Se você quer uma aposentadoria mais tranquila ou deseja alcançar a independência financeira, provavelmente busca por um investimento que mescle segurança e lucratividade, características que encontramos nos títulos públicos.

Confira este artigo e conheça o Tesouro Direto, o investimento mais seguro do Brasil, com as principais opções que ele oferece. Boa leitura!

O que é o Tesouro Direto?

Em parceria com a BM&FBOVESPA, foi lançado em janeiro de 2002 o programa do Tesouro Direto. Por meio dele, o investidor pessoa física aplica diretamente em papéis da dívida pública federal por meio da internet. Todavia, o Tesouro Direto não representa o ativo financeiro em si.

Quando você compra um título do Tesouro Direto, na prática, está comprando um pedaço da dívida pública do país — ou seja, você está emprestando dinheiro ao Brasil e receberá juros por isso. Além de ser uma alternativa de investimento segura, o investidor estará ajudando no desenvolvimento do país, pois o recurso será utilizado em diversos setores, como saúde, educação e infraestrutura.

Assim, investir em títulos públicos significa confiar seus recursos à aplicação financeira mais segura do mercado, pois quem a garante é o próprio Tesouro Nacional.

O objetivo do programa Tesouro Direto é democratizar o acesso aos títulos públicos federais, incentivar a formação de poupança de longo prazo e fornecer informações sobre a administração e a estrutura da dívida pública federal brasileira. Anteriormente à criação deste programa, as pessoas físicas só podiam comprar títulos públicos indiretamente por meio da aquisição de cotas de fundos de investimento. Neste tipo de investimento, os fundos agem como intermediários e adquirirem os títulos públicos, que compõem as carteiras dos fundos. Lembrando que os fundos de investimento cobram . No caso do Tesouro Direto, você pode comprar diretamente os títulos que desejar, com redução do custo de intermediação.

As compras tradicionais no Tesouro Direto deverão ser múltiplas de 0,01 título ou 1%. No ato da compra, o investidor pode optar por informar o valor financeiro ou a quantidade de títulos que pretende adquirir. É importante ressaltar que o sistema possui uma trava para valores menores que R$ 30. Portanto, ainda que 1% de um título custe menos do que isso, será preciso comprar frações dele até que essa quantia seja alcançada.

Com o modelo implementado pelo Tesouro Direto, qualquer pessoa pode investir em títulos públicos diretamente, seja por meio de um banco, de uma corretora, ou até mesmo diretamente pelo site do Tesouro Direto.

Importante saber que existem 2 taxas no Tesouro Direto, sendo uma cobrada pela BM&FBOVESPA, referentes aos serviços prestados, e a outra cobrada pela sua instituição financeira. A BM&FBOVESPA cobra uma taxa de custódia de 0,30% a.a. sobre o valor dos títulos, referente aos serviços de guarda destes e às informações e movimentações dos saldos. Essa taxa é provisionada diariamente a partir da compra do título e, por isso, é cobrada proporcionalmente ao período em que o investidor o mantiver. A taxa cobrada pela instituição financeira é livremente pactuada com o investidor, podendo até mesmo ser zero! O Tesouro Direto disponibiliza em seu site um ranking com as taxas cobradas por cada instituição, neste endereço. Vale a pena o investidor dar uma olhada antes de optar pela sua instituição financeira.

Quais são os principais títulos do Tesouro Direto?

Para explicar melhor como funcionam os investimentos no Tesouro Direto, apresentaremos a seguir as principais opções. Acompanhe!

LFT (ou Tesouro Selic)

A sigla LFT se refere às Letras Financeiras do Tesouro. Também conhecido como Tesouro Selic, esse é um título público pós-fixado. Nesse tipo de remuneração, o investidor não sabe a rentabilidade final exata no momento em que realiza a aplicação, uma vez que conhece somente o índice que será responsável pela formação dos rendimentos do título, que, neste caso, é a Taxa Selic.

A LFT é o título público com menor volatilidade e, assim, é indicado para investidores de perfil mais conservador e que precisam de liquidez. Caso haja uma emergência, é possível resgatar o dinheiro que foi aplicado antes do vencimento sem o risco de surpresas com o rendimento.

O fato de que a LFT combina a segurança de um título público com a liquidez diária, que garante fácil acesso ao capital aplicado, faz com que esse seja o investimento ideal para quem deseja criar uma reserva de emergência.

Esse investimento também é interessante para poupar o dinheiro que deve ser usado em algum objetivo de curto prazo — como uma viagem de férias. Por acompanhar a Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia, é possível seguir o seu rendimento diariamente

Assim, quanto maior a Taxa Selic, maior será o retorno. O rendimento é o mesmo todos os dias, até que o Comitê de Política Monetária (Copom) implemente alguma mudança nos juros básicos da economia.

LTN (ou Tesouro Prefixado)

A LTN é a sigla de Letra do Tesouro Nacional. Esse é um título prefixado e, assim, o investidor sabe o quanto receberá na data de vencimento, já no momento da compra.

Independentemente do que ocorrer na economia — com a Taxa Selic ou com a inflação —, o rendimento recebido será aquele pactuado no momento da compra. Para isso, basta que o título seja mantido até o vencimento.

Como o investidor sabe previamente a rentabilidade que receberá caso mantenha o título até a data de vencimento, a LTN se torna uma opção mais interessante quando as expectativas são de queda para a Selic e para a inflação — que atuam como indexadores em outros títulos.

Assim como a LFT, a LTN não precisa ser levada até o vencimento. No entanto, ao contrário da LFT, a LTN — também conhecida como Tesouro Prefixado — pode apresentar volatilidade, com mudanças diárias em seu valor de mercado.

Dessa maneira, caso o investidor precise fazer o resgate do valor aplicado antes do vencimento do título, o Tesouro Nacional pagará o valor de mercado daquele dia específico. Consequentemente, a rentabilidade pode ser superior ou inferior à contratada no momento da compra.

Levando em conta os riscos de ter uma lucratividade menor do que a acordada em caso de venda antecipada do título, a LTN é indicada para investimentos de longo prazo.

Como sua rentabilidade é conhecida e está blindada contra variações da economia, a LTN é uma boa opção para acumular capital a ser utilizado em objetivos mais distantes — como uma futura troca do carro, a compra da casa própria ou até mesmo a aposentadoria.

NTN-F (ou Tesouro Prefixado com juros semestrais)

A sigla NTN-F significa Nota do Tesouro Nacional – Série F. A NTN-F é um título prefixado, assim como a LTN, que vimos anteriormente. A diferença em relação ao anterior é que a NTN-F faz pagamentos de juros ao investidor a cada seis meses. Isso quer dizer que o investidor recebe, durante o período da aplicação, pagamentos semestrais que representam uma antecipação da rentabilidade contratada, gerando uma renda periódica.

Assim como a LTN, a NTN-F é um título marcado a mercado e, caso vendido antes do prazo de vencimento pode ter um valor menor do que a sua rentabilidade final. Por isso, também é indicado para investimentos e objetivos de longo prazo.

NTN-B e NTN-B Principal

As siglas NTN-B e NTN-B Principal se referem à Nota do Tesouro Nacional – Série B e, atualmente, são chamadas respectivamente de Tesouro IPCA com juros semestrais e Tesouro IPCA+.

Esses títulos públicos funcionam como um “misto” de um título prefixado (taxa de juros fixos anuais previamente acordado) e o incremento de uma parcela pós-fixada (IPCA do período). Por serem títulos indexados ao Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), asseguram a rentabilidade real, que é o retorno acima da inflação.

Dessa forma, se o investidor mantiver a aplicação até a data de vencimento do título, ele receberá a variação da inflação do período acrescida de uma taxa de retorno conhecida e acordada no momento em que comprou o papel.

Assim como acontece com os títulos prefixados (LTN e NTN-F), caso o investidor precise fazer o resgate antes do vencimento do título, o rendimento poderá ser diferente daquele acordado na data da compra. Isso ocorre porque o papel será recomprado pelo Tesouro Nacional pelo valor de mercado do dia em que é vendido pelo investidor. Tudo isso faz com que esses sejam títulos recomendados para investimentos de longo de prazo.

NTN-B (ou Tesouro IPCA com juros semestrais)

A NTN-B (ou Tesouro IPCA com juros semestrais), diferentemente da NTN-B Principal, realiza o pagamento de juros semestrais, Isso significa que, ao longo do período da aplicação, o investidor terá o recebimento de rendimentos ao invés de receber tudo no final. Os pagamentos semestrais, nesse caso, representam uma antecipação da rentabilidade contratada.

Assim, a cada 6 meses, o investidor que aplicar no título receberá metade da taxa nominal (parcela prefixada) de juros anual e, na data de vencimento, receberá o dinheiro que investiu corrigido pela inflação.

Digamos que o NTN-B tenha uma parcela prefixada de 6% ao ano. Dessa maneira, a cada 6 meses o investidor receberá 3% de juros sobre o valor aplicado. É importante lembrar que o investimento só será corrigido pela inflação no dia do seu vencimento.

Importante destacar que no pagamento desses rendimentos semestrais há incidência de imposto de renda (IR), obedecendo a tabela regressiva. Portanto, se você planeja reinvestir os valores recebidos a cada seis meses, é mais interessante escolher investir em um papel que não paga juros semestrais, como a NTN-B Principal (ou Tesouro IPCA+). Neste tipo de título o imposto de renda será recolhido apenas no final da aplicação, o que garante que a rentabilidade incida sobre um montante superior, ou seja, sobre uma base maior, já que não sofreu reduções em função da incidência do IR nos eventos de pagamento de juros semestrais. Isso beneficia a rentabilidade final da aplicação.

NTN-B Principal (ou Tesouro IPCA+)

Assim como a NTN-B, a NTN-B Principal é um título com taxa de juros real. Entretanto, não há pagamento de cupom — essa é a grande diferença entre os dois papéis.

Portanto, a diferença entre a NTN-B e a NTN-B Principal é que, enquanto na primeira você receberá juros semestrais, como uma antecipação da rentabilidade, na segunda o investidor receberá toda a rentabilidade do título em sua data de vencimento.

Como funciona a rentabilidade dos títulos públicos prefixados, pós-fixados e “Mistos”?

Apesar de ter sido mencionado algumas formas de rentabilidade dos títulos públicos, é bom reforçar como funciona cada um desses títulos., Os títulos públicos podem ser divididos entre Pré-fixados, Pós-fixados e Mistos. Embora todos sejam títulos públicos do Tesouro Direto, existem algumas diferenças fundamentais entre cada um deles. Confira!

Pré-fixados

Títulos pré-fixados são aqueles que contam com uma taxa de rentabilidade fixada no momento da compra, ou seja, é possível saber exatamente a rentabilidade que irá receber se mantiver o título até a data de vencimento. Caso não haja pagamento de cupons, o valor final, na data de vencimento, pode ser calculado pelo valor aplicado corrigido pela taxa prefixada no momento da compra. Estão nessa categoria os títulos LTN e o NTN-F.

Pós-fixados

Nesse tipo de remuneração o investidor não sabe a rentabilidade final exata no momento em que realiza a aplicação uma vez que conhece somente o seu indexador, que, em outras palavras, é o índice que será responsável pela formação dos rendimentos do título. No Tesouro Direto um exemplo de título pós-fixado é a LFT, que possui como indexador a Taxa Selic.

“Mistos”

São títulos públicos que têm parte da rentabilidade pré-fixada e parte pós-fixada, como vimos na NTN-B e NTN-B Principal, que têm uma taxa de juros fixos anuais (taxa pré-fixada), mais a correção pelo IPCA de forma pós-fixada. Portanto, ao comprar uma NTN-B que tenha uma rentabilidade de IPCA + 5% a.a., por exemplo, o IPCA representa a parte pós-fixada e os juros de 5% a.a. são a parte pré-fixada, acordada no momento da compra.

Quais são os juros incidentes nos títulos públicos?

Existem duas modalidades para a taxa de juros aplicada aos títulos. Entenda:

Nominal

A taxa de juros nominal não considera o efeito da inflação sobre o valor do título. Isso significa que é necessário descontar a inflação para obter o rendimento real da aplicação. Ela se torna mais interessante quando existem perspectivas de queda para a Selic e a inflação. Esse é o caso da LFT, da LTN e da NTN-F.

Real

A taxa de juros real reflete a rentabilidade acima da inflação, à qual o título será remunerado. Essa taxa é indicada para o investidor que pretende garantir o poder de compra do capital aplicado no longo prazo ou se proteger em um cenário de grande aumento da taxa de inflação

Nestes casos, é indicado realizar ou até mesmo aumentar os investimentos em  NTN-B e/ou NTN-B Principal.

O que significa o cupom?

Como abordamos ao falar sobre as Notas de Tesouro Nacional, alguns títulos públicos fazem pagamentos periódicos, que são uma antecipação da rentabilidade contratada. Esses pagamentos são conhecidos como cupons.

Os cupons são pagos aos investidores ao longo da existência dos títulos — geralmente a cada semestre. Esse fator é interessante para investidores que querem ter receitas recorrentes. Os títulos públicos abordados neste texto que pagam cupom são a NTN-B e a NTN-F.

Quais são os riscos de aplicar em títulos públicos?

Como o Tesouro Direto conta com a garantia total do Tesouro Nacional, os títulos públicos são o investimento com o menor risco de crédito. O investidor só não receberá o valor devido se o Brasil chegar à falência.

Outros investimentos de renda fixa — como CDB, LCI, LCA e Poupança —, oferecidos por instituições privadas, são considerados mais arriscados se comparados ao Tesouro Direto. Afinal, é mais fácil que os bancos, que são as instituições emissoras desses títulos, declarem falência do que o país, correto?

No caso da poupança, apesar de ser considerada um investimento muito seguro, ela sempre renderá menos do que o Tesouro Direto e seu rendimento compete diretamente com a inflação. Em 2015, por exemplo, quem deixou o dinheiro na caderneta perdeu 2,28% de seu poder de compra, dado que a inflação foi superior ao retorno da poupança. Em 2016, houve ganho real, descontando a inflação, porém somente de 1,89% no ano.

Embora investir em títulos públicos seja uma ótima opção, ter uma carteira diversificada — que combine o Tesouro Direto com outros investimentos, inclusive em renda variável — é uma boa ideia para quem busca segurança e lucratividade.

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