Fundo multimercado e volatilidade são duas questões muito importantes que geram dúvidas a quem está começando no mercado de investimentos. O que pouca gente sabe é que esses dois conceitos têm relações fundamentais um com o outro — e que isso vai lhe ajudar a ter bons resultados.

Este post trará em detalhes como funciona um fundo multimercado e mostrará por que o conceito de volatilidade é fundamental nesse tipo de operação, especialmente quando usada a favor de quem investe. Confira!

O que é um Fundo Multimercado?

O fundo multimercado pode ser definido como um investimento que visa diversificar sua carteira de investimentos, para assim obter resultados amplos e aproveitar as melhores oportunidades nos diferentes tipos de mercados. Esse tipo de fundo poderá buscar ativos de todos os tipos, aplicando em renda fixa, ações de empresas, mercado de câmbio e outras alternativas para maximizar seus ganhos.

A proposta principal desse tipo de fundo é ter mais opções de ganhos e, assim, não se prender somente a um mercado ou tipo de ativo. Entretanto, o sucesso do fundo multimercado está diretamente ligado a uma estratégia eficiente, definida por um gestor capacitado e competente.

Quais questões importantes devem ser avaliadas?

Ao escolher um fundo multimercado é fundamental perceber que existem diversos tipos com diferentes estratégias. Abaixo traremos questões importantes que ajudarão o investidor a encontrar uma opção adequada à sua realidade e ao que ele pretende. Confira:

Rentabilidade histórica do fundo

O primeiro ponto é a rentabilidade histórica do fundo. É importante avaliar como ele tem se comportado nos últimos 12 meses, primeiramente, mas também avaliar um período mais longo, de pelo menos 3 anos. Por mais que exista a premissa de que “rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura”, esse estudo ajudará a compreender a sua regularidade e dará uma ideia do que esperar a longo prazo.

Prazo de resgate do fundo

Outra questão fundamental é a liquidez, ou seja, o tempo que o investidor vai demorar para receber seus recursos caso queira resgatar parte ou a totalidade do seu investimento. Alguns fundos são mais longos, ou seja, de baixa liquidez, enquanto outros retornam rendimentos mais rápido.

Todos os fundos de investimento têm um prazo de resgate específico, o que quer dizer que, ao solicitar o resgate, haverá um prazo estipulado do fundo para que o dinheiro esteja na sua conta corrente. Só após o término deste prazo o dinheiro será disponibilizado na conta do investidor.  Por exemplo, se você está investindo em um fundo que a liquidação é “D+0”, isso quer dizer que seu dinheiro estará na sua conta no mesmo dia, uma vez que “D” é o dia que você solicita o resgate, se o seu fundo for D+1 você receberá o montante após um dia, se ele for D+30 você receberá após 30 dias, e assim por diante. Durante o período que o dinheiro estiver no fundo, até entrar na sua conta corrente, ele continuará rendendo.

Esse prazo de resgate pode variar entre 1 até 360 dias, dependendo do fundo e dos ativos que o compõe. Esse período é estipulado para proteger o próprio investidor, pois dependendo da complexidade de venda dos ativos do fundo, o gestor pode ter tempo hábil de se desfazer de uma posição, a um preço mais justo, sem prejudicar os demais investidores do fundo.

O histórico da gestora do fundo

gestor do fundo também é uma figura chave, precisando ser confiável, qualificado e altamente experiente. É essa pessoa ou equipe que vai gerir seu dinheiro enquanto você investir no fundo. Sendo assim, busque saber sobre o histórico das pessoas envolvidas na gestão, quais empresas já trabalharam, se já estiveram em projetos grandes e se são realmente capacitadas. Isso fará toda diferença e é o que separa bons investimentos dos demais.

O benchmark

Benchmark pode ser considerado uma referência de rendimento pela qual o investidor pode comparar suas aplicações nos fundos multimercado. Assim, consegue ter uma noção do sucesso desses investimentos.

O mais importante é que seja possível superar esse benchmark, que na maioria dos fundos é o CDI. Caso a rentabilidade consiga superar este índice de referência, é um sinal de bons negócios. O ideal é acompanhar se o que foi proposto como expectativa de retorno está sendo atingida, considerando variações normais.

A estratégia

Cada fundo possui uma estratégia de atuação diferente, o que se reflete na escolha de mercados e aplicações nos quais investem — uns, por exemplo, operam em regime de long short, com ativos da bolsa, enquanto outros optam pelo mercado estrangeiro. Também existem fundos que mesclam bem essas aplicações, operando na Bolsa e aplicando 20% do capital no mercado exterior, aproveitando as variações do dólar.

O ideal é entender o que cada fundo tem como principal estratégia e direcionamento e  verificar se esta estratégia está alinhada com os interesses e anseios do investidor.

A tributação

Geralmente, os fundos multimercado seguem o mesmo esquema de tributação dos rendimentos de renda fixa, seguindo a tabela regressiva, de acordo com o tempo em que o capital fica aplicado, indo de 22,5% (até 180 dias) até 15%, para períodos acima de 720 dias.

As aplicações que seguem a tabela regressiva geralmente têm incidência de come-cotas, em maio e novembro, então é importante ficar atento a essa questão.

Alguns fundos multimercados podem ter tributação de renda variável, caso o fundo possua mais de 67% de seus ativos investidos em ações, nesse caso o fundo terá uma alíquota fixa de 15% sobre os rendimentos e, além disso, não possui incidência de come-cotas.

O Patrimônio Líquido do Fundo

O tamanho do fundo pode servir como referência para identificar uma possível concentração de investimentos de um único ou poucos investidores e isso poderá interferir nos resultados do fundo, caso algum investidor tenha grandes valores investidos e resolva resgatar seu investimento. Quanto maior o patrimônio e maior o número de investidores, melhor ficará o capital investido, pois estará mais pulverizado, evitando que saídas pontuais influenciem os rendimentos de quem permanece no fundo.

Para minimizar futuros problemas por conta da concentração do patrimônio do fundo, procure um fundo multimercado com  Patrimônio Líquido de pelo menos R$ 50 milhões e verifique no site da CVM o número de cotistas do fundo analisado, para, por exemplo, evitar que você invista em um fundo de apenas 2 cotistas donos destes R$50 milhões.

Qual a importância de entender a volatilidade?

A volatilidade é uma importante característica da estratégia de cada fundo e varia muito de fundo para fundo. Entender e analisar esta variável é muito importante para o investidor na hora de tomar a decisão de investimento. Volatilidade é basicamente o nível de variação de valor dos ativos de um fundo.

Para entender a volatilidade de um fundo é preciso observar seu histórico. Quanto mais volátil, maior a probabilidade de conseguir aproveitar os movimentos de alta. No entanto, isso também significa algumas baixas que podem resultar em perdas. Em resumo, quanto maior a volatilidade de um fundo, maior é o risco, mas por outro lado, maior será a possibilidade de retorno melhores no longo prazo.

Como a volatilidade impacta os investimentos?

O impacto da volatilidade nos investimentos é direto e claro: quanto maior essa volatilidade, maiores as chances de variações nos preços, sendo que justamente esse movimento impactará em novas e mais lucrativas oportunidades.

Para investidores com perfis mais destemidos, que buscam maiores rendimentos, fundos de volatilidade alta podem ser um ótimo negócio. Basta que também estejam prontos para se manterem tranquilos e confiantes com a variação de preços no curto prazo, já que o que importa é o resultado a longo prazo.

Mas se o investidor é naturalmente mais conservador, um fundo com menor volatilidade pode ser mais indicado. Geralmente esse tipo de investidor não gosta de ver quedas nos preços, pois isso gera insegurança e medo de perdas. Então, para eles é preferível ter menos rendimentos, porém, maior segurança.

Como obter vantagens da volatilidade?

A volatilidade muitas vezes é vista como sinônimo de risco, o que é uma avaliação justificada, porém também é possível tirar vantagens dessas variações dos valores dos ativos. Toda vez que há movimentos crescentes, o investidor tem ganhos concretos e, caso deseje sair da posição, consegue ter o retorno de seus investimentos.

Obter vantagens da volatilidade depende diretamente de atuar observando esses movimentos e variações, sabendo o momento certo de sair de uma posição. Desse modo, será possível receber, ao fim da aplicação, um valor maior do que o investido no início, ou seja, ter lucro. Por este motivo lembramos novamente a importância de conhecer o histórico do fundo e a experiência do seu gestor.

Quais fatores afetam a volatilidade?

Alguns fatores naturais de mercado influenciam diretamente na volatilidade, fazendo com que haja movimentos de variação de preços, podendo ser aproveitados de diferentes formas. A seguir, conheça melhor essas questões e suas influências nos fundos de investimento multimercado:

Alavancagem 

Há fundos de investimentos que atuam comprando ativos no mercado futuro, ou seja, o investidor compra ou vende um contrato que lhe dá o direito de comprar ou vender um ativo ao final de determinado prazo e por um valor previamente definido no momento da contratação.

A alavancagem neste tipo de contrato ocorre, pois não é necessário se ter o valor integral para investir, é como se fosse um empréstimo que permite que você movimente na Bolsa de Valores um valor superior ao que possui. A variação de preço desse contrato, a valorização ou desvalorização, será o resultado do investimento. Ou seja, você consegue alavancar a possibilidade de ganho, mas também aumenta o seu risco, caso você não devolva o “empréstimo” no prazo determinado.

Porém, apesar de não precisar ter o valor integral do contrato para iniciar o investimento, será necessário fazer um aporte referente ao depósito de margem de garantia (valor em dinheiro, ações ou títulos públicos federais) que será requisitada e controlada pela Bolsa (B3). Essa margem, como o nome diz, é a garantia mínima que a Bolsa (B3) exige para se assegurar que você tenha como assumir as oscilações de mercado, como se fosse um cheque caução. A margem pode variar de 2,5% a 25%, dependerá da sua oscilação – volatilidade, do prazo e da corretora. Caso a margem não seja depositada, a Bolsa (B3) irá liquidar este contrato compulsoriamente.

Apenas para ficar mais fácil o entendimento, se você tiver R$10.000 para investir, o máximo que você poderá alavancar utilizando contratos futuros na Bolsa (B3) será R$80.000 (8 vezes o valor que possui para investimento), mas caso o contrato renda 1% de lucro, você receberá R$800, ou seja, 1% de R$80mil e não de R$10mil. Porém se tiver 1% de prejuízo, você deverá pagar R$800.

Quando se utiliza a alavancagem, você estará recebendo ou pagando referente à um valor de investimento cujo capital você não possui, obtendo um resultado sobre um capital mais alto do que efetivamente possui. Nestes exemplos, você regataria R$10.800 em caso de lucro ou R$9.200 em caso de prejuízo, respectivamente.

Basicamente, alavancagem é investir um dinheiro que você não tem integralmente.

Posições dos fundos

Cada fundo tem uma maneira diferente de distribuir o capital dos investidores. Alguns buscam ativos pós-fixados, ou seja, aqueles mais seguros, enquanto outros são mais agressivos, buscando os prefixados ou os  de renda variável.

Essas características devem ser observadas para que o investidor lide bem com a volatilidade de cada um desses fundos, de acordo com o seu perfil.

Fundo multimercado e volatilidade

Como vimos ao longo deste texto, os fundos multimercados e sua volatilidade precisam ser compreendidos para abrir possibilidades de novos horizontes e para que o investidor tenha a exata compreensão do que esperar.

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Tudo o que você precisa saber sobre Fundo Multimercado e volatilidade
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