Imagine que, mesmo satisfeito no emprego atual, você receba uma proposta de outra empresa. Valeria a pena fazer essa troca? Certamente, seria necessário analisar questões financeiras, oportunidades de crescimento e a adaptação a uma nova cultura organizacional. O exemplo acima é apenas uma demonstração de como todas as decisões em nossas vidas envolvem análises da relação risco e retorno.

Geralmente, é feita uma ponderação do retorno que esperamos para correr determinado risco. Esse mesmo raciocínio é válido ao escolhermos onde colocaremos nosso dinheiro.

Neste artigo, explicaremos como essa relação de risco e retorno acontece no mercado de investimentos e quais pontos precisam ser analisados antes de tomar a decisão de onde investir. Continue a leitura e entenda!

A relação risco e retorno em investimentos

No mercado de investimentos, quanto maior o risco que um investidor está disposto a correr, maior será o retorno esperado. Isso não quer dizer que, obrigatoriamente, as opções que entregam maior rentabilidade serão aquelas que representam maior perigo de perda aos investidores. O que deve ser feito é buscar informações e analisar o risco antes de investir.

Ao realizar um aporte, é comum que os investidores foquem na rentabilidade esperada. Todavia, é preciso ter a consciência de quão grande é a possibilidade de o retorno esperado se tornar uma perda de dinheiro.

Usualmente, o investidor brasileiro costumava ser conservador em suas aplicações. Porém, com um novo cenário econômico e a queda da Taxa Selic, opções mais conservadoras, como os produtos de renda fixa, já não oferecem o mesmo retorno. Assim, há uma tendência de que as pessoas aceitem riscos maiores para almejarem maior retorno.

Para saber quais riscos estão dispostos a enfrentar sem terem seus objetivos frustrados, os investidores devem conhecer seu perfil: conservador, moderado ou agressivo. Há produtos indicados para cada um desses perfis.

Perfil conservador

O perfil conservador é o que abrange investidores que buscam segurança nas aplicações que realizam. Geralmente, são pessoas com objetivo de preservação de seu dinheiro, privilegiando uma boa liquidez (tema que será abordado mais adiante). Esses investidores estão dispostos a correr um baixo nível de risco.

Investidores de perfil conservador miram opções que tenham resultados mais previsíveis, e que sua rentabilidade seja acima da inflação.

Perfil moderado

Assim como investidores conservadores, aqueles que são de perfil moderado buscam segurança em seus investimentos. Mas são tolerantes a um médio nível de risco. Por isso, admitem a possibilidade de aplicar em produtos um pouco mais ousados, com volatilidade e, consequentemente, com possibilidade de apresentar maior rentabilidade em médio e longo prazo, não necessitando de liquidez imediata.

Perfil agressivo

A possibilidade de conseguir maior rentabilidade é uma das principais motivações para investidores de perfil agressivo. Por isso esse perfil aceita correr riscos mais altos. Mais tolerantes a possíveis perdas, são pessoas que não se incomodam com produtos de alta volatilidade, assunto que será explicado detalhadamente no decorrer deste texto.

Ter a consciência de em qual perfil se encaixa é um dos primeiros passos para o investidor entender como lidará com a relação entre risco e retorno. Essa análise pessoal e auto-conhecimento será fundamental para entender como formar sua carteira de investimentos.

Vale ressaltar que o perfil de risco do investidor pode mudar de tempos em tempos, pois pode variar de acordo com seu momento de vida ou mesmo com o momento de mercado. O mais importante é realmente o investidor ter a exata noção e conhecimento sobre os riscos e retornos esperados de seus investimentos.

Para a definição dos investimentos a serem feitos, é preciso também se familiarizar com  alguns dos principais riscos que estão envolvidos em um investimento.

Os riscos ao investir

Antes de decidir onde colocará seu dinheiro, o investidor precisa estar atento aos diferentes fatores que podem determinar maiores ganhos ou perdas. Portanto, analise os riscos a seguir.

Risco de mercado

O risco de mercado consiste na variação do valor dos ativos financeiros (valor do investimento) que compõem sua carteira. O valor destes ativos financeiros pode aumentar ou diminuir, de acordo com vários fatores como: flutuação de preços e cotações de mercado, taxas de juros e resultados financeiros das empresas emissoras.

Basicamente, quanto mais pessoas estiverem interessadas em um ativo específico, o seu valor será mais alto. Em contrapartida, se esse interesse diminuir, o preço do ativo cairá. Isso pode ocorrer por um curto período de tempo ou por tempo indeterminado.

Ao pensar no retorno, o investidor deve ter em mente que a volatilidade é uma medida para mensurar o grau de risco. Um papel que valoriza muito em um dia e desvaloriza muito no outro e segue com essa inconstância, é um papel com alta volatilidade. Quanto maior a inconstância, maior a volatilidade.

Risco de crédito

O risco de crédito consiste no risco dos emissores de ativos financeiros de renda fixa não cumprirem suas obrigações de pagar tanto o principal como os respectivos juros de suas dívidas para com o investidor (lembrando que basicamente um título de renda fixa é uma obrigação de dívida de um emissor para um investidor). Ou seja, o Risco de Crédito é a probabilidade de não receber o retorno de seu investimento de renda fixa.

Instituições e empresas que passam por dificuldades financeiras e/ou têm maior necessidade de capital, tendem a oferecer retornos maiores. Porém, os investidores que optam por investir nesses ativos conviverão com um risco maior, o risco dessas empresas não cumprirem com o que é devido e não entregar a rentabilidade ofertada.

Em resumo, quanto maior o risco de não pagamento da dívida, maior é o retorno que será oferecido.

Risco de liquidez

Antes de explicarmos o Risco de Liquidez, vamos entender o que é a liquidez de um ativo.

Liquidez pode ser entendida como a capacidade de um investidor entrar (comprar) ou sair (vender ou resgatar) de um ativo dada a demanda do mercado. No caso de um imóvel ou de um carro, por exemplo, em consequência da baixa liquidez, a urgência para venda poderá obrigar o proprietário a aceitar um valor inferior àquele que seria alcançado se pudesse esperar mais tempo para concluir a transação. Em resumo, a liquidez é a facilidade de converter o ativo em dinheiro.

O risco de liquidez, portanto, caracteriza-se pelo risco de baixa ou mesmo falta de demanda por determinado ativo financeiro. Num alto risco de liquidez, o investidor poderá não estar apto a efetuar, dentro do prazo desejado, a venda ou resgate de seus ativos pelo valor que considere o melhor preço ou valor “justo”. Por sua vez, quanto mais liquidez tem um ativo, portanto mais facilidade de conseguir vendê-lo e transformá-lo em dinheiro, mais baixo seria o risco de liquidez desse ativo.

Formas de analisar os riscos de um investimento

Antes de realizar uma aplicação, é necessário entender muito bem sobre o investimento escolhido e ter consciência e conhecimento dos riscos que o envolvem para que seja amenizada a possibilidade de frustração com a opção escolhida. Ou seja, é preciso entender sua relação de risco e retorno. Para se precaver, é importante saber onde se informar.

Ao escolher um fundo de investimento, por exemplo, o investidor deverá buscar essas informações no material de divulgação. Deverá comparar os fundos, suas características e todos os riscos envolvidos; não apenas olhar o retorno do fundo de investimento. .

O investidor poderá ainda se precaver quanto a riscos de crédito observando ratings das instituições emissoras dos títulos de renda fixa. As notas oferecidas pelas agências de classificação de risco são uma forma de compreender claramente a situação financeira de uma instituição. Além disso, é importante procurar informações sobre a empresa ou instituição emissora do título em meios de comunicação especializadas em finanças. Assim você irá obter o máximo de informações possíveis sobre possíveis problemas financeiros da emissora.

Todas essas informações ajudam a entender qual a relação risco e retorno em um investimento. Tambéem te ajudam a entender como alcançar os ganhos esperados sem surpresas indesejadas.

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Relação risco e retorno: veja como isso impacta nos seus investimentos
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