarmos como os maiores desafios da economia brasileira podem evoluir durante os próximos quatro anos de governo do presidente eleito.

Além dos já conhecidos desafios internos, os reflexos do mercado internacional e as relações entre o Brasil e seus parceiros comerciais farão parte do amplo panorama a ser considerado pela nova equipe econômica do governo.

O quadro econômico atual

Sabemos que o novo presidente encontrará uma conjuntura externa mais desafiadora para as economias emergentes. Enquanto o crescimento global deve mostrar alguma moderação, a economia americana ainda deve apresentar ritmo de crescimento acima do potencial na esteira dos estímulos fiscais e da robustez do mercado de trabalho.

A força da economia norte americana deve manter a inflação próxima à meta e dar confiança para o FED, o banco central norte americano, seguir seu plano de aperto monetário. Ainda que gradual, o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos reduz a liquidez global e pressiona as economias que dependem da entrada de capitais externos.

Como já observado ao longo de 2018, os países emergentes mais frágeis são os primeiros a serem negativamente impactados pelo ambiente internacional menos benigno e são rapidamente cobrados por reformas ou recondução da política econômica. Fora a menor liquidez global, as taxas de juros mais altas podem levar a uma correção das principais classes de ativos em um ambiente de maior risco para as políticas de comércio global.

Os riscos em outros cenários

O cenário internacional alternativo também não é positivo para as economias emergentes. Um cenário em que a elevação das taxas de juros globais é interrompida seria explicado por uma forte desaceleração do crescimento global. E um ritmo menor da atividade global significa queda dos preços das commodities, desaceleração das exportações e dos investimentos nas economias em desenvolvimento. Portanto, o cenário também é bastante desafiador para países como o Brasil.

Por consequência, atualmente, o cenário internacional menos provável que o novo presidente encontrará é uma conjuntura de crescimento global sincronizado, associado a índices baixos de inflação e aperto moderado das condições financeiras. Este contexto favorável foi observado ao longo de 2017 e no início de 2018, o que permitiu que países emergentes saíssem da recessão, ajustassem seus balanços de pagamentos e conseguissem reduzir a taxa de juros, sem colocar em xeque o cumprimento das metas de inflação.

Os desafios da conjuntura internacional expõem as fragilidades brasileiras e apontam que, independentemente de quem assumir a presidência, o ajuste fiscal não poderá ser ignorado. Afinal, enquanto as contas externas brasileiras não preocupam, com déficit em transações correntes baixo e alto nível de reservas internacionais, ainda não há perspectiva de estabilidade da dívida bruta e reversão do déficit primário.

As reformas e o controle da máquina pública

Mais importante do que entender a viabilidade e a coerência das propostas fiscais, é relevante compreender se o novo presidente poderá evitar algum ajuste fiscal.  Com um congresso fragmentado e avesso a aumento de impostos, restrições colocadas pelo teto de gastos e ameaça de uma nova crise econômica aguda, há alto grau de convicção de que o novo presidente não conseguirá fugir do debate sobre a Reforma da Previdência e controle dos gastos públicos.

A nova gestão terá que enfrentar também a agenda de crescimento. O novo presidente terá o desafio de buscar crescimento sustentável, mesmo com limitação de gastos públicos, baixa poupança privada e níveis de confiança frágeis. Além disso, precisará lidar com a ansiedade da população por melhora rápida do emprego, porém não existirá espaço e tolerância para ideias mirabolantes e irresponsáveis. Portanto, a agenda para um nível de crescimento sustentável também passará por reformas estruturais que busquem o aumento da produtividade.  

Assim, os desafios do ajuste fiscal e da busca do crescimento em um ambiente internacional menos benigno estarão postos ao novo governo em 2019. E existirão poucas margens de manobras para fugir dos compromissos que eles exigirão.

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